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TECNOLOGIA ► Nem tudo é o que se parece: História x Contos da Carochinha

31 mar

A evolução tecnológica facilita muito a vida da humanidade, óbvio. Mas, usada com maldade e com interesses espúrios, pode até contar a História de uma forma que ela não aconteceu. Hoje todos até brincamos com os recursos exageradamente usados de programas de edição fotográfica como o Photoshop. Mas essa brincadeira de manipular imagens pode ser uma coisa muito séria. Na internet há muitas páginas interessantes, curiosas e divertidas a respeito. Esta postagem é só mais uma delas. Esse negócio de manipular imagens é algo muito antigo, talvez do tempo dos bisavôs de Bill Gates. Consta que um dos pioneiros teria sido Matthew Brady, fotógrafo da guerra civil americana, que em 1865 alterou essa foto de generais confederados aí embaixo. Parece que alguém se atrasou e e ele resolveu o problema mais tarde, na sala escura.

 
O primeiro grande boom de manipulação de imagens com fins políticos ocorreu na extinta União Soviética, após o rompimento entre o então líder Josef Stalin e seu camarada de revolução Leon Trotsky. Com o fim da camaradagem, Stalin ordenou o desaparecimento de Trotsky da História.Pode-se dizer que a situação chegou a um ponto em que se transformou em uma espécie de “Onde está Wally?” às avessas, tipo “Onde estava Trotsky?”, para historiadores em busca da verdade. A gente escreve brincando, mas o assunto é sério: apenas na era Gorbachev Trotsky voltaria de vez à história russa. Abaixo, dois exemplos da manipulação de que foi vítima o importante personagem da revolução soviética do início do século passado.

 

Se em priscas eras a manipulação fotográfica já era um recusrso maquiavelicamente utilizado, com a evolução tecnológica, então, não havia como o processo ser revertido. Ao longo daquele século, Hitler e Mao Tsé-Tung usaram e abusaram do recurso em seus governos totalitários.

 
O teste de lançamento de mísseis iranianos mais abaixo mostra que hoje a manipulação fotográfica passou a ser naturalmente usada, seja como recurso político, seja como recurso estético, daquele tipo que cansamos de ver no mundo do entretenimento, repleto de belas fotos de deusas que pareceriam até menos que simples mortais sem aquela ediçãozinha básica. No caso dos mísseis, um não foi lançado, o que poderia enfraquecer não apenas a mensagem política (a demonstração de força), como a simples composição da imagem. Por um motivo ou por outro, tudo foi resolvido com um clique aqui, outro ali.

 

Para não faltar um exemplo brazuca, um conhecido caso – bem, não tão conhecido se depender da chamada “grande mídia” nacional – de manipulação por parte da “Isto É”, que não gostou da inscrição de “Fora Serra” na placa durante manifestação do MST.

 
E claro que a evolução tecnológica não abalaria apenas a verdade iconográfica. Cada vez mais aparecem vídeos exibindo cenas que a vida não viu. Viajar no tempo passa a ser algo muito mais simples do que destrinchar a Teoria da Relatividade para encontrar fórmulas que, talvez, só Einstein mesmo seria capaz de aplicar. Por exemplo: todo mundo sabe que Elvis não morreu e os mais “recentes” trabalhos do Rei do Rock’n’nRoll mostram não apenas isso, como também que o talento e a criatividade dos artistas de edição parecem não ter limites.

Primeiro, uma olhada na participação de Martina McBride no lendário especial de TV de Elvis Presley no Natal de 1968.

 
Depois, Elvis dá uma canja no American Idol de 2007, ao lado de Celine Dion.

 
Claro que é muito legal e divertido ver essas imagens. Mas há um risco nisso tudo aí: do jeito que a coisa vai, daqui a algumas décadas será difícil distinguir a realidade do virtual e será preciso muita atenção para que não se aprenda nas escolas contos da Carochinha em vez de História.

*** *** ***

Licença Creative Commons Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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4 Comentários

Publicado por em 31 de março de 2010 em História, Tecnologia

 

4 Respostas para “TECNOLOGIA ► Nem tudo é o que se parece: História x Contos da Carochinha

  1. Ciço Pereira

    2 de abril de 2010 at 0:35

    Como já dizia Jean Baudrillard, "a realidade é apenas uma pálida cópia da ficção"…

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  2. Daniel

    2 de abril de 2010 at 13:20

    É impressionante a capacidade que podemos desenvolver né…. mas como colcoa o cronista, ficará a erterna missão de uma canalização para ações positivas e não ao contrário.Mas que é muito legal apreciar estes encontros históricos, ah isso é!

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  3. Fórmula Zuuum

    3 de abril de 2010 at 1:02

    Sensacional! Não conhecia a história da placa MST; tampouco que Elvis está vivo! Sem dúvida, daqui a alguns anos, não saberemos mais o que é realidade. Viveremos numa matrix?

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  4. Ranah Tesch

    6 de abril de 2010 at 17:43

    Adorei!!!É a sua cara.. :-)Claro que não podia faltar o Elvis!!!!:D

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