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FÓRMULA 1 ► Ultrapassagem de Barrichello sobre Schumacher no GP da Hungria valeu por meia temporada de corridas bem chatinhas

02 ago

O circuito de Hungaroring, na Hungria, é uma dessas coisas que me faz ter certeza de que a Fórmula 1 é dirigida por técnicos e não por pilotos. Que piloto desenharia uma pista sem qualquer ponto de ultrapassagem? Me parece coisa de técnico mesmo, preocupado com acelerações, freadas, efeitos aerodinâmicos, ajuste de asas, tamanho de aerofólio etc. Só pode.

Uma corrida dessas costuma ser decidida na primeira curva e nos boxes. Emocionante, não? Quem pula na frente só perde se errar ou o carro quebrar. Em regra, se nada de excepcional ocorrer, mesmo mais lento que os demais, ele não será ultrapassado.

Ontem a prova estava nas mãos de Sebastian Vettel (mais uma) e só um fato excepcional (mais um) tiraria a vitória do alemão. Como a distância exagerada que manteve para o carro da frente, no caso, de seu companheiro Mark Webber (que ainda não parara para a troca obrigatória de pneus) no momento da entrada do safety car. Acabou sofrendo uma punição de 10 segundos no boxe e voltou em terceiro, de onde, obviamente, não saiu mais.

Webber foi quem lucrou com isso. Àquela altura, procurava abrir vantagem o suficiente, ainda com o jogo de pneus supermacio, para fazer a parada e retornar à frente do terceiro colocado, Fernando Alonso, tão absurda era a superioridade da RBR sobre as demais equipes na Hungria. Com a bobeada de Vettel, acabou voltando em primeiro.

Mas Webber mereceu porque foi extremamente competente ao andar rápido sem deteriorar seus pneus. O australiano acabou dando incríveis 42 voltas com o composto mais macio, baixando o tempo diversas vezes até parar e voltar com folga na frente. Um desempenho para mexer com a cabeça dos engenheiros em relação à utilização dos pneus. Assim, Webber foi 10 no quesito técnico de pilotagem. Logo que terminou a prova ele beijou o carro, mas também merecia ser beijado pelo bólido, que foi muito bem tratado por seu piloto.

Mas o grande momento da corrida – e provavelmente do campeonato até aqui – foi a ultrapassagem de Rubens Barrichello sobre Michael Schumacher a poucas voltas do fim numa insana luta pelo décimo lugar. Lógico, não era apenas a disputa por um ponto que estava em jogo, há toda aquela história dos maus bocados que Barrichello passou com Schumacher na Ferrari.

O lance é que Barrichello foi o único piloto a largar com os pneus duros. A ideia devia ser ficar o máximo de tempo na pista e ganhar posições com a parada dos outros, garantindo uma vantagem que permitisse uma volta dos boxes, já no fim da prova, numa boa posição. E para isso ajudou bastante sua largada, pulando do 12º para o nono lugar. Mas todo seu planejamento, fosse qual fosse, foi por água abaixo com a entrada do safety car ainda na 15ª volta.

Daí que Barrichello ficou na pista e se aboletou na quinta colocação. Com o travamento do circuito, porém, todo mundo atrás vinha em fila indiana e apenas por ter dado um gás antes do pit stop conseguiu voltar em 11º lugar, quando corria o risco de voltar ainda mais atrás, na 13ª posição. E quando voltou estava a quase dez segundo do 10º colocado, justamente Michael Schumacher. Mas a Williams de Barrichello voltou voando e logo colou na traseira da Mercedes do alemão. Só que ultrapassar em Hungaroring é realmente algo inimaginável caso não haja um vacilo de quem está na frente.

Mas Barrichello chegou no alemão e decidiu que ia passar. Foi com tanta vontade que a transmissão oficial ignorou os líderes da prova (inclusive com Vettel a menos de um segundo de Alonso, mas sem arriscar) para ficar com as imagens do duelo dos dois reconhecidos desafetos. Faltando quatro voltas, Barrichello conseguiu entrar na reta dos boxes quase dentro do cockpit de Schumacher e em frente aos boxes tirou para a direita para fazer a ultrapassagem. O alemão não se fez de rogado e simplesmente espremeu o brasileiro contra o muro. A Williams não tocou o concreto por… sei lá, ínfimos centímetros, a imagem deixa até a impressão de uma raspada. Para sorte de Barrichello, o muro acabou a tempo, como numa típica cena das aventuras de Indiana Jones. Mas como estava completamente fora da pista, ainda havia a grama pela frente. Barrichello pensou rápido e deu um “chega pra lá” no inimigo, chegando na curva já à frente. Sensacional.

Eu achei espetacular. Foi daquelas ultrapassagens para entrar na antologia da Fórmula 1. Schumacher exagerou e acabou punido com 10 posições na próxima corrida. E Barrichello foi excelente. Vive um grande momento e o trabalho que faz na Williams o coloca como um dos destaques da temporada. Me lembro de ter escrito há alguns meses que os carros da Williams pareciam autistas, vivendo uma competição à parte durante as provas, pois só estavam à frente dos carros daquelas três escuderias de mentirinha (Lotus, Hispania e VRT), o que não conta coisa alguma, já que perto das demais eram verdadeiras carroças. Aos poucos, porém, o veterano brasileiro vai dando jeito no carro e hoje a Williams já consegue aparecer com frequência no Q3 de classificação e fazer umas graças até para cima da Mercedes e da Renault, o que não ocorria no início do ano.

Vale destacar também a incrível trabalhada que algumas equipes fizeram quando o safety car entrou na pista e quase todo mundo foi para o boxe. Nico Rosberg, que vinha lá na frente, foi tirado da corrida por um pneu mal colocado. Foi só sair da parada e o pneu soltar, passando com velocidade por entre os mecânicos, estourando num muro e quicando incrivelmente alto por pelo menos três vezes, ameaçando ferir gravemente alguém que por (má) ventura fosse atingido. O bom Robert Kubica foi outra vítima. Seu mecânico o liberou para sair no instante que Adrian Sutil chegava para sua troca de pneus, bem à frente. Os carros acabaram batendo ali mesmo e ali mesmo ficou Sutil. Kubica ainda conseguiu voltar, mas só para fazer figuração por mais algumas voltas. Lamentável.

Lewis Hamilton foi traído por sua McLaren, Jenson Button teve um fim se semana para esquecer (largou muito atrás, o que em Hungaroring é fatal), Alonso conseguiu um segundo lugar muito bom e Felipe Massa, beneficiado pelos azares de Kubica e Rosberg, conseguiu ao menos superá-los na classificação do campeonato com o quarto lugar que conquistou. Num raro momento de serenidade, Vettel decidiu não arriscar para cima de Alonso e garantir os preciosos pontos que o terceiro lugar lhe garantia. Mas talvez valesse apenas ver se Alonso arriscaria o pódio pelo segundo lugar.

Enfim: emoção mesmo, só o duelo Barrichello x Schumacher e as trapalhadas nos boxes. Pouco, muito pouco para o que se espera de uma competição de automobilismo, mas até muito para o que vem sendo a Fórmula 1.

Colocação final após as 70 voltas do GP da Hungria:

1 – Mark Webber (AUS/RBR-Renault) – 1h41m05s571
2 – Fernando Alonso (ESP/Ferrari) – a 17s821
3 – Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) – a 19s252
4 – Felipe Massa (BRA/Ferrari) – a 27s474
5 – Vitaly Petrov (RUS/Renault) – a 1m13s100
6 – Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth) – a 1m16s700
7 – Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari) – 69 voltas
8 – Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – 69 voltas
9 – Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) – 69 voltas
10 – Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth) – 69 voltas
11 – Michael Schumacher (ALE/Mercedes)- 69 voltas
12 – Sebastien Buemi (SUI/STR-Ferrari) – 69 voltas
13 – Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes) – 69 voltas
14 – Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth) – 67 voltas
15 – Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth) – 67 voltas
16 – Timo Glock (ALE/VRT-Cosworth) – 67 voltas
17 – Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth) – 67 voltas
18 – Lucas di Grassi (BRA/VRT-Cosworth) – 68 voltas
19 – Sakon Yamamoto (JAP/Hispania-Cosworth) – 68 voltas

Não chegaram:

Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) – 23 voltas
Robert Kubica (POL/Renault) – 23 voltas
Nico Rosberg (ALE/Mercedes) – 15 voltas
Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes) – 15 voltas
Jaime Alguersuari (ESP/STR-Ferrari) – 1 volta

Classificação do Mundial de Pilotos após 12 provas:

1º) Mark Webber – 161
2º) Lewis Hamilton – 157
3º) Sebastian Vettel – 151
4º) Jenson Button – 147
5º) Fernando Alonso – 141
6º) Felipe Massa – 97
7º) Nico Rosberg – 94
8º) Robert Kubica – 89
9º) Michael Schumacher – 38
10º) Adrian Sutil – 35
11º) Rubens Barrichello – 30
12º) Kamui Kobayashi – 17
13º) Vitaly Petrov – 17
14º) Vitantonio Liuzzi – 12
15º) Nico Hulkenberg – 10
16ª) Sebastien Buemi – 7
17ª) Pedro de la Rosa – 6
18ª) Jaime Alguersuari – 3

Classificação do Mundial de Construtores:

1º) McLaren -Mercedes – 312
2º) Red Bull -Renault – 304
3º) Ferrari – 238
4º) Mercedes – 132
5º) Renault – 106
6º) Force India-Mercedes – 47
7º) Williams -Cosworth – 40
8º) Sauber-Ferrari – 23
9º) STR-Ferrari – 10
10º) Lotus-Cosworth – 0
11º) VRT-Cosworth – 0
12º) Hispania-Cosworth – 0

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Publicado por em 2 de agosto de 2010 em Automobilismo, Esporte, Fórmula 1

 

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