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COPA DO MUNDO 2010 ► Espanha supera Paraguai em jogo de muito coração e pouca arbitragem

04 jul

O guatemalteco Carlos Batres é uma tragédia anunciada com o apito na boca. O primeiro jogo que apitou nesta Copa foi aquele show de horrores protagonizado por Argélia e Eslovênia. E ali eu registrei: “A arbitragem poderia ser uma ameaça ao jogo, se o jogo tivesse qualquer qualidade para ser ameaçado.” Foi ele que arrumou aquele empate para a Itália contra a Nova Zelândia, caindo no conto do mergulho de De Rossi na área depois de perder o domínio da jogada. Ontem, ele atingiu seu ápice. Do jeito que a Fifa é uma piada, é bem capaz de acabar apitando a final da competição.

A quartas de final no Ellis Park, em Johanesburgo, começou veloz. Antes de se completar o primeiro minuto, o paraguaio Santana finalizou da entrada da área para Casillas defender. Mas logo a partida entrava num ritmo de xadrez. Não que fosse ruim propriamente dita, mas ambas as seleções batiam-se em campo e nenhuma levava qualquer vantagem sobre a outra. Quem esperava o Paraguai apenas retrancado, surpreendeu-se. A seleção sul-americana não se expunha, claro, mas adiantava sua marcação na saída de bola dos zagueiros, procurando cortar espaços e evitar que o meio-campo espanhol impusesse seu jogo de toque, movimentação e presença próximo à área adversária.

Assim, apenas aos 16′ David Villa conseguiu a primeira penetração pela esquerda, arrumando um escanteio. A Espanha apresentava-se com Iniesta muito aberto pela direita, quase não aparecendo. Fernando Torres seguia sem brilhar e David Villa não recebia aproximação de ninguém pela esquerda. Mesmo com o Paraguai já não marcando e saindo para o campo adversário como no início e a Espanha começando a chegar com mais frequência perto da meta de Villar, foi o Paraguai que, aos 40′, acabou chegando ao gol – mal anulado pela arbitragem. Fosse uma arbitragem decente, acho até que seria um erro aceitável. Valdez estava na mesma linha da zaga quando recebeu um lançamento da direita, dominou e finalizou para a rede. Mas um trio comandado por Carlos Batres… Era apenas uma prévia do que estava por vir.

Apesar da Espanha começar a ter maior posse de bola, a chance de Valdez não surpreendia tanto assim. A marcação paraguaia começava lá na frente, com Valdez e Cardozo muito empenhados na marcação. E os dois atacantes também estavam sempre a postos como válvula de escape para que qualquer chutão se transformasse em uma chance de contra-ataque. Tanto que, aos 45′, Cardozo raspou um desses chutões de cabeça e a bola sobrou para Valdez, que partiu para cima de Puyol pela meia esquerda, cortou para dentro e bateu forte da entrada da área, mas por cima da meta de Casillas.

O panorama não se modificou no segundo tempo e Fernando Torres já havia sido substituído por Fábregas quando Batres armou seu circo de horror e colocou uma pilha incrível na partida, deixando nervosos não só jogadores, mas todo mundo que acompanhava o duelo pela última vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 2010.

Tudo começou aos 12′. Escanteio a favor do Paraguai lá na esquerda. Na cobrança, Pique simplesmente agarrou o braço de Cardozo, que procurava se desvencilhar dele, num lance mais parecido com uma brincadeira de pegar de criança do que com uma disputa de bola entre profissionais do futebol. Não foi aquela troca habitual de agarrões e empurrões, foi um forte puxão infantil pelo braço. Surpreendentemente, Carlos Batres viu e marcou. Cardozo cobrou mal o pênalti, em cima de Casillas, que sequer deu rebote.

Na sequência, a Espanha vai ao ataque, David Villa invade a área pela esquerda e, ante a aproximação de Alcaraz, se atira grotescamente. Era tudo que o senhor Carlos Batres queria para compensar logo (compensar o quê?) e marcar um pênalti para a Espanha também. Mas podia ter esperado um lance mais discreto ou passar algum tempo ao menos. Então, um minuto depois, a bola saía da marca de cal de uma área para a outra e Xabi Alonso se colocava para fazer a cobrança. O meia do Real Madrid cobra e marca, mas Carlos Batres faz soar um monte de apitos curtos. Segundo o juiz, a área havia sido invadida por espanhóis antes da cobrança.

A repetição da jogada na TV mostra uma discreta invasão de um espanhol e outra ainda mais discreta de um paraguaio. Quem acompanha futebol com um pouco mais de maldade podia perceber que Batres sabia que inventara um pênalti para a Espanha, por isso precisava dar uma disfarçada na situação. Como houve dupla invasão, mesmo discreta, mandou repetir a cobrança.

Só que, nesse instante, a TV reprisava a cobrança desperdiçada por Cardozo. E pasmem: nada menos que cinco espanhóis invadiram a área acintosamente antes que o centroavante paraguaio tocasse na bola. Não foi uma invasão nada discreta, foi um verdadeiro desembarque na Normandia. Isso apenas provava que Batres não estava preocupado em aplicar a regra do jogo, mas apenas em apitar de acordo com o que fosse mais conveniente para ele, Carlos Batres.

Batres só não contava que os deuses do futebol estivessem meio cansados de suas lambanças e decidissem colocá-lo definitivamente em maus lençóis. Na segunda cobrança de Xabi Alonso, Villar voou no canto esquerdo e defendeu, mas deu rebote. Fábregas chegou primeiro na bola e driblou o goleiro, que o derrubou escandalosamente. David Villa chutou na sequência e Paulo da Silva salvou o gol certo. “E aí, Batres, vai ter peito para marcar o novo pênalti, agora um pênalti de verdade, a favor dos espanhóis?”, pareciam perguntar, zombando, os deuses do futebol. Claro que não. Como diz o ditado, quem procura, acha.

Daí para frente, lógico, os jogadores ficaram totalmente pilhados, mas, felizmente, apenas pensando em jogar bola – ou ao menos tentar. O Paraguai já não tinha pernas para exercer a mesma marcação compacta de antes. Seus atacantes continuavam a pressão na saída de bola, mas já havia um espaço aberto entre eles e o resto do time, do que se aproveitava a Espanha para tentar finalmente impor seu jogo. Para isso, muito contribuía a presença de Iniesta pela esquerda, onde vinha atuando nas partidas anteriores. Iniesta crescia de produção e com ele, toda a Espanha.

A essa altura, Pedro havia substituído Xabi Alonso e a frente paraguaia era formada por Cardozo e Roque Santa Cruz. A Espanha pressionava, mas sem criar grandes situações de gol. Enquanto isso, o Paraguai era todo coração na defesa e Cardozo e Santa Cruz tinham espaços para ameaçar no contra-ataque, mas erravam o toque final e não conseguiam finalizar.

Até que, aos 38′, finalmente Iniesta encontrou espaço para avançar livre pela meia esquerda, realizou uma grande jogada e passou para Pedro no meio, sozinho, livre de marcação, cara a cara com Villar. Na saída do goleiro, Pedro tocou no canto direito. A bola caprichosamente venceu Villar e bateu no poste, oferecendo-se para David Villa. Sem goleiro, Villa colocou no canto esquerdo, tentando tirar de Claudio Morel, desesperado na linha de gol. A bola chocou-se com a trave, correu para o outro lado e ainda encontrou o poste direito, antes de finalmente morrer no fundo da rede. Espanha 1 x 0 Paraguai.

Ato contínuo, Lucas Barrios substituiu Cáceres na seleção paraguaia, que tentou desesperadamente empatar a partida. E quase conseguiu aos 43′, quando Lucas Barrios foi lançado nas costas da zaga pela meia direita e bateu forte da entrada da área. Casillas não conseguiu segurar e Santa Cruz chegou primeiro no rebote, mas Casillas se recuperou e conseguiu salvar. Foi o fim do sonho paraguaio.

Foi um jogo de poucos destaques individuais e muito coração. Pouco antes do gol da Espanha, o blogueiro, modéstia à parte, comentara com a patroa que a vitória da Espanha só iria sair dos pés de Iniesta. E foi o que aconteceu. Não entendi por que ele passou tanto tempo na direita. Caído para a esquerda, cresceu na partida e achou a jogada decisiva. Casillas também acabou sendo fundamental, com as defesas no pênalti e naquele rush final de Barrios e Santa Cruz. Acho que o técnico Vicente Del Bosque devia ter aproveitado Jesus Navas pela ponta direita. O avante do Sevilha poderia ter aberto mais a defesa adversária e sido mais útil, por exemplo, que a presença de Pedro, mais um atacante a entrar pelo meio.

O Paraguai foi todo coração e por pouco não obtém melhor sorte. Seus zagueiros Paulo da Silva e Alcaraz jogaram sob grande pressão, mas saíram-se muito bem. Não entendi algumas opções do técnico Gerardo Martino. Lucas Barrios deveria ter tido mais tempo de jogo. Acho que Riveros devia ter chegado mais à frente. Morel, ótima arma no apoio com seus cruzamentos, precisou ficar preso à marcação, certo. Mas acho que cabia ao técnico criar alguma situação para permitir um avanço ou outro do lateral. Os atacantes paraguaios acabaram fracassando em mais uma Copa do Mundo, mas acho que muito disso deve-se a um esquema que não os favorece. São todos bons finalizadores, alguns altos, fortes na bola aérea, Barrios mais habilidoso pelo chão… Acho que valia a pena jogar mais em função deles.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 60: Paraguai 0 x 1 Espanha.

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Publicado por em 4 de julho de 2010 em Copa do Mundo 2010, Futebol

 

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