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VANCOUVER 2010 ► Superação: do que os verdadeiros atletas são feitos

O esporte tem lições de comprometimento que mereciam ser seguidas com mais frequencia em outros setores de nossas vidas. Recentemente, nas Olimpíadas de Vancouver, recebemos mais uma dessas lições.

Principal patinadora canadense, Joannie Rochette preparava-se para sua estreia na competição de patinação artística, a popular “dança no gelo”. Menos de dois dias antes, um domingo, foi surpreendida com o súbito falecimento de sua mãe, vítima de infarto.

Os pais da atleta viajavam de Montreal para Vancouver para acompanhar as provas, quando ocorreu a tragédia. Na Vila Olímpica, o próprio pai deu a notícia à filha.

Patinação artística é um desses esportes nos quais os atletas não conseguem treinar para competir em alto nível e se tornar profissionais sem a dedicada ajuda dos pais. É um esporte caro, que requer sacrifícios da família, com duros gastos com treinos, equipamentos e professores. E é muito comum o acompanhamento permanente dos pais durante a carreira dos filhos.

 
Logo, podemos imaginar o choque que Joannie recebeu. Deve ter ficado sem chão, para dizer-se o mínimo. Em um esporte que exige concentração total, a atleta encontrou forças para subir ao rinque na terça-feira seguinte para a série curta de dança e realizar uma belíssima e emocionante apresentação. Após seu último movimento, desabou em lágrimas. Seus pontos a levaram à terceira colocação. No final da semana, na série longa, confirmou o terceiro lugar e garantiu a medalha de bronze.
 
O desempenho de Joannie Rochette lembrou-me de Derek Fisher, jogador de basquete, armador do Los Angeles Lakers. No breve período em que esteve afastado dos Lakers, Fisher defendeu o Golden State Warriors e o Utah Jazz. Durante os playoffs da temporada 2006/2007, ele jogava pelo Jazz, que fazia a semifinal da Conferência Oeste contra os Warriors. Naquele momento, uma de suas filhas enfrentava um raro câncer nos olhos e faria uma delicada cirurgia em Nova York no dia da partida decisiva da série em Salt Lake City.
 
Fisher acompanhou a cirurgia da filha, felizmente bem sucedida, pegou um avião e partiu para Utah. Chegou ao ginásio no meio do terceiro quarto da partida. O Jazz enfrentava problemas na armação, com jogadores machucados ou pendurados em faltas. Fisher não teve dúvidas: como estava listado para o jogo, foi para o vestiário, vestiu o uniforme e se colocou à disposição para jogar. Ovacionado pela torcida e aplaudido até pelos adversários, Derek Fisher acabou decidindo o jogo na prorrogação, dando a vitória e a classificação às finais da Conferência Oeste ao Utah Jazz.
 
Joannie Rochette e Derek Fisher são dois de muitos exemplos de atletas que em quem todos devíamos nos espelhar. Atletas e homens que agem com coração, dedicação, personalidade, caráter.  São atitudes que nos deixam sem palavras e pensando que, sim, sempre podemos fazer mais um pouco.

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