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COPA DO MUNDO 2010 ► Deu urso polar na África: Nova Zelândia consegue empate histórico contra a Itália

O bonito Mbombela Stadium tem as cadeiras zebradas, pintadas em preto e branco. Se a Copa não fosse na África, como escrevi uma vez, teria sido uma zebra. Mas em terras africanas, o resultado de 1 x 1 entre Nova Zelândia e Itália foi um imenso urso polar.

Poderia no título do post ter destacado o vexame histórico italiano – e foi dos maiores. Mas preferi valorizar primeiro o feito neozelandês.

Após o empate com da Nova Zelândia com a Eslováquia, andei visitando os sites de alguns jornais neozelandeses. E a repercussão foi fenomenal. Na terra dos All Blacks, a seleção de rúgbi mais tradicional e vencedora do mundo (tipo o Brasil no futebol ou os EUA no basquete), os All Whites (referência ao uniforme todo branco do time de futebol) roubaram as manchetes. Enquetes apontaram o resultado como um dos maiores feitos do esporte nacional, quase rivalizando com as conquistas dos All Blacks. O que dizer agora com o empate contra a tradicionalíssima Esquadra Azurra? Imagino que será um amanhecer (é, porque esse jogo foi realizado durante a madrugada pelo fuso horário de lá) de muita festa e orgulho nacional por mais esse feito de sua praticamente amadora seleção de futebol: All Whites 1 x 1 Itália. E só não venceu porque a Itália ganhou um pênalti daqueles…

Mas antes, quem não viu talvez precise beliscar-se para acreditar que ainda não está dormindo. Como sugere o início da matéria do New Zeland Herald, de Auckland: “All Whites 1 x 1 Itália . Dê uma olhada na tabela. Olhe de novo. Em segundo lugar, empatada com a Itália, está a Nova Zelândia.” O jornal faz questão de salientar a diferença entre o futebol dos dois países: enquanto a Itália tem 3.541 jogadores profissionais de futebol, a Nova Zelândia tem… 25! E o segundo parágrafo termina assim: Um país que disputara apenas quatro partidas de Copa do Mundo antes desta manhã empatou com um que tem quatro títulos mundiais. Loucura.” Mas loucos mesmo devem esstar os italianos…

O jogo é um daqueles cuja repercussão é com certeza maior que o que aconteceu em campo. E tudo começou com uma falta na esquerda da intermediária ofensiva neozelandesa. Todos sabem que a única jogada de perigo do time da Oceania é a bola alta para seus fortes e altos jogadores tentarem o cabeceio. E lá foi a bola para o meio da área, Cannavaro falhou e o centroavante Smeltz empurrou para o gol. Houve quem dissesse que foi irregular, que o enésimo replay da milionésima câmera mostra que a bola resvalou em um jogador de branco antes de chegar em Smeltz, que assim estaria impedido. Por essas e outras que o genial Nelson Rodrigues dizia que o videotape era burro…

Eu poderia continuar assim: “Passado o choque, a Itália colocou a bola no chão e fez valer a imensa superioridade de seu futebol.” Mas só em outra dimensão. O time de Marcello Lippi é muito enrolado. Mal convocado, mal escalado, joga mal, lógico.

Nervosos, os italianos eram incapazes de trocar passes e começaram a jogar bola na área adversária de tudo que era jeito. O que não fazia muito sentido contra um time que só tem de bom mesmo o jogo aéreo. Então, nada acontecia. Era uma pressão infrutífera.

Só aos 21’ a Itália ameaçou de verdade pela primeira vez, com um chute de Zambrotta de longe que quase acerta o ângulo direito do goleiro Paston. O veterano lateral que, por sinal, era o único a tentar colocar a bola no chão e ao menos chegar ao fundo antes de cruzar.

Aos 26’, o presente do péssimo juiz guatemalteco Carlos Batres. Eu avisei no post sobre o Eslovênia 1 x 0 Argélia. O jeitinho dele apitar não me enganava. E não deu outra: após lançamento na área, De Rossi se atira após ter a camisa puxada pelo zagueiro Smith. Foi um desses puxões de camisa que acontece às dezenas e que em anda desequilibrou o italiano, que mergulhou depois. Iaquinta, que jogava mal como quase todo mundo, mas ao menos se apresentava para as jogadas, pegou a bola e cobrou bem, no canto esquerdo do goleiro, que caiu no lado oposto.

Para quem imaginava coisas tipo “agora vai”, nada foi. Só aos 45’ a Itália voltaria a ameaçar, quando De Rossi chutou à meia altura de longe e a bola jabulaniou até encontrar a trave direita de Paston, que só fez golpe de vista.

Logo no primeiro minuto da segunda etapa, Di Natale, que entrara no intervalo, batera sem ângulo para defesa de Paston. A Itália voltou aparentando mais tranquilidade, tentando tocar com mais calma para chegar ao gol adversário. Não fossem as vuvuzelas, creio que seria possível escutar os gritos vindos do banco: “Calma! Calma! Calma!”.

A entrada de Camoranesi ajudava, pois é um jogador que visivelmente tenta pensar e jogar com a bola nos pés, e não voando de um lado para o outro. Mas, de efetivo, não acontecia muita coisa. Só aos 15’ uma enfiada para Iaquinta na área, mas o atacante se desequilibrou após girar sobre o zagueiro e chutou mal.

A essa altura, a Nova Zelândia, que não conseguia que o juiz marcasse faltas a seu favor para jogar bolas na área, procurava ameaçar nas cobranças de laterais. No rebote de uma dessas cobranças, aos 18’, Vicelich quase ampliou, acertando um balaço quase no ângulo superior direito de Marchetti.

Aos 25’, a paciência italiana já diminuía bastante, Montolivo acertou uma bomba de fora da área para excelente defesa de Paston com a palma da mão. Aos 27’, o capitão neozelandês Nelsen cortou na hora certa, na pequena área, cruzamento perigoso vindo da ponta esquerda.

Sem nenhuma criatividade, era hora da Itália de partir para o tudo ou nada. Aos 32’, Smith tirou do pé de Iaquinta após grande passe de Camoranesi, jogando para escanteio. Na cobrança, foi a vez de salvar após cabeçada que tinha endereço certo.

No estádio, com vuvuzelas e tudo, aposto que agora já se podia escutar o banco de reservas italiano gritando a plenos pulmões: “Desespero” Desespero” Desespero!”

E os espero quase aumentou aos 37’, quando Wood driblou o outrora grande Zagueiro Cannavaro e bateu cruzado da esquerda, com a bola passando raspando a trava direita de Marchetti. Na base daquele tal desespero, Camoranesi bateu forte de fora da área para difícil defesa de Paston e aos 45’ Nelsen salvou o gol após grande infiltração de Zambrotta pela direita. Ficou nisso.

Esse tipo de jogo que faz um fã de futebol aguentar certas peladas mundiais, pois, nível técnico à parte, a dramaticidade e a possibilidade de um resultado histórico acabam fazendo valer a pena não sair da frente da TV.

Na heroica resistência neozelandesa, todos se empenharam com ardor. Mas não como não destacar o goleiro Paston e a zaga formada pelo veterano Nelsen e seu companheiro Smith, além dos laterais Reid e Vicelich. Todos devem sair com muita dor de cabeça de tanta bola que rebateram pelo alto.

Na Itália, o veterano Zambrotta fez o que as pernas permitiram, quase empatando no fim. E a presença de Camoranesi no banco durante o primeiro tempo inteiro mostra que o senhor Marcelo Lippi tem uma visão de futebol um pouco diferente da minha e, creio, de grande parte do resto do mundo.

Segue o link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 28: Itália 1 x 1 Nova Zelândia.

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