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COPA DO MUNDO 2010 ► Alemanha joga bem de novo, goleia Argentina e e está na semifinal

Antes de mais nada, acho que Alemanha devia questionar a Fifa e pedir o cancelamento do cartão amarelo que o bom e jovem meia Muller recebeu e o tira da semifinal. Foi um absurdo cometido pelo juiz Ravshan Irmatov (do Uzbequistão), que se mostrou sem qualquer critério, que logo no início viu Di Maria interceptar um passe com mão como se fosse um goleiro e assinalou a infração, mas não recebeu cartão. Depois amarelou o alemão num lance de tentativa de domínio de bola ao desarmar Messi. E aos 25′ do segundo tempo Mascherano cometeu toque semelhante ao de Muller e o juizão também não o amarelou.

Depois, devo registrar que dou um baita azar com – ou a – Lionel Messi ou então a estrela argentina não joga metade do que nos querem fazer acreditar que ele joga. Pelo que vi até hoje, o bom e às vezes muito bom jogador Messi não chega à perna direita de Maradona, como alguns afoitos chegam a querer compará-lo. “Ah, mas Messi fez isso, aquilo…” Bem, não levo muito a sério o Campeonato Espanhol como referência de dificuldade. Lembro sempre que um dia o esforçado, mas limitado, Catanha foi artilheiro lá, o Atlético Mineiro acreditou nisso e acabou rebaixado aqui no nosso Brasileiro. Depois, jogando por Barcelona ou Real Madrid, o jogador sempre vai contar com uma escandalosa simpatia da arbitragem. O que vejo muito de Messi é na seleção argentina e também acompanhei as finais da Eurocopa contra a Internazionale. Logo se vê, então, que pouco vi além de um bom jogador, de recursos, mas que não apareceu nem decidiu. Podem ser que evolua, se torne mais participativo, fuja da marcação, chame o jogo para si, contribua mais na armação, crie mais jogadas de gol, em vez de limitar-se a tentar driblar até conseguir finalizar.

Aliás, esses “supercraques” que a Nike, a Adidas e outras grandes marcas nos impõem e a imprensa (muitas vezes patrocinada pelas mesmas marcas) tenta nos fazer engolir são geralmente jogadores superestimados. O único craque de verdade, na acepção da palavra que aprendi ainda nos tempos de Pelé, Rivelino, Zico, Cruyff e Beckenbauer, que pisou os gramados nos últimos 10 anos chama-se Zinedine Zidane. O resto trata-se, quando muito, de muito bom jogador. Alguns desses reis dos comerciais nem chegam a isso. São o que nos tempos de ouro do futebol seriam chamados de bonzinhos. E só.

Agora vou registrar algo da partida em que a Alemanha goleou com justiça a Argentina por 4 x 0 na Cidade do Cabo e garantiu vaga em uma das semifinais da Copa do Mundo de 2010. Foi uma grande apresentação da seleção alemã, contra uma Argentina que tentou sempre, mas não mostrou recursos para criar jogadas claras de gol nem para impedir a variação ofensiva mostrada pelo adversário. Em um espaço de uma semana, a Alemanha aplicou duas goleadas históricas contra tradicionais rivais, Inglaterra e Argentina, o que por si só já torna a campanha na África do Sul memorável.

A Alemanha saiu marcando em cima desde o apito inicial e logo encontrou seu primeiro gol. Podolski sofreu falta na lateral esquerda que Schweinsteiger cobrou para Muller se antecipar à marcação de Otamendi e cabecear para o chão, vencendo o goleiro Romero. Isso aos 3′. A partir daí, o jogo ficou à feição dos alemães. Os argentinos tinham maior posse de bola, mas não conseguiam ameaçar a meta de Neuer. O mérito argentino era aparentar tranquilidade (salvo os tradicionais pontapés de Mascherano), sem sair afobadamente para o ataque e se abrindo atrás para os mortais contragolpes adversários. Mas chances de gol, mesmo, nada. Foi a Alemanha que desperdiçou uma grande oportunidade de ampliar ainda nessa etapa, quando Muller fez ótima infiltração pela direita e rolou para Klose chutar quase da marca do pênalti. O artilheiro alemão bateu por cima, desperdiçando uma chance que não costuma deixar passar. Isso foi aos 23′.

Enquanto a Alemanha seguia bem postada, a Argentina tentava, mas só fazia bater de frente na defesa comandada por Mertesacker. Di Maria caía pela direita e tentava algumas finalizações cortando para o meio. Tevez se movimentava muito e procurava jogo, mas errava mais do que acertava. E pouco se via Messi em campo. Um dos chutes de Di Maria, cortando Boateng e chutando de esquerda em cima de Neuer, foi seguido por jogada idêntica feita por Higuaín, com o mesmo desfecho. Foi o melhor momento argentino na primeira etapa.

No segundo tempo, a Argentina voltou tentando pressionar, enquanto a Alemanha aceitou a presença adversária mais próxima à sua área, talvez porque, mesmo com a bola rondando o gol de Neuer, a Argentina jamais conseguia chegar em condições efetivas de marcar, criando aquela chance que costumamos chamar de “gol feito”, por exemplo. Tanto que a situação de maior perigo veio de fora da área, novamente dos pés de Di Maria, que bateu de perna esquerda à direita de Neuer, com a bola passando muito perto do poste.

Com a pressão, mesmo infrutífera, argentina, o jogo ficou mais movimentado, pois os espaços começavam a aparecer mais generosamente para os contra-ataques alemães. Até que, aos 22′, Muller recebeu na meia esquerda de costas para zaga, foi tocado e caiu. Mesmo no chão, conseguiu virar e enfiar a bola para Podolski, que entrou na área, foi ao fundo e rolou fora do alcance de Romero para Klose, muito bem colocado, apenas escorar para o gol vazio. Era um filme já visto e cuja reprise estava anunciada. Não era difícil imaginar que seria mais provável a Alemanha ampliar ainda mais o placar do que a Argentina conseguir uma reação.

Aos 29′, Schweinsteiger recebeu uma cobrança curta de escanteio na esquerda e entrou na área driblando três adversários, rolando do fundo, na saída de Romero, para o zagueiro Mertesacker marcar mais um: 3 x 0. Estava fácil. O ataque argentino continuava com suas ações infrutíferas, Tevez não parava de tentar, Di Maria era substituído, Higuaín corria muito e Messi parecia preocupado apenas em deixar o seu. Assim, prejudicou vários ataques na tentativa de um drible a mais em busca de espaço para o chute, em vez de servir um companheiro. Ao menos conseguiu finalizar bastante, sempre de fora da área e sem conseguir sucesso algum. Do outro lado, o futebol nada egocêntrico ou egoísta alemão armava mais um golpe fatal. Na saída em velocidade, Oezil tocou para Podolski, que arrancou pela meia esquerda e fez a passagem de volta para Oezil quase dentro da grande área. De primeira, o habilidoso canhotinha alemão não teve dificuldade em achar Klose, novamente muito bem colocado, quase que na linha do último zagueiro. Klose apenas escorou no canto direito de Romero e saiu para comemorar seu quarto gol na competição e o 14º em Copas do Mundo. 4 x 0. Mais uma goleada histórica e a Alemanha garantida em mais uma semifinal.

Na Argentina, Tevez lutou sempre, sem jamais se esconder. Di Maria arrumou um bom espaço para jogar em cima de Boateng no primeiro tempo, mas no segundo foi melhor marcado. Mesmo irritando de tanto se colocar em impedimento, Higuaín ainda conseguiu algumas ações perigosas. Messi, conforme passava o tempo, mais parecia preocupado em não deixar a África do Sul sem sua marca. E só. Romero fez algumas boas defesas e a zaga argentina, tão contestada, acabou muito exposta ao ataque adversário, sem haver muito que pudesse fazer. Mal foi a lateral direita, com Otamendi, errando muito e o tempo inteiro. Mascherano merece uma linha ou duas à parte: como fez faltas duras e por trás (além de uma defesa com a mão…)! E só a dez minutos do fim Ravshan Irmatov lhe deu um cartão amarelo.

Na Alemanha, muitos destaques. Schweinsteiger é o líder de um time de garotos e faz uma grande Copa do Mundo. Muller teve mais uma grande atuação. Khedira também. Meio sumido na primeira etapa, Oezil fez ótimo segundo tempo. A defesa comandada por Mertesacker não errou. Neuer foi sempre seguro. Boateng fez um fraco primeiro tempo na lateral esquerda, mas se achou depois do intervalo. O capitão Lahm joga com muita segurança do outro lado. E Klose é um centroavante sem tanta habilidade, mas com um incrível senso de colocação. Seu posicionamento nos dois gols que marcou, acompanhando a linha do último zagueiro para evitar se posicionar em impedimento, deveria ser usado como exemplo para muitos atacantes afoitos que costumam prejudicar ataques assim.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 59: Argentina 0 x 4 Alemanha.

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