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NBA ► Em partida dramática, Los Angeles Lakers vira para cima do Boston Celtics e é bicampeão da NBA

Boston Celtics 79 x 83 Los Angeles Lakers
Final
(3 x 4)

Restando 25 segundos para o fim do jogo, o Los Angeles está batendo o Boston Celtics por 79 x 76. Kobe Bryant erra mais um de seus tiros de 3 da noite. Pau Gasol pega mais um rebote e devolve a bola a Kobe. Kobe parte para o garrafão do Celtics e é bloqueado com falta por Rasheed Wallace. Dois lances livres. Naquele breve tempo antes das cobranças, as câmeras captam Kobe Bryant. Ele está completamente exausto, tentando desesperadamente recuperar o fôlego. Acompanho Kobe desde que iniciou a carreira e já lá se vão 13 temporadas. Jamais o vi assim. Foi o melhor retrato da sensacional partida que deu ao Lakers o bicampeonato. A propósito, Kobe converteu os dois cruciais arremessos.

Foi sensacional. E alguém poderá dizer, não sem certa razão: “Mas como assim? Um time acerta só 40% dos chutes, o vencedor só 32%, o placar é dos mais baixos da história das finais e você ainda diz que foi sensacional?” Foi, foi sensacional. Foi uma partida em que cada ponto, cada bloqueio, cada rebote, cada roubada, tudo era comemorado como se fosse a bola do jogo. Até a normalmente mais fria torcida do Lakers transformou o Staples Center em uma versão amarela do Boston Garden. Foi um apartida jogada em um nível de competitividade, de esforço físico e de tensão que não me lembro de ter visto desde aqueles filmes clássicos da sobre as finais dos anos 1980 entre… Lakers e Celtics. Não à toa, foi a maior audiência da NBA desde a final de 1998 entre Chicago Bulls e Utah Jazz, que deu o último título a Michael Jordan. Foi uma grande marca, considerando que hoje há diversos meios de assistir a um evento desses sem ligar a TV, através da internet.

Do jogo, em si, vou tentar ser sucinto. Desconsiderando o jogo 6, como diz o clichê, um ponto fora da curva, a série inteira foi jogada ao estilo Celtics de ser: muito contato, muita defesa, muita entrega, pontos arrancados a fórceps, muito coração mesmo. Para este jogo 7, o ideal californiano seria levar a partida ao seu estilo. Ou seja, mais aberta, com as bolas caindo e os times pontuando alto. Porque nesse cenário o Celtics não teria como acompanhar o Lakers. Para o Celtics, o cenário ideal era o oposto, do modo como a série vinha sendo jogada.

E desde o início, ali na metade do primeiro quarto, quando os times estavam enroscados num modesto 10 x 9 (a favor do Lakers), deu para perceber que o campeonato seria decidido no jeito Celtics de ser.

E no jeito Celtics de ser, o Celtics levava vantagem, num jogo de muitos erros nos arremessos, algo também comum nessas finais. E lá pelos 8 minutos do terceiro período os verdes abriam 13 pontos de vantagem, uma vantagem quase impossível de tirar contra qualquer Celtics numa decisão e em especial quando os pontos são chorados, conquistados um a um com tanto sacrifício.

E ninguém acertava muito em quadra. No Lakers, Kobe e Gasol fracassavam nos chutes, acompanhados por Paul Pierce e Ray Allen do outro lado. A rigor, apenas Kevin Garnett e Derek Fisher tinham bom aproveitamento. Todos compensavam, porém com total empenho na disputa de literalmente todas as bolas.

Mas o Lakers deu um jeito e começou o último quarto apenas quatro pontos atrás, diferença que caiu logo no primeiro ataque desse tempo final. Dominando os rebotes (em toa a série vencia quem pegava mais rebotes) e com total dedicação à defesa, a 7’29” do fim, finalmente o Lakers conseguia alcançar o Celtics, empatando no baixíssimo placar de 61 x 61. A 5’56” os campeões conseguiram passar a frente (com dois lances livres de Kobe (66 x 64) e, apesar de toda a garra, a briga e a determinação do Celtics, segurou a unhas e dentes a vantagem alcançada e venceu por 83 x 79. E conseguiu se segurar porque para cada dose de garra verde, havia a correspondência amarela, para cada gota de suor em uma metade da quadra, quantidade igual era derramada na outra. E por aí foi. Até o fim.

Foi justíssimo o campeonato do Lakers, como também teria sido se o Celtics vencesse. Como foi postado no Bola Presa (link aí ao lado), Kobe, Gasol, Fisher, Andrew Bynum, Lamar Odom,Ron Artest, Garnett, Allen, Pierce, Rajon Rondo, Kendrick Perkins… Todos mereciam o anel. Não dava para imaginá-los como derrotados. Quem ama basquete – e basquete competitivo, jogado com alma – dividiria o título entre as duas maiores franquias da NBA se pudesse. Mas só poderia haver um campeão.

O Boston Celtics mostrou mais uma vez porque é o time mais difícil de ser batido numa série decisiva. Entrou sem alarde nos playoffs, atropelou o Miami Heat de Dwyane Wade e surpreendeu os favoritos Cleveland Cavaliers e Orlando Magic em seis grandes jogos. Contra o Lakers, nunca havia perdido um jogo 7. Desta vez não deu. Pena que talvez este time de Kevin Garnett, Paul Pierce, Ray Allen e Rajon Rondo não deverá voltar igual a uma série de playoffs. Garnett, Allen e Pierce já estarão na próxima temporada na casa dos 35. Rondo com certeza voltará e um novo Celtics deve ser construído em torno dele.

Alguns números verdes de ontem:

Kevin Garnett – 17 pontos, 3 rebotes, 2 assistências, 4 tocos. Foi o jogador de melhor aproveitamento, acertando 8/13.
Paul Pierce – 18 pontos, 10 rebotes. Foi um dos que fracassaram chutando (apenas 5/15), mas, como todos, jamais desistiu de lutar.
Rasheed Wallace -11 pontos, 8 rebotes. Substituiu bem, na medida do possível, o contundido pivô Kendrick Perkins, mas não pôde evitar que Gasol e Bryant dominassem os rebotes. O Celtics sentiu na pele a falta de seu homem grande no garrafão, da mesma forma que o Lakers sofria com o joelho de Bynum.
Ray Allen – 13 pontos. Acertou apenas 3/14. Apesar do esforço, principalmente na marcação a Kobe, não foi bem na série contra o Lakers. Seus pontos fizeram falta.
Rajon Rondo – 14 pontos, 8 rebotes, 10 assistências. Ótima partida, especialmente se considerarmos a dificuldade de pontuar e assistir. Sozinho fez quase o mesmo número de assistências que todo o time adversário. Acertou uma incrível bola de três que reduziu para dois pontos a desvantagem no placar a 13 segundos do fim. Fez uma grande pós-temporada e só precisa ajustar seu arremesso de fora.
Glen Davis – 6 pontos, 9 rebotes. O gordinho ala de força reserva foi a única contribuição significativa saída do banco e fez uma bela série. Aliás, jogou com muita garra e contribuiu bastante em todos os playoffs.

O Lakers tornou-se o campeão a vencer o jogo decisivo com menor aproveitamento nos arremessos, apenas 32,5%. E como venceu? Defendendo, marcando, roubando bola, pegando rebotes. Muitos rebotes, que proporcionaram uma série de segundas bolas e de lances livres que o mantiveram na partida. Foi o Lakers mais Celtics, creio, jamais visto na NBA. E vencer o Celtics assim, no estilo de jogo tradicionalmente dominado pelo rival, não deve ter preço para o torcedor do Los Angeles.

Alguns Lakers na partida final:

Ron Artest– 20 pontos, 5 rebotes, 5 bolas roubadas. O homem que um dia se ofereceu a Kobe para ajudá-lo a ser campeão mostrou a que veio. A bola de 3 que acertou faltando um minuto foi qualquer coisa – com direito a beijinhos para a torcida e tudo. A entrevista de pós-jogo dele foi simplesmente surreal.
Pau Gasol – 19 pontos, 18 rebotes, 4 assistências. Fez a partida de sua vida. Mas só acertando 6/16? É. Jogando fora de sua zona de conforto, Gasol finalmente calou de vez as críticas sobre sua atuação nas finais de 2008. Contra o mesmo Celtics, teve uma atuação puramente física, dominou o garrafão (aproveitando bem a ausência de Perkins) e pegou aquele decisivo rebote que resultou nos lances livres de Kobe que mencionei lá em cima.
Andrew Bynum – 2 pontos, 6 rebotes. Outro herói escondido pelos números. A dedicação do pivô, com um joelho que, segundo os médicos, só permitiria, no máximo, 10 minutos diretos em quadra, com certeza contagiou os companheiros.
Kobe Bryant – 23 pontos, 15 rebotes, 2 assistências. Os números foram bons, mas Kobe foi muito mal nos arremessos, acertando apenas 6/24. Como disse depois do jogo, sentia-se exausto e estava com tanta vontade que várias vezes perdeu o foco da partida, errando justamente em uma de suas maiores qualidades, especialmente em momentos cruciais: o timing, apressando jogadas, infiltrando fora do tempo e chutando mal. E, ainda em suas palavras, quanto mais tentava, mais errava. Para compensar, dedicou-se como um leão na defesa e bateu seu recorde de rebotes em partidas de playoffs. E foi justamente eleito MVP das finais, porque depois de todo o sacrifício numa temporada que jogou sem costas, joelho e sem dois dedos (às vezes com tudo ao mesmo tempo), era hora de receber a ajuda de seus companheiros.
Derek Fisher – 10 pontos, 2 assistências. O cara certo das horas incertas fez ótimo trabalho na marcação e acertou aquele bola de 3 que deu o empate ao Lakers na metade do último período. Foi mais um anel que o veterano armador conquistou com seu companheiro desde o início da NBA, Kobe Bryant.
Lamar Odom – 7 pontos, 7 rebotes. Se não apareceu em números, sua atuação foi importantíssima no verdadeiro fio desencapado que foi a briga dentro do garrafão, assim como em toda a campanha do bicampeonato.
Sasha Vujacic – 2 pontos, 1 rebotes. Dois lances livres convertidos faltando 13 segundos para zerar o cronômetro que fizeram valer cada centavo do seu contrato de 5 milhões de dólares.

Enfim, o que importa para quem é fã de basquete, como o blogueiro aqui, é que, parafraseando (adoro esse verso) Nelson Rodrigues, Lakers e Celtics protagonizaram uma daquelas séries decididas em um jogo 7 que daqui a 200 anos o país e toda a cidade dirá mordida de nostalgia: “Ah, aquele Celtics x Lakers…”

Kobe

Kobe merece um parágrafo à parte – ou dois. No blog do Lakers no site da ESPN, assinado por Brian Kamenetzky, há uma interessante consideração que tem a ver com aquela imagem que me impressionou de Kobe antes de acertar aqueles importantes lances livres. Segundo o autor, pela primeira vez em toda a carreira, a atuação de Kobe revelou seu lado humano. Nesse jogo 7, um mortal vestia a camisa 24 do Lakers, sendo visível sua exaustão e seu esforço para superar uma noite ruim. Não era aquele ser frio e preciso que põe a bola embaixo do braço e decide jogos batendo o cronômetro com a mesma tranquilidade com que eu faria uma bandeja brincando sozinho numa quadra. Na noite de seu quinto anel, Kobe teria sido apenas mais um jogador, guerreiro, lutando para colaborar de alguma forma com seu time. E o fez defendendo. De acordo com Kamenetzky, Kobe foi humano como nunca e essa humanidade poderia aproximar as pessoas do astro como nunca antes.

Outro assunto que dominou o dia seguinte é o posto de Kobe no hall dos maiores Lakers de todos os tempos. Para muitos, o posto número 1 já e dele. Com o aval de Magic Johnson. Em seu artigo, também no site da NBA, Chris Broussard faz interessantes considerações a respeito. Basicamente, ele diz que Kobe tem alguns méritos superiores ao de Magic, de quem o jornalista se diz fã de carteirinha. Um deles, de que Kobe jamais teve o elenco que Magic tinha ao seu lado. Outro, de ser um formidável defensor, o que faria dele um jogador mais completo que Magic Johnson, mesmo este sendo provavelmente o único na história da NBA a jogar em qualquer posição em alto nível. Mencionando Michael Jordan, ele acha que MJ vem ainda na frente de todos, mas que Kobe também levaria vantagem em dois aspectos: não teve ao lado um Hall da Fama como Scottie Pippen e o Celtics que derrotou nestas finais é melhor que qualquer adversário superado por Jordan e o Bulls em seus seis títulos.

Fechando, o minimovie do jogo 7 produzido pela NBA:

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Categorias:NBA
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