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IMPRENSA ► É bom não esquecermos o lado de cada um

09 set

Nesta época de campanha eleitoral, em que vemos jornalões fazendo de tudo para impor sua vontade, desesperados com uma iminente nova derrota nas urnas, gosto de deixar claro que a vontade “deles” não é a minha ou a do povo brasileiro em geral. E isso não é uma mera opinião, é fato. A História está aí mesmo para provar.

Por conta disso, tomo a liberdade de reproduzir o editorial do jornal (?) “O Globo” de 2 de abril de 1964, logo após o golpe militar que vitimou o Brasil por décadas que pareciam sem fim. Quer dizer, sem fim para mim e para o povo, porque para a “Folha de São Paulo”, por exemplo, nós vivemos apenas sob uma ditabranda…

Vi o texto no blog Acerto de Contas e é de lá que o reproduzo. Aqui, o link original.

*** *** ***

“Ressurge a Democracia”

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.
Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

*** *** ***

Alguém poderá pensar: “Ah, mas isso foi no passado…” Não, não foi. Passado e presente são indistintos em relação às Organizações Globo. Nada faz crer que será diferente no futuro. “Eles” continuam pensando do mesmo modo que 50 anos atrás.

Sempre faço imensa questão de frisar que a civilização evolui com o tempo e muitos pedem perdão em relação a erros cometidos ao longo da História. É assim que crescemos e evoluímos, reconhecendo erros, aprendendo e nos aperfeiçoando. Desse modo, a Alemanha vive pedindo perdão pelo Holocausto; o Japão, pelas atrocidades cometidas na China; a Igreja Católica, pela Inquisição e também pela omissão no Holocausto… E por aí vai. Exemplos não faltam.

Mas “O Globo” e sua família midiática jamais se desculparam por ter apoiado a ditadura. Jamais se desculparam por um editorial desses. E não seria difícil, bastaria alegar algo tipo um “erro de avaliação”, um “sempre tivemos em mente o melhor para o Brasil” ou coisas assim.

Só que, no fundo, entendo a falta dessa retratação pública, pois, na verdade, eles ainda acham que estavam certos. Como acham que estão certos sempre que vão contra a vontade popular. Como hoje.

Só poderiam dispensar o discurso hipócrita e assumir seu lado honestamente.

Da mesma forma que assumo o meu.

É minha opinião.

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Publicado por em 9 de setembro de 2010 em Brasil, Imprensa, Política

 

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