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IMPRENSA ► Descaso com informação até em cadernos especializados

03 ago

A desinformação grassa na imprensa brasileira, em especial na esportiva. Fosse apenas por interesses escusos, já seria triste. Mas o pior é que muito ocorre por incompetência mesmo. Impressionante como uma profissão responsável por cuidar de boa parte da História anda sendo exercida nas coxas mesmo pelos principais veículos de comunicação.

Não sei exatamente o que acontece, mas suspeito. Lógico que as redações estão repletas de gente jovem e há quem possa argumentar que eles não conhecem direito a História, não viram muita coisa e coisas afins. Não acho que isso seja justificativa. O problema, para mim, passa pelos patrões, que não se preocupam em bem informar, apenas em vender e por isso ignoram qualquer tipo de controle de qualidade do material que veiculam.

Essa situação agravou-se paulatinamente a partir da informatização das redações. Algum gênio achou que as empresas lucrariam mais dispensando revisores e aproveitando a tecnologia para que o próprio repórter lançasse seus textos online. O que se viu foi o que já se sabia: nem sempre um bom repórter é um bom texto e muitas vezes um bom revisor salva um mau repórter de assinar matérias repletas de erros de informação.

A questão da idade é inteiramente irrelevante, porque um bom profissional pesquisa. E hoje, com a internet e a globalização, não há qualquer entrave para isso, muito pelo contrário. É só querer e ter competência para fazê-lo. Nos meus tempos de faculdade, após a impressão do jornal laboratório a turma se reunia com os professores orientadores e discutia página por página para avaliar o produto final e corrigir erros. Havia esse cuidado no passado. Isso é feito hoje na imprensa? No que é publicado online, então, é uma verdadeira vergonha o que acontece, porque a facilidade para se corrigir informações erradas é imensa, mas não parece haver muita preocupação quanto a isso.

Por isso não espanta que durante a recente Copa do Mundo da África do Sul, um jornal de porte (de porte, não de qualidade…) como O Globo publique em seu caderno de esportes uma matéria de certo tamanho, ocupando bom espaço de página, cuja pauta por si só é completamente equivocada.

A matéria chamava a atenção para o fato de que as alterações no time de Dunga seriam um bom sinal, porque sempre que foi campeão mundial o Brasil não repetiu a escalação titular em todos os jogos. Até aí tudo bem, mas logo adiante, uma tremenda gafe: “À exceção de 1970, no México, quando o Brasil não alterou a escalação titular do primeiro ao último jogo.” Mas como assim?

Juro que não precisei pesquisar nada. E nem é por causa dos meus 45 anos. Basta gostar de futebol e ter visto alguns dos sem número de reprises de jogos de Copas do Mundo exibidas especialmente nos meses que antecedem a competição, o que é uma obrigação para um jornalista esportivo que vai cobrir o evento.

Logo de cara lembrei que Gérson não jogou numa das maiores partidas da História dos Mundiais, senão a maior, Brasil x Inglaterra. Contundido, foi substituído por Paulo Cesar. Depois, já classificado, houve alterações também contra a Romênia. Lembro que Fontana jogou na zaga. Mais não digo porque realmente não pesquisei, apenas para deixar claro o absurdo e a grosseria do erro. E pesquisar é o mínimo que um profissional que ganha dinheiro para isso deve fazer, especialmente quando fala de História.

O profissional dos veículos de comunicação de nossos dias parece não ter a menor noção da relevância de sua produção. O jornalista produz História. O pior é que alguém mais desavisado, daqueles que ainda creem em tudo que sai na imprensa, acaba tomando essas coisas como verdade. E um pesquisador no futuro pode dar o azar de cair numa página com erros assim e acabar também tomando o erro como verdade. E assim a mentira vai se perpetuando através dos tempos. Lamentável.

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Publicado por em 3 de agosto de 2010 em Imprensa

 

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