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FÓRMULA 1 ► De pilotos e heróis

Apenas esta semana tive a oportunidade de ler o ótimo post do meu grande amigo Márcio Arruda em seu blog “Cockpit”, do JB, sobre pesquisa realizada via internet por uma revista especializada em automobilismo que indicaria o melhor piloto da História.

Leia aqui: http://www.jblog.com.br/formula1.php?itemid=17902#nucleus_cf.

Como disse no comentário que deixei, assino embaixo, linha por linha.

Márcio foi muito feliz e extremamente fundamentado em seus argumentos. Felizmente, não é o tipo de jornalista que se deixa levar por um ufanismo barato. Apesar da pesquisa apontar o brasileiro Ayrton Senna em primeiro, ele questiona a relevância desse tipo de apuração, não só pelo meio, como pela dificuldade de se comparar talentos de épocas diferentes.

Vale destacar – e muito – a observação de que talento e capacidade não podem ser medidos em títulos e vitórias. E isso vale para todos os esportes. Se não, como explicar toda a fama e tradição de um Chicago Cubs, por exemplo, que há mais de 100 anos não vence a liga norte-americana de beisebol e nem por isso deixou de ser uma das equipes esportivas mais conhecidas no mundo todo?

Ler o post me fez pensar em quem eu acharia o “melhor piloto de Fórmula 1 da História”. A comparação é realmente difícil, mas sempre tenho a tendência de valorizar aqueles que corriam de mais com recursos de menos. A automação dos carros de corrida fazem parecer que qualquer um pode chegar a uma pista após treinar alguns anos em casa jogando PlayStation. Há botãozinho para tudo e até recursos que corrigem ou evitam erros de pilotagem.

Acho que a Fórmula 1 daria um grande passo qualitativo se, por exemplo, acabasse com o tal do câmbio automático e voltasse a fazer os pilotos trocarem as marchas no braço. Já viram aquela imagem de dentro do cockpit dos pilotos durante as corridas? Sinceramente, não parece nada diferente de uma criança brincando em casa. As mãos não saem do volante, só os dedinhos se mexem.

O fim do reabastecimento já ajuda bastante. Poucas coisas são tão idiotas numa competição de velocidade do que ultrapassagens feitas com o carro parado. Faz sentido? Tão emocionante…

Quanto ao melhor da História, se jogarmos os números num liquidificador e pusermos junto uma pitada de circunstâncias, recursos e condições de cada época, acho que o resultado final seria uma bela vitamina com gosto de Juan Manuel Fangio.

Dos que vi correr, não tenho sequer preferência quanto ao “melhor”. Os números de Schumacher são incontestáveis. Senna era incrivelmente competitivo. Prost fez não só os motores turbo andarem de verdade como uma abóbora da Ferrari virar carro de corrida. Mas nenhum deles tinha minha torcida particular, além do respeito e admiração que fãs de esportes nutrem por grandes competidores.

Comecei a acompanhar F1 com o genial Emerson Fittipaldi, o Moisés de nosso automobilismo, que poderia ter conquistado números muitos mais expressivos em sua carreira (já que para muitos números é o que importa) se não tivesse bancado uma espécie de São Francisco do esporte nacional, abdicando de possíveis e prováveis glórias para correr em busca do sonho de ter uma escuderia brasileira de ponta na categoria.

E como Emerson foi maltratado pela tradicionalmente leviana e sensacionalista imprensa brasileira! Exatamente como fazem hoje com o correto Rubens Barrichello, um “perdedor” que só aumenta sua pobre conta bancária ano após ano em alguns milhõezinhos de dólares, enquanto profissionais das teclas de 5ª categoria tratam com escárnio sua carreira.

Mas apesar de admirar o talento de muita gente, depois de Emerson apenas Keke Rosberg ganhou minha torcida incondicional, com pequena vantagem sobre Gilles Villeneuve. Keke, inclusive, que venceu um campeonato extremamente difícil, mesmo estando longe de ter o melhor carro. A velocidade de seu Williams, um belo carro, mas sem muita potência, o deixava normalmente atrás de Ferrari, McLaren e Renault. Mas o Finlandês Voador conseguiu “zebrar” uma competição marcada pelo equilíbrio e graves acidentes (como os das Ferrari de Didier Pironi e Villeneuve, este lamentavelmente fatal) e conquistar o troféu com apenas uma vitória. Para se ter uma ideia daquela Williams em relação a outros carros de ponta, as Renault de Alain Prost e René Arnoux conseguiram vencer, juntas, nada menos que 10 corridas, cinco cada um!

Rosberg e Villeneuve foram dois pilotos que se corressem hoje passariam mais tempo cumprindo penalidades nos boxes do que disputando posições, já que não havia limites na pista para eles. Pilotos com estilo de pilotagem que os faziam parecer super-heróis para seu fãs, mas que eram simples mortais – ou melhor, mortais, mas nada “simples”. Pilotos daquele tipo que não deixava uma corrida cair na mesmice. A mesmice que foi o principal problema da F1 na década passada.

Quem viu, viu, quem não viu… Keke e Gilles fazem muita falta às pistas de F1, mas o Youtube está aí para mostrar um pouco do que foram esses dois, como nos exemplos abaixo.

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