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COPA DO MUNDO 2010 ► Nova geração alemã derrota Celeste Olímpica e termina Mundial em terceiro

11 jul

Para muitos um verdadeiro enterro dos ossos, a partida que decide o terceiro lugar numa Copa do Mundo costuma ser bem animado. Ontem, em Porto Elisabete, debaixo de chuva e frio e com um gramado bem castigado, não foi diferente. Ali pela altura do final do primeiro tempo, comentei com minha esposa que aquilo era jogo para uns 3 x 2. E acabou não dando outra, com o placar se definindo após duas viradas.

O Uruguai parecia mais motivado, tanto que entrou em campo com sua força máxima, inclusive com Godin de volta à zaga, em lugar de Victorino. Apesar dessa motivação maior, os uruguaios não puderam certo relaxamento natural nessa partida. Após sempre tensas e decepcionantes – para quem perde – semifinais, as equipes acabam afrouxando um pouco em sua disciplina tática. Assim, mesmo mantendo seu esquema, a Celeste Olímpica não estava tão taticamente determinada como de costume.

É certo que o esquema era o mesmo. Seus volantes pegadores estavam lá, mas um pouco mais distantes e menos atentos que de hábito. Cavani jogava bem aberto na esquerda e pouco voltava. Como Forlán, que foi praticamente um ponta-de-lança das antigas, livre para chegar sempre na área (afinal, é atacante de origem, apesar de jogar a Copa travestido de meia ofensivo) e sem maiores obrigações defensivas.

No lado da Alemanha, o abatimento parecia maior. Essa posição entre os quatro finalistas não é novidade, o país é o que mais vezes chegou tão longe na história das Copas. Então, natural um certo desapontamento por nãoe star na grande final, mesmo tendo chegado à África do Sul com uma seleção muito renovada e não cotada para os primeiros lugares. Mas o fato é que a Alemanha chega quase sempre. Em 2006, mesmo em casa, entrara na competição em clima de total descrédito e foi terceira colocada. Em 2002, chegou à Ásia da mesma forma e foi vice-campeã. Agora, com seu time de garotos, tendo mais em vista a Copa de 2014, novo pódio.

O técnico Joachim Low, então, optou por algumas alterações importantes na equipe. Nada que ocorresse se estivesse na decisão. No gol, deu chance ao veterano goleiro Butt. O capitão Lahm, com algumas dores e muito desânimo, deu lugar a Aogo, que entrou na lateral-esquerda, com Boateng passando para o lado oposto. Podolski e Klose, mais ou menos contundidos, cederam as camisas para Cacau e Jansen. Mais importante, Thomas Muller, revelação e um dos melhores jogadores do Mundial, injustamente fora da semifinal devido a um clamoroso erro da arbitragem, estava de volta para a despedida.

A Alemanha adiantou – e afrouxou – a sua marcação. Estava menos concentrada. Como o Uruguai também adotou uma postura mais, digamos, flexível, a perspectiva de muitos gols existia desde que a bola rolou. Foi um jogo bem animado, com a bola sempre rondando uma área ou outra. Antes dos três minutos Fórlan já tivera duas daquelas faltas que ele gosta tanto, mas uma foi interceptada com a mão pela barreira e a outra, na cobrança da nova infração, passou por cima.

Aos 19′, a Alemanha abriu o marcador. Completamente livre na intermediária, Schweinsteiger chutou forte, à meia altura. A bola jabulaniou à frente de Muslera, que bateu roupa bem para frente. Muller entrou livre e escorou. O empate uruguaio veio nem outro lance típico da falta de concentração em campo. Schweinsteiger tentou passar por Perez na linha média, foi desarmado e deu um contra-ataque de três contra dois para o adversário. Suárez recebeu e enfiou para Cavani na esquerda. O atacante do Palermo, da Itália, entrou e tocou na saída de Butt. Tudo igual. Dois gols, curiosamente, frutos de falhas de marcação inimagináveis até o meio da semana.

As chances continuavam se alternando, com maior ou menor clareza. A melhor delas foi uruguaia, aos 41′, quando Forlán enfiou para Suárez na meia direita, por trás da linha da zaga. Suárez entrou livre na área e chutou cruzado, rasteiro, à direita de Butt.

Na etapa final, o panorama não se alterou. Logo aos 2′, o Uruguai teve duas ótimas chances. A primeira com Cavani, livre pela esquerda. Na sequência, com Suárez. Duas ótimas intervenções de Butt. Aos 6′, a Celeste marcou o segundo, um belo gol. Arévalo Rios fez uma rara incursão pela direita, tabelou com Suárez e centrou do fundo, à meia altura, para Forlán, que acertou um lindo voleio para baixo, à esquerda de Butt, que nem pôde se mexer.

Aos 9′, um lance que não retundou em nada, perdido ali por uma dessas intermediárias da vida. Mas vou contar para você, a matada de bola de Oezil foi qualquer coisa, qualquer nota… Merece, ao menos, um parágrafo à parte.

Voltando ao jogo em si, a Alemanha empatou aos 10′. Boateng, bem mais desenvolto na direita do que na esquerda, centrou para a área, Muslera caçou borboletas e Jansen jogou para a rede. O que já estava aberto, ficou mais. Low substituiu Cacau, que não foi mal, mas jogava fora da área, pelo grandalhão Kiessling, que aos 34′ quase completou novo cruzamento de Boateng. A Alemanha jogava mais perto do gol de Muslera, mas os ataques uruguaios sempre tinham espaço para ameaçar Butt. O gol que seria o da vitória acabou saindo para o lado germânico, aos 37′. Oezil cobrou escanteio de pé trocado, a bola pipocou na pequena área e subiu para Khedira colocar de cabeça no ângulo esquerdo.

Ainda houve emoção até o apito final. Aos 42′, por exemplo, Boateng puxou um contra-ataque na diagonal e, da esquerda, deixou Kiessling sozinho com Muslera, mas o atacante, da marca do pênalti, chutou por cima. E aos 48′, no último lance, Suárez foi derrubado na meia-lua. Forlán cobrou e a Jabulani caprichosamente achou o travessão. Fim da história de Alemanha e Uruguai na Copa do Mundo da África do Sul. Uma bonita história.

No Uruguai, o destaque, como em toda a competição, foi o trio ofensivo, com Calvani, Suárez (sempre arisco) e Forlán, um dos melhores jogadores da competição. Não dá ficar criticando Oscar Tabárez, já que o homem colocou o país novamente na elite do futebol mundial. Mas acho que ele poderia ter entrado mais vezes com Loco Abreu como referência na frente, deixando esses três mais livres ainda para tramar as jogadas ofensivas. O sistema defensivo foi sempre firme, com a feroz proteção de Pérez, Arévalo Rios e Maxi Pereira. Fucile foi um dos bons laterais da Copa. Muslera também se saiu bem, menos ontem, quando se atrapalhou algumas vezes com a Jabulani e a chuva. Foi muito bom ver a mística da Celeste Olímpica de volta aos holofotes de um Mundial.

A Alemanha atirou no futuro, mas já acertou no presente. A base para a Copa no Brasil está formada. Seus quatro homens de meio-campo, Khedira, Schweinsteiger, Muller e Oezil, têm ainda muitos anos de futebol pela frente. Khedira e Schweinsteiger são volantes que sabem jogar – e muito. Muller e Oezil foram duas ótimas revelações. A volta de Muller mostrou como Oezil ficou sobrecarregado na semifinal contra a Espanha. Mertesacker e Friedrich formaram provavelmente a melhor dupla de zaga do Mundial, um Mundial com grandes desempenhos nesse setor. O capitão Lahm é um dos falsos veteranos do time, tem apenas 26 anos e joga bem nas duas laterais. Podolski é outro de quem ouvimos falar há muito tempo, mas que recém completou 25 anos. Vai acabar jogando no meio. Neuer foi um bom goleiro. Para o futuro, a seleção vai precisar de um substituto para Klose, que cumpriu com louvor seu papel defendendo o país em Copas do Mundo. Do time titular, apenas Friedrich, já com 31 anos, também não deve estar no Brasil.

Link da página da Fifa sobre o jogo: Jogo 63: Uruguai 2 x 3 Alemanha.

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Publicado por em 11 de julho de 2010 em Copa do Mundo 2010, Futebol

 

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