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COPA DO MUNDO 2010 ► Em jogo difícil, Holanda derrota Uruguai com justiça e está na final do Mundial

06 jul

A Holanda derrotou o Uruguai por 3 x 2 na Cidade do Cabo e chega pela terceira vez a uma final de Copa do Mundo. Agora, ao contrário de 1974 e 1978, ao menos não enfrentará a seleção do país anfitrião.

Apesar de toda a garra, coração, sangue, correria, gana, suor e lágrimas, essas qualidades todas inatas a qualquer equipe que represente a Celeste Olímpica, quem teve vontade de vencer foi a Holanda. A diferença eu ressalto no parágrafo seguinte.

Intervalo de jogo. Placar apontando 1 x 1. O treinador holandês Bert Van Marwuk substitui o volante De Zeeuw pelo meia ofensivo Van Der Vaart. Fica na prática com uma espécie de 4-1-2-3: a linha de quatro defensores, Van Bommel como volante, Sneijder e Deer Vaart na meia, Robben e Kuyt abertos nas extremas e Van Persie enfiado no comando do ataque. Já o técnico uruguaio Oscar Tabárez, aos 30 minutos do segundo tempo, com o placar desfavorável de 1 x 3, tira o meia Álvaro Pereira, que dava uma certa opção ofensiva pela esquerda, e coloca em campo o centroavante Loco Abreu. Não era hora de tirar um Pérez ou um Arévalo da vida e colocar o time todo à frente, não?

Essa diferença, para mim, exemplifica o mérito da Holanda, que mesmo após o segundo gol seguiu na mesma toada e acabou achando o terceiro, como poderia ter achado o quarto, o quinto… Só que, aos 46′, quem acabou achando um gol foi o Uruguai, que já estava tão entregue que até Forlan já havia saído. E graças a injustificáveis 5 minutos de acréscimo, ainda pôde jogar algumas bolas na área de Stekelenburg, carregando de emoção o final da partida.

Assisti ao jogo – aliás, como a todos os outros em casa – na ESPN Brasil. Aos 27′ do segundo tempo, o comentarista Paulo Vinícius Coelho disse que era a pior atuação holandesa na Copa. Pode ser. Mas, primeiro, deve-se ressalvar que semifinal é semifinal, não é hora propriamente de se preocupar em jogar bonito. Joga-se como é possível para vencer. E, ademais, havia do outro lado um Uruguai em seu melhor papel: o de azarão que entra para se defender. Por isso, mesmo apostando na Holanda, não imaginei que pudesse ser fácil. E “a pior atuação” da Holanda ainda assim foi suficiente para que ela vencesse sua sexta partida no Mundial, mantendo um incrível aproveitamento de 100% desde as Eliminatórias.

O pecado uruguaio foi sempre o contraponto ao seu vigor defensivo: muita coragem para defender, mas parecendo sempre pisar em ovos ao sair para o ataque. Hoje, a ausência de Luís Suárez, suspenso, facilitou a filosofia de Tabárez: ele empurrou Cavani para a frente, ao lado de Diego Forlán, e ficou com menos um homem para ameaçar a meta adversária.

O início da partida foi como o figurino indicava. A Holanda com mais iniciativa e o Uruguai tentando tirar espaços. Logo aos 3′, Kuyt desperdiçou uma boa chance, ao chutar por cima uma bola que caiu em seus pés após Muslera cortar mal um centro da direita. Mas não estava fácil surgir oportunidades claras de gol. Gol que acabou saindo, para a Holanda, em grande estilo. O relógio marcava 18′, quando o veterano Van Bronckhorst, do alto de seus mais de 100 jogos com a camisa laranja, acertou um lindo chute lá da intermediária esquerda, com a bola cravando o ângulo superior esquerdo de Muslera, que nada podia fazer. Foi um gol sem qualquer participação da Jabulani, pura técnica no momento de bater.

Parecia que a partida ficaria ao sabor holandês, mas os comandados de Van Marwijk deram uma desligada a partir dos 20′, 25′, se deixando enredar pela marcação uruguaia e se estressando com os adversários. Como aos 27′, quando Cáceres tentou uma absurda bicicleta e acertou com extrema violência a cara de De Zeeuw. Cáceres recebeu o amarelo, que ficou barato. “Ah, mas ele não teve a intenção…” Não teve a intenção e tenta um lance daquele com um jogador em cima… Foi violentíssimo. É como não ter a intenção de matar e sair com um carro a 150km/h.

Um dos maus sintomas da queda de rendimento holandês era o excessivo número de bolas recuadas para o goleiro chutar. Não é o padrão do time. E não era um bom sinal. Aos 34′, a melhor chance do Uruguai, quando a Holanda errou uma saída para o contra-ataque e deixou uma avenida para Cavani avançar área adentro pela direita e se atrapalhar na jogada. Mas, com o jogo equilibrado, a seleção uruguaia chegou ao empate aos 40′, através de uma cobrança de falta na meia esquerda. Fórlan cobrou por cima da barreira e a bola jabulaniou à frente de Stekelenburg (que falhou, foi em cima dele) e morreu no fundo da rede.

No segundo tempo, o panorama voltou a ser o do início da partida. A Holanda buscava o ataque, mas errava muitos passes, favorecendo a marcação uruguaia. Assim o Uruguai conseguia manter-se mais tempo com a bola nos pés. Só que esse não é exatamente o forte do time, que optava sempre pelo toque mais para os lados, para manter o adversário sob controle, do que pela jogada em profundidade em busca do gol. Provavelmente, a intenção celeste era achar outra bola parada ou um contra-ataque para marcar. E quase consegue em mais uma daquelas recuadas para Stekelenburg dar o chutão. Boulahrouz tocou curto, Cavani chegou antes do goleiro e a bola sobrou para Àlvaro Pereira tocar por cobertura para o gol, onde Van Bronckhorst estava bem colocado para salvar.

Mas a tendência era sempre a Holanda rondar mais a área adversária do que o contrário. Só em uma nova cobrança de falta o Uruguai ameaçaria, com Forlán chutando no canto esquerdo baixo para Stekelenburg defender. Mas era Muslera quem trabalhava mais e tinha mais motivos para se preocupar. Aos 23′, Van Persie se desenroscou de três adversários na esquerda da grande área e tocou para Der Vaart, que chutou cruzado para ótima defesa do goleiro uruguaio. A bola sobrou para Robben, que, com o pé errado, o direito, jogou por cima.

Aos 28′, a Holanda chegaria ao segundo gol. Robben recebeu na direita, cortou para o meio e a bola acabou chegando em Sneijder no lado esquerdo da área. O meia chutou cruzado, no cantinho esquerdo de Muslera, que foi atrapalhado por Van Persie (um pé à frente) e Victorino.

Saindo para o ataque, como esperado, o Uruguai abriu e aos 28′ levou o terceiro. Kuyt recebeu bem aberto na ponta esquerda, colocou na perna direita e centrou para Robben cabecear muito bem, quase da marca do pênalti, para o chão, no canto direito de Muslera, que só pôde olhar. Daí para frente, a Holanda desperdiçou algumas boas chances de golear, a melhor delas com Robben, que ficou sozinho com Muslera após contra-ataque iniciado por Sneijder que passou pelo calcanhar de Van Persie, mas o goleiro defendeu.

Até que, aos 46′, o Uruguai achou aquele segundo gol. Maxi Pereira recebeu na entrada da área após cobrança rápida de falta na intermediária e colocou no canto direito de Stekelenburg. Daí foi aquela pressão apaixonada e desesperada uruguaia até o juiz Ravshan Irmatov (Uzbequistão) decidir fazer soar o apito final.

Muslera foi bem na meta uruguaia, com boas defesas. Novamente Forlán foi o melhor homem da linha e fico imaginando se esse time não poderia ser mais audacioso. Gostei de Álvaro Pereira, inclusive de sua tentativa de marcar chutando do meio do campo. Acho que, ao longo da competição, Álvaro Pereira poderia ter jogado mais adiantado pela esquerda, dando mais opções para os avançados Forlán e Suárez e aliviando o trabalho solitário de Cavani na alimentação ao ataque. Acho que para um país com bons jogadores e muita tradição como o Uruguai, garra, coração, amor à camisa, etc… é pouco. Muito pouco. O Uruguai não é a Nova Zelândia, a Suíça, a Austrália, a Coreia do Norte… Pode e precisa ambicionar mais em campo. Que este bom Mundial sirva como resgate da autoestima para sair em busca de voos mais ambiciosos – começando pela maneira de jogar.

Na Holanda, bem mesmo, poucos. O time valeu-se mais de seu forte conjunto e da melhor técnica de seus jogadores. Além, claro, da intenção de vencer. Na verdade, não jogar bem e ainda assim vencer é prova de força. Sneijder errou muito, mas o pouco que acertou foi decisivo, assim como Robben, que, mesmo não brilhando, infernizou a vida de Cáceres. Mais regular durante os 90 minutos acabou sendo o capitão Van Bronckhorst.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 61: Uruguai 2 x 3 Holanda.

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Publicado por em 6 de julho de 2010 em Copa do Mundo 2010, Futebol

 

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