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COPA DO MUNDO 2010 ► Holanda vira e elimina Brasil do Mundial

Venceu o melhor time. Acho relativamente fácil medir esse tipo de comparação quando parece consenso geral que o Brasil produziu no primeiro tempo sua melhor atuação na Copa, enquanto, do outro lado, a Holanda realizou provavelmente sua partida mais discreta, cometendo erros de passes que normalmente não comete. Ou seja: a Holanda não precisou jogar o seu melhor futebol – longe disso – para eliminar uma seleção brasileira que mostrou seu máximo durante 45 minutos.

E acho triste ver que ainda há comentaristas que dizem coisas como “o Brasil perdeu para si mesmo porque é melhor…” ou que “o Brasil é melhor, a seleção da Holanda é apenas ok…” Sei lá… Ou andei assistindo a uma outra Copa do Mundo ou minha concepção de futebol é bem diferente de quem o vê desse jeito.

Hoje o lindo estádio de Porto Elizabete viu o Brasil realizar um grande primeiro tempo, dentro de suas possibilidades e do tipo de futebol que propõe seu treinador. O meio campo marcava bem e tirava espaços para o toque de bola holandês. De quebra, encontrava brechas para ameaçar a meta defendida por Stekelenburg. Sneidjer não se achava, Robben era bem e multiplamente marcado na ponta direita e Kuyt era pouco acionado na esquerda. Vale lembrar que, antes da volta de Robben, Kuyt vinha saindo-se muito bem pelo lado direito.

Os volantes brasileiros movimentavam-se bem, a zaga estava segura, especialmente Juan, e Maicon conseguia chegar à frente com certa liberdade, inclusive quase marcando aos 45′. Muito ajudou o gol marcado por Robinho logo aos 10′, emendando de primeira um tão espetacular quanto improvável lançamento de Felipe Melo pelo meio da zaga. Fosse um time mais capacitado no ataque e poderia ter decidido o jogo nessa etapa inicial, mas o Brasil é um time de reação e não de ação. Ele depende do adversário se oferecer e oferecer espaços. E mesmo em desvantagem e atuando mal, a Holanda em momento algum perdeu o equilíbrio emocional ou aventurou-se afobadamente ao ataque.

E o ataque foi o que nos faltou para matar a Holanda no primeiro tempo. Kaká jamais apareceu na armação, Luís Fabiano fez uma partida bem fraquinha e Robinho fez um gol e uma grande jogada, que, se fosse aproveitada, talvez justificasse sua atuação. Mas não foi e mais nada Robinho fez. A grande jogada, o lance que poderia ter decidido a classificação, foi uma descida de Robinho pela esquerda, driblando dois defensores e passando a Luís Fabiano, que deixou de calcanhar para Kaká, que tentou achar o ângulo superior direito de Stekelenburg, que foi lá buscar.

Mas mesmo nesse bom primeiro tempo, desde o início o Brasil mostrou uma faceta que poderia lhe custar muito caro. Na verdade, desde o início da Copa do Mundo. Bastou o japonês Yuichi Nishimura fazer a bola rolar e os jogadores brasileiros começaram a mostrar um descontrole emocional totalmente fora de propósito, xingando, batendo, peitando… E o Brasil vencendo. O Brasil vencendo e o técnico Dunga praguejando, gesticulando, tresloucadamente, batendo na proteção do banco de reservas. A tal ponto que o quarto árbitro precisou intervir e pedir ao treinador que se controlasse. Enquanto isso, do outro lado, as câmeras flagravam o treinador holandês Bert van Marwijk placidamente sentado, pernas cruzadas, conversando com seu auxiliar, acompanhando seu time ser derrotado naquele momento.

No segundo tempo, sabe-se lá por que cargas d’água, o Brasil voltou mais tenso ainda e com sua marcação recuada. A Holanda seguia tentando impor seu jogo de toque e movimentação e começava a aumentar sua posse de bola. Pressionava fisicamente, se aproximava e cercava a área brasileira, mas pecava muito no penúltimo toque, aquele que cria a real situação de gol. Aí ficou claro que a Holanda não estava em seus melhores dias. Mas estava equilibrada, não perdeu seu padrão tático e insistia no que apostava. Robben aos poucos dominava mais o setor direito do ataque. Mesmo sem ser brilhante, jogava com muita inteligência. No primeiro tempo, mesmo errando bastante, amarelou Michel Bastos pela reincidência de faltas. Acabou provocando a entrada de Gilberto e continuou forçando ali, nas ultrapassagens com Sneijder. Sneijder, por sua vez, já encontrava espaços para se movimentar e administrar o toque de bola holandês, porque a marcação brasileira simplesmente desencaixou e passou a deixar os meias adversários respirarem.

Sem ameaçar mais, o Brasil começou a ver a Holanda jogar. Uma hora o leite ferve. Um escanteio cobrado curto de Robben para Sneijder foi jogado na área e Júlio Cesar saiu mal, encontrando Felipe Melo e deixando a bola passar. 1 x 1.

Na teoria, tudo bem. Basta recomeçar e ir à luta. Mas o destempero brasileiro exacerbou-se a tal ponto após esse gol que o time simplesmente parou em campo. De vez. O jogo estava nos pés da Holanda, que, mesmo errando aquele tal penúltimo passe, mantinha absoluto controle emocional e maior posse de bola. Logo, num escanteio bobamente cedido por Juan (num lance que pegara a defesa bem desarrumada, certo, mas poderia ser evitado), a Holanda chegou ao gol que seria o da vitória. Robben cobrou quase a meia altura no primeiro pau, Kuyt desviou e o baixinho Sneijder escorou de cabeça. 2 x 1. Uma jogada pra lá de manjada.

Eu já registrara aqui que essa seleção brasileira era consistente e competitiva dentro do esquema traçado pelo treinador. Mas que não havia um plano B. O que fazer na hora de atacar, de precisar correr atrás de um empate? Por isso não surpreendeu o eclipse parcial depois do empate e o eclipse total após o segundo gol. E o desequilíbrio foi retratado na previsível agressão de Felipe Melo a Sneijder, um pisão covarde que ele diz que precisa ver na TV porque acha que o juiz foi muito rigoroso…

Bem, a partir do momento que conseguiu a vantagem, a Holanda fez o que sabe fazer de melhor: tocou a bola, tocou a bola, tocou a bola, tocou a bola… E se estivesse feliz, acertaria um dos meia-dúzia de ótimos contra-ataques que teve para vencer com mais folga.

O melhor do Brasil, para mim, foi Maicon. Conseguiu apoiar bem e por seu lado o bom Kuyt não teve facilidade. Não pôde deixar de cair no segundo tempo, já que o time simplesmente travou. Juan foi outro bom nome. Cedeu um escanteio bobo, mas cá entre nós: mais bobo foi a defesa inteira deixar Sneijder marcar de cabeça com aquela altura toda. Lúcio o acompanhou bem. Júlio Cesar falhou no primeiro gol, que acabou sendo decisivo. Felipe Melo? Surpreendeu com aquele lançamento à altura de um Gerson, um Rivelino ou qualquer outro Gênio lançador da história do nosso futebol. O resto? Ah, o resto foi o esperado, previsível, especialmente a expulsão que vai entrar para nossos anais de Mundiais como “aquela que todo mundo sabia que ia acontecer”. Robinho foi lamentável, destemperado desde o início e omisso durante o segundo tempo. Luís Fabiano foi visto apenas naquele toque de calcanhar, mas não o tiraria. Melhor teria sido sair Kaká, o pior de todos, não armando uma jogada sequer, fugindo de suas responsabilidades de grande nome da equipe. Ah, o quê? Estava machucado, jogando fora de suas condições? Nãããããooo!!! Ele jurou por Jesus e sua religião que o jornalista Juca Kfouri o perseguia por motivos religiosos e, ateu como é, inventara que sua contusão na região pubiana o impedia de jogar sem dor. Mas, espere aí… O que a gente ouve agora após o jogo? O Kaká dizendo que não tinha condições ideais? Mas então o bom garoto é mentiroso? Esse é o retrato dessa seleção brasileira, uma mentira.

Na Holanda, Robben foi genial sem ser genial. Quero dizer, Robben não estava em seus melhores dias tecnicamente, mas jogou com muita inteligência. Sneijder é um meia que o futebol brasileiro hoje não tem e marcou dois gols que entram para a história do futebol de seu país. Stekelenburg foi seguro quando exigido, especialmente no primeiro tempo. O time merece realmente os parabéns por jamais se desesperar nem com a desvantagem nem com o mau futebol nos primeiros 45 minutos. Acho que deve ser mérito do treinador, que se mostrou tranquilo o tempo inteiro. E costuma-se dizer que os jogadores são espelhos de seu treinador. Sendo assim, muito do que aconteceu nesta partida fica explicada…

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 57: Holanda 2 x 1 Brasil.

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