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FUTEBOL ► Arrogância e prepotência de Ricardo Teixeira sofrem segunda derrota na mesma semana

24 jul

A escolha do novo treinador da seleção brasileira de futebol mostrou bem – mais uma vez – o jeito de agir do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O mau jeito.

Veja só: o homem anuncia que na sexta-feira (ontem) divulgaria o nome do novo treinador, que logo no fim de semana esse nome faria a convocação para um dos inúteis amistosos que o Brasil realizará até o fim do ano e que renovação é a palavra chave do novo trabalho…

Qualquer cidadão sensato imagina então que o dirigente maior do nosso futebol estava em negociações já há algum tempo com esse futuro treinador e que provavelmente faltaria acertar apenas um detalhe ou outro para que, na tal sexta-feira, fosse feito o anúncio.

Enquanto isso não ocorria, todos os ditos prováveis candidatos negavam, via imprensa, qualquer convite. E não é que realmente não houvera qualquer convite?

Vai que quinta-feira à noite, no estacionamento do Maracanã, após a vitória do Fluminense sobre o Cruzeiro, Muricy Ramalho é abordado por um homem da CBF. O motivo: um convite de Ricardo Teixeira para encontrá-lo na manhã seguinte no Itanhangá Golf Club, um exclusivista reduto da elite carioca.

Muricy comparece e recebe o tão sonhado convite, objeto de desejo de qualquer treinador nacional. Mas algo não ocorre como o treinador gostaria. As imagens captadas pela ESPN Brasil, no clube para a cobertura de um torneio de golfe, mostram claramente o desconforto na mesa onde se reúnem Ricardo Teixeira, o assessor da CBF Rodrigo Paiva e Muricy. Desconforto que culmina com o constrangedor desdém com que Teixeira ignora o cumprimento de mão de Muricy. Uma cena para entrar na História:

Se um sujeito fizesse isso com você, como você reagiria? Só se realmente eu precisasse desesperadamente de um emprego para aceitar trabalhar com alguém assim…

Muricy saiu dali para o clube com o qual está sob contrato sem um sorriso no rosto e deixando no ar duas frases soltas para a repórter Patrícia Lopes: “Tenho que conversar com o Fluminense” e, perguntado se gostaria de dirigir a seleção, “Quem não gostaria?”.

Muricy deixou a cena e Ricardo Teixeira, através do órgão oficial de divulgação da CBF, a Rede Globo de Televisão (voltaram às boas com a saída de Dunga), anuncia que a seleção brasileira tem um novo técnico, que renovação é a palavra chave, que segunda-feira será anunciada a lista de convocados para o amistoso contra os EUA… E espera aí! Está faltando algo nesse enredo. E o Muricy? Já deu o sim? E o Fluminense?

Muricy não recebeu qualquer garantia de permanência até 2014 (“vai depender dos resultados…”). Não gostou de sua decisão ter sido antecipada. O agente do treinador entrou em contato com o clube e seu patrocinador e confirmou o que haviam acertado no início da semana: a prorrogação do contrato assinado até dezembro deste ano até o fim de 2012. E ponto.

Há quem diga que o Fluminense bateu o pé. Provavelmente. O que faz muito bem, por sinal, pois Ricardo Teixeira ignorou totalmente o clube. Um clube que é seu afiliado. Um clube que disputa a liderança do Campeonato Brasileiro, a maior competição promovida pela CBF, o que deveria ter alguma importância para Teixeira. Assim ele deveria cuidar dos interesses de seu filiado também. Fosse um dirigente ético e preocupado com nosso futebol, teria costurado a negociação primeiro com o clube, depois com o treinador.

Mas o Fluminense votou contra Kléber Leite, candidato de Teixeira à sucessão no Clube dos 13. Assim como o São Paulo, de quem Teixeira tenta de todo modo tirar a honra de ver o Morumbi como sede e palco da abertura do Mundial de 2014.

Acabaram sendo duas derrotas numa semana, pois além do “não” de Muricy, o governo de São Paulo negou qualquer hipótese da construção de um novo estádio apenas para a Copa. Até o presidente Lula alfinetou as ameaças de Teixeira: “Não estou entendendo essa discussão sobre São Paulo ficar fora da Copa.” Não vai ficar. E Teixeira vai engolir o Morumbi. Vejam que ele conseguiu a façanha de PSDB e PT ficarem do mesmo lado. Mas o post não é exatamente sobre isso.

Voltando: então Teixeira não estava nem aí para o Fluminense. Pior: não estava nem aí para Muricy ou qualquer que fosse o treinador escolhido.

Do alto de sua presunção, Teixeira pensa assim: “Sexta de manhã, tomo café no meu clube, chamo alguém e o nomeio técnico da seleção.” Simples assim. Tratando a todos como capachos e submissos. Todos aos seus pés. É como a arrogância de Ricardo Teixeira vê o nosso futebol.

Fosse eu Muricy ramalho e me sentiria humilhado. Talvez Muricy tenha sentido algo parecido. E daí o “não”. Há quem diga que “o Fluminense bateu o pé” e por isso Muricy não foi. Fala sério! Santa ingenuidade. Se Muricy quisesse, ia. Não há como um clube segurar um treinador que queira sair. Desesperado com o vislumbre do fracasso, Teixeira ainda comunicou que pagaria a multa para Muricy deixar o Fluminense. Mas não era esse o problema.

Muricy pôde usar o louvável pretexto de dizer que jamais traiu com sua palavra ou que “tenho que dar o exemplo para meus filhos”, como Paulo Vinícius Coelho postara em seu blog às 14h30min. Em meio à disseminação da notícia de que “a seleção brasileira já tem um novo técnico”, mesmo sem o “sim” de Muricy, PVC advertia que a situação poderia mudar. E mudou.

Foi bom para todos – menos a CBF e Ricardo Teixeira. Não faltavam argumentos relevantes para Muricy e o Flu darem o “não”.

parece meio óbvio para mim que Ricardo Teixeira quer, neste momento, apenas um técnico tampão. Esse técnico até pode dar certo, mas o plano não é esse. É só ocupar o cargo para que lá na frente um eventual tropeço ou outro facilite a demissão e um convite provavelmente a Luís Felipe Scolari (que, se chamado agora, responderia com o mesmo “não” de Muricy) para dirigir a seleção brasileira na Copa do Mundo.

Mas o quase eterno presidente da CBF não precisa ficar desesperado. Um chinelo velho sempre encontra um bom capacho. E não é nem no mau sentido que digo isso. Para alguns treinadores o valor da aposta vale o risco. Não valia para Muricy Ramalho.

Quem também perdeu nessa história toda foi a imprensa como um todo. Péssimo trabalho, salvo exceções. Mas isso não chega a ser novidade. Nenhuma novidade.

É a minha opinião.

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Publicado por em 24 de julho de 2010 em Futebol

 

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