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FUTEBOL ► Paradinha era o que Pelé fazia, o que fazem hoje é presepada mesmo

O clássico de domingo passado entre Santos x São Paulo abriu uma nova rodada de discussões sobre a chamada paradinha, artifício que alguns jogadores usam na hora de cobrar um pênalti. No tal jogo, Robinho marcou para o Santos assim, gerando críticas do goleiro são-paulino Rogério Ceni – ele que já converteu pênaltis cobrando da mesma forma. Poderíamos dizer que o esporte, como a vida, é assim: um dia da caça, outro do caçador…

Mas voltando à paradinha propriamente dita, paradinha era o que Pelé fazia. Corria para a bola, dava uma ligeira travada e trocava de pé ainda em movimento, ganhando tempo para perceber para que lado o goleiro cairia e deslocá-lo. Não era algo simples de fazer, era preciso técnica. Tanto que hoje praticamente ninguém cobra pênaltis assim. Não me recordo de nenhuma cobrança mais ou menos recente sendo feita dessa forma.

O que esses Robinhos, Freds e muitos outros jogadores fazem hoje não passa de uma presepada antiesportiva que fere totalmente o espírito de qualquer esporte, já que é apenas uma trapaça para ludibriar o adversário.

E vejam que é uma trapaça tão boba quanto infantil. Tanto não requer maiores fundamentos que qualquer criança faz a mesma coisa brincando de jogar bola, fingindo chutar e passando o pé por cima, não é mesmo? Não é preciso categoria alguma para isso. No caso das crianças, é uma infantilidade própria da idade e do prazer de brincar, algo que até os mais velhos fazem quando estão se divertindo com os filhos ou amigos. Mas no futebol dito profissional, é apenas malandragem no pior sentido – como se houvesse algum bom sentido em ser malandro.

Já no tempo do Rei, os árbitros questionavam a esportividade da sua paradinha. Acreditem: algumas vezes mandavam voltar a cobrança. O que dizer da palhaçada que é feita hoje, então? É algo que simplesmente tira a moral da partida, põe em xeque a credibilidade do próprio futebol: em vez de esporte associado (conforme definição da própria Fifa), passa a ser esporte de moleques. Como se já não bastassem coisas ainda piores que rondam esse esporte dentro e fora de campo…

A Fifa fala, fala, fala, chia, ameaça, esperneia, diz que não quer, não pode, não deve, é ilegal, é imoral e engorda… mas não proíbe oficialmente essa calhordice. Até lá, continuaremos a assistir no futebol profissional, que cobra cada vez mais caro por um ingresso, falsos malandros protagonizarem cenas que seriam melhor apreciadas, gratuitamente, em qualquer campo de pelada ou no quintal de nossas próprias casas, regadas a cerveja ou refrigerante.

Se é para bagunçar, melhor que seja assim logo…

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Categorias:Futebol
  1. 12 de fevereiro de 2010 às 1:58

    Sou contra as paradinhas do novo milênio. Um comentarista de um canal a cabo definiu de forma perfeita (pelo menos na minha opinião): não é paradinha; é enganadinha. Paradinha realmente era o que o Pelé (maior jogador de todos os tempos – tomara que algum argentino esteja lendo este comentário deste post) fazia. E, como o blogueiro disse, com maestria!

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