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COPA DO MUNDO 2010 ► Espanha se impõe, bate Alemanha e faz final inédita com a Holanda

A Espanha derrotou a Alemanha por 1 x 0 em Durban e vai disputar no próximo domingo sua primeira final de Copa do Mundo. Copa do Mundo que, em sua primeira disputa no continente africano, terá um campeão inédito. Tanto Espanha quanto Holanda jamais levantaram o troféu máximo do futebol mundial.

O jogo de hoje foi um caso de teimosia. Ambas as equipes insistiram em seu estilo, fincando pé, na base do “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, até o ponto em uma subjugasse a o outra. Ou que um gol saísse e abrisse a partida. No primeiro tempo, o jogo de xadrez praticamente empacou, mas, no segundo, a Espanha conseguiu colocar a Alemanha em xeque, deixar o adversário sem respostas ofensivas, até chegar ao mate, que foi o improvável gol de cabeça de Puyol, totalmente fora do script, surgido após uma cobrança de escanteio.

Desde o início a Espanha tentou impor seu ritmo, tocando, tocando, fazendo a bola girar, em busca de brechas na defesa alemã. Mas essas brechas não apareciam. As chances espanholas vinham sempre de chutes de fora da área. A única exceção ocorreu logo aos 5′, quando Pedro enfiou para David Villa por trás da zaga, mas Neuer saiu muito bem e fez a defesa nos pés do atacante. Mas, em geral, faltava objetividade aos espanhóis.

Uma coisa que reparei retrata bem a fixação das equipes aos seus padrões normais de jogo. Nem em escanteios a Espanha era objetiva, preferindo sempre o toque curto à cobrança direta na área (que foi, aliás, como surgiu o gol, numa cobrança direta). Quase nunca essa jogada resultava em algo. A exceção foi aos 13′, quando Xavi cobrou curto, recebeu de volta e centrou forte, para Puyol entrar mergulhando e cabecear por cima. Já a Alemanha, até lateral tentava jogar na área adversária, procurando ser o mais objetiva possível.

O problema é que cada time enfrentava seus próprios problemas. A Espanha carecia de uma melhor atuação de Iniesta, que errava muitos passes. Lógico que, como a bola passa muito pelos pés do bom meia, ele fica mais sujeito a erros, mas hoje ele estava produzindo bem abaixo do que o normal. E de seus passes mais incisivos surgem as melhores jogadas do time. Além disso, o treinador Vicente Del Bosque optou por Pedro em lugar de Fernando Torres. Isso fez David Villa ficar muito preso entre os zagueiros, perdendo sua boa jogada pelo lado esquerdo, que funcionou tão bem durante todo o Mundial. E ficar preso entre uma zaga formada por Friedrich e Mertesacker não é algo muito animador. Por isso, o toca-toca pouco levava a algum lugar.

Já a Alemanha tinha mais problemas. O mais óbvio, a ausência de Thomas Muller, suspenso por um injusto cartão amarelo recebido na goleada sobre a Argentina. Sem ele, entrou Trochowski. A dificuldade maior nem era o lado técnico, mas o posicionamento. Trochowski ficou sempre muito estático na direita e sem um décimo da excelente movimentação e visão de jogo de Muller. Isso sobrecarregou muito Oezil, que de assessor de Muller na criação de ações ofensivas passou a principal agente, sem um assessor ao lado. Para piorar, muito fixo na esquerda, Podolski estava mal e mal ficou até o fim. E a cereja podre do bolo foi a má atuação de Schweinsteiger, um dos melhores nomes do Mundial. Assim como Iniesta, Schweinsteiger esteve muito abaixo de seus padrões, mas bota abaixo nisso.

Assim foi todo o primeiro tempo. A Espanha tocava e não abria a defesa adversária. E a Alemanha desperdiçava suas poucas – mas boas – chances de contra-atacar com perigo devido a erros de passe ou de movimentação. Só ameaçou mesmo aos 31′, quando Casillas defendeu no cantinho esquerdo um forte chute de Trochowski de fora da área.

No segundo tempo, a Espanha voltou em uma velocidade de rotação um pouco maior, tentando ser mais objetiva. Tanto que em 10 minutos Pedro, Xabi Alonso e David Villa já haviam finalizado bem de fora da área. Aos 12′, o sinal de alerta acendia de vez para a Alemanha. Pedro chutou forte, Neuer rebateu. Na sequência, Xavi entrou pela esquerda e chutou cruzado, com a bola passando pela pequena área quase aos pés de David Villa. A bola foi para a direita e de lá a Pedro, que finalizou mais uma vez assustando Neuer.

Nesse momento, aprecia que o estilo alemão estava sendo subjugado pelo espanhol e que o gol seria uma sequência natural das ações. Tanto que aos 16′ o treinador Joachim Low tirou Trochowski e colocou Kroos em seu lugar, tentando encontrar uma válvula de escape. E quase deu certo, porque Kroos acabou tendo a bola do jogo. Oezil conseguiu armar uma jogada pela esquerda e enfiou para Podolski, que, dentro da área, levantou para Kroos desperdiçar livre, a cara a cara com Casillas, que fez a defesa, na melhor oportunidade de toda a partida até aquele momento. Isso foi aos 23′. Aos 27′, o golpe fatal. Numa rara cobrança de escanteio direto para a área, Puyol avançou sem marcação desde a entrada da área para cabecear forte para a rede: 1 x 0. Uma falha inusitada dos alemães, que se esqueceram de acompanhar o zagueiro.

Daí para frente, a Alemanha foi só desespero e pouco conseguiu. O limitado centroavante Mario Gomez entrou no lugar de Khedira, alteração que só serviu para bagunçar e abrir de vez o time. Del Bosque colocou Fernando Torres no lugar de David Villa para tentar aproveitar o contra-ataque, mas deve ter se arrependido de não ter tirado Pedro. O jovem atacante desperdiçou uma oportunidade que poderia ter custado caro ao time, aos 36′. Recebendo sozinho, Pedro avançou contra um zagueiro tendo torres livre, livre ao seu lado. Tentou driblar e perdeu. Ficou tão sem graça que acabou substituído logo depois. Poderia ter custado caro principalmente se o juiz húngaro Viktor Kassai marcasse a falta que Schweinsteiger sofreu na meia-lua aos 39′. Mas não rolou e a Espanha conseguiu uma justa vitória.

Puyol fez o gol da vitória histórica e não poderia deixar de ser destaque espanhol. Xabi Alonso viu que o toque-toque puro e simples não resolveria e foi o primeiro a tentar insistir com finalizações de fora da área. Xavi foi bem melhor que Iniesta na armação. E Casillas apareceu muito bem quando foi exigido. Na Alemanha. A dupla de zaga, Friedrich e Mertesacker, sob pressão quase o tempo inteiro, jogou muito bem. Assim com Neuer. Oezil procurou mais o jogo na fase final, mas não teve muita ajuda. E Klose não recebeu qualquer bola em condição de finalizar.

Foi o confronto de um estilo de jogo sobre outro. Venceu o espanhol.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 62: Alemanha 0 x 1 Espanha.

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