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COPA DO MUNDO 2010 ► Favorita Espanha perde para o ferrolho suíço na primeira zebra do Mundial

16 jun

Finalmente um jogo de Copa do Mundo. Fora a emoção da estreia dos anfitriões, nada havia ocorrido nesse sentido até aqui. Mas Espanha e Suíça fizeram um grande duelo ataque x defesa em Durban – e deu zebra (afinal, estamos na África – não resisti): Espanha 0 x 1 Suíça.

Foi uma zebra, porém, com alguns detalhes nem tão “zebrados” assim. Apesar de todo o favoritismo, a Espanha não tinha desde o início o craque Fernando Torres em campo. Recém-operado, o atacante fora de forma ficou no banco, deixando o time sem sua maior e melhor referência ofensiva para o punhado de jogadas que cria durante uma partida. Iniesta, outra peça mestra, também voltava de contundido e não estava com total ritmo de jogo, apesar de eu ter achado que jogou muito bem, bastante lúcido e talentoso em suas ações. Depois, era o último jogo da primeira rodada. Quando uma primeira rodada inteira de Copa do Mundo é jogada sem uma boa zebra? Fora a triste sina espanhola de transformar o “agora vai” em “de novo, não” em campeonatos mundiais.

Do outro lado, a Suíça descaradamente montada em cima da melhor tradição do… ferrolho suíço. A quase sexagenária estratégia para brecar ataques demolidores foi executada com grande perfeição em sua versão. 2.0.10. Há uma nova geração de jogadores suíços com atacantes bastante habilidosos crescendo, vencedores de categorias de base e tudo, alguns deles até compondo o elenco na África do Sul. Mas, por ora, a boa e velha tática defensiva faz a equipe manter seu gol invicto há cinco jogos de Copa do Mundo: quatro na Alemanha (quando só foi eliminada pela Ucrânia nos pênaltis) e mais um agora.

E assim foi o jogo; Espanha atacando, Suíça defendendo, sem qualquer escrúpulo. A Espanha começou – e terminou – com imensa posse de bola, muitos toques, movimentação, mas sem muito espaço para finalizar. David Villa não conseguia ser referência na área e o time não criava à altura de seu domínio. Em minha opinião, inclusive, mesmo com Fernando Torres, o grande pecado do time treinado por Vicente del Bosque é a falta de um centroavante de verdade. Um Zamorano cairia muito bem. Ainda assim Piqué perdeu um gol feito após grande passe de Iniesta aos 23’. Só aso 25’ a Suíça deu seu primeiro (e único na primeira etapa) chute a gol, em cobrança de falta de Ziegler. E aos 44’ Villa desperdiçou a melhor chance, tentando encobrir o goleiro Benaglio após driblar um zagueiro.

O segundo tempo começou com total pressão espanhola, que desperdiçava chances na mesma proporção em que às criava. Parecia até que o ferrolho cedia espaços, até que um tiro de meta, Derdiyok dividiu com Casillas e a bola espirrou para Gelson Fernandes empurrar para a rede. A o jogo cresceu.

Partindo com tudo, a Espanha cedeu espaço para contra-ataques suíços, com os atacantes Fernandes e Derdiyok recebendo finalmente bolas e companhia (principalmente Barnetta) que os faziam ameaçar a meta espanhola. Sem conseguir impor velocidade sobre a pesada zaga – toda a equipe – adversária, o técnico espanhol colocou Fernando Torres e Navas em campo. Logo depois, Iniesta não aguentou e saiu, para a entrada do garoto Pedro.

Com Navas jogando como verdadeiro ponta na direita, Iniesta (e depois Pedro) na esquerda, Torres e Villa no meio, a Espanha foi com tudo e perdeu um caminhão de gols. Para se ter uma ideia, no momento do gol suíço, a Espanha já havia finalizado 21 vezes, contra apenas duas finalizações da Suíça, segundo os créditos da geração de imagens. Aos 24’ Xavi Alonso mandou um petardo no travessão. Aos 29’, Derdiyok ia fazendo um gol de placa, mas a trave esquerda de Casillas salvou o gol espanhol.

Daí até o fim, foi assim. A Espanha atacava, atacava, atacava e a Suíça de vez em quando ia lá e estourava quase na cara do gol. Até o apito final da boa arbitragem do inglês Howard Webb.

Apesar de cansar no fim, gostei muito de Iniesta, sempre lúcido e perigoso. Navas entrou muito bem pela ponta e despejou um punhado de bolas de tudo que foi jeito na área: altas, baixas, primeiro pau, segundo pau, rolada para trás… Na Suíça, difícil destacar alguém em um time tão compacto. Parece que todos formam um só bloco. Mas a jogada que Derdiyok fez… Vale lembrar ainda a precisão dos zagueiros, que não erraram, o que é fundamental para quem se propõe a defender assim, e a segurança de Benaglio no gol.

Por mais paradoxal que possa parecer, não acho que a Espanha deva desesperar-se. Seu próprio treinador aparentava serenidade após a partida. E por que digo isso? Por que a Espanha fez seu jogo. Dominou a bola, atacou, criou muito, finalizou bastante… Até demais contra uma equipe especialista em defender, mas hoje não deu. Difícil imaginar que as defesas de Chile e Honduras consigam resistir ao futebol espanhol. Salvo alguma pane emocional, aposto na vitória da Fúria nas duas próximas rodadas. Nesse ponto, há muita seleção de grife que empatou ou até venceu na estreia que deverá encontrar maiores problemas pela frente.

Quanto à Suíça, parabéns. Entrou para se defender e se defendeu bem. Quando teve chance, matou o jogo. Cumpriu o planejado. Foi competente, venceu com justiça.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 16: Espanha 0 x 1 Suíça.

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Publicado por em 16 de junho de 2010 em Copa do Mundo 2010, Futebol

 

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