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CINEMA ► “2012” é o fim do mundo (ou como desperdicei duas horas e meia de minha vida sem fazer força)

08 fev

Domingo de sol, mais de 40 graus do lado de fora, decido passar tempo assistindo finalmente a “2012”, o mais recente filme apocalíptico de Roland Emmerich.

Pouco mais de duas horas e meia depois, minha esposa me encontra irritado e com dor de cabeça. “Mas o que você esperava de um filme desses?”, ela perguntou.

Tá bom, eu sei que minha formação cinematográfica – se é que exista isso – passa mais por François Truffaut, Ettore Scola, Wim Wenders, Woody Allen e afins, os muitas vezes pejorativamente chamados de “filmes cabeça”. Mas também gosto de geniais diretores de filmes que arrebentam na bilheteria, como Steven “quase-tudo-que-toca-vira-ouro” Spielberg e Francis “O Poderoso Chefão” Coppola. Fora que sempre fui grande fã de ficção científica.

E aí meu ecletismo cinematográfico se amplia: comédias idiotas, filmes despretensiosamente horríveis e filmes catástrofes sem cabeça alguma, mas com impressionante visual…

Então eu respondi: “Nada demais, só aquelas cenas espetaculares que ele mesmo (o diretor) fez em ‘Independence Day’ e em ‘O Dia Depois de Amanhã’, com um mínimo de inteligência no roteiro para que eu não seja chamado de burro.”

E é aí que a porca torce o rabo: perto de “2012”, “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã” são verdadeiras obras-primas, como “Cidadão Kane” ou “Casablanca”. Uma coisa é fazer um filme catástrofe sem cabeça, caprichando nos efeitos, com cenas de tirar o fôlego e deixar de boca aberta. Outra é fazer um filme sem cabeça, tronco e membros e que abusa – como poucas vezes vi no cinema – do direito de deixar o espectador ter a certeza do que vai acontecer na cena seguinte ou na sequência de uma mesma cena. Irritante! Não há efeito especial que dê jeito nisso.

Numa escala de 1 a 10, daria nota 2: 1 pelos efeitos e 1 pela presença de atores como John Cusack e Oliver Platt no elenco. Mas que diabos fazem atores como John Cusack e Oliver Platt em uma catástrofe como “2012”?

E o pior é que a história em que se baseia o filme é bem interessante e permitiria um roteiro minimamente inteligente e com alguma veracidade. Mas o diretor parece ter optado por apenas divertir-se torrando 200 milhões de dólares em efeitos espetaculares, gastando de repente uns trocados do bolso em um roteiro absolutamente inverossímil, já que praticamente nada explica e tudo apenas acontece.

Mas deve ter dado certo, já que arrecadou mais que o triplo do que gastou. Só que tenho a certeza que o povo que ainda vai ver esse filme o faz bem acompanhado, no ar condicionado, comendo pipoca e tomando refrigerante. E eu aturei essa bomba sem ar, pipoca e companhia.

Pelo menos não levei ninguém para o mau caminho.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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1 comentário

Publicado por em 8 de fevereiro de 2010 em Cinema

 

Uma resposta para “CINEMA ► “2012” é o fim do mundo (ou como desperdicei duas horas e meia de minha vida sem fazer força)

  1. 18 de fevereiro de 2010 at 17:13

    Adorei a parte que você diz: 'pelo menos não levei ninguém para o mau caminho…'Realmente o roteiro de 2012 poderia ter sido bemmmm melhor!Conselho: não passe nem perto de Percy Jackson e o ladrão de raios -assassinato brutal de uma história da mitologia grega que poderia ter um roteiro brilhante!

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