RSS

FUTEBOL ► O que é pior? O pênalti ou o comentarista que diz que um lance desses é pênalti?

14 set

Quando digo que há mais coisas entre as quatro linhas do campo e as arquibancadas…

Quando o Engenhão foi inaugurado, jogaram Fluminense e Botafogo. Lá pelas tantas, um lance disputado na entrada da área do meu tricolor acabou em pênalti assinalado pelo árbitro Evandro Rogério Roman, muito bem colocado. Vendo o lance, fica claro que o zagueiro Roger, do Fluminense, é empurrado na altura do peito por André Lima. Deslocado em cima, acaba perdendo posicionamento e acerta o atacante alvinegro embaixo. Mas, além disso, a imagem também mostra, nitidamente, que Roman se posiciona para acompanhar a dividida da jogada no chão, até arqueando o corpo: ele simplesmente não vê o que acontece acima da cintura dos jogadores. Lembro que, por isso, nem critiquei o árbitro, apenas lamentei. Isso foi apenas um erro e nem foi erro de interpretação. O juiz apenas não viu. E o que viu, marcou. Isso é algo totalmente aceitável no futebol. O erro, assim, faz parte. O que não é aceitável é o dolo ou ações que nos fazem desconfiar disso, da integridade da competição.

Sábado passado, o Corinthians ganhou mais um pênalti de presente da CBF. Desta vez, por intermédio do árbitro alagoano Francisco Carlos Nascimento.

Ou esse sujeito é completamente inepto para a prática da arbitragem de futebol ou há algo por trás disso. É muito pênalti estranho para um lado só.

Quando há um pênalti dito duvidoso para lá, outro para cá, podemos dizer que isso “faz parte do futebol”, “o juiz erra para os dois lados” etc. Mas quando há uma sucessão de pênaltis, expulsões e outros lances de jogo sempre para o mesmo lado, queixa recorrente dos adversários corintianos, aí já há um padrão passível de desconfiança.

Veja que, mais uma vez, inclusive, nem foi o caso de ser um lance duvidoso. Muito pelo contrário: um pênalti assim é motivo de riso e escárnio em qualquer lugar do mundo. Um desserviço ao nosso futebol. O zagueiro Vilson, do Grêmio, nada fez. Pelo contrário, o meia Bruno Cesar, do Corinthians, é que faz uma cena como deixa para o suspeito juiz (é minha opinião, quem marca um treco desses têm que se sujeitar a esse tipo de avaliação) apontar a marca penal. O juiz, por sinal, que estava em cima da jogada (não se pode condenar um juiz quando ele não está bem colocado, se bem que há quem se coloque mal com fins escusos). E mais: expulsar o zagueiro e deixar o adversário do Corinthians com um homem a menos em campo.

Foi só mais um dos pênaltis mal marcados para o Corinthians no ano de seu centenário neste Brasileirão. E ainda há gente de lá do Parque São Jorge questionando arbitragens dos jogos do Fluminense… Como diria o Garoto Prodígio: “Santa hipocrisia!”

O Fluminense, diga-se de passagem, que perdeu um jogo para o Atlético Goianiense, em Goiânia, que deveria ter vencido, pois foi melhor quase o tempo inteiro. Mas perdeu sem choro nem vela, com uma ótima arbitragem do capixaba Wallace Nascimento Valente. Após uma justíssima expulsão de um jogador local, fiquei esperando a natural compensação: faltas invertidas, um cartão vermelho tricolor… Mas nada. Ele levou a partida até o fim sob o mesmo critério. Excelente. Coisa rara no nosso futebol.

Mas pior que os pênaltis inventados para o Corinthians e as estranhas escalas para sorteio das arbitragens, como bem levantou Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, é o pessoal do canal a cabo SporTV (que detém os direitos de transmissão), assim como em 2005, se comportar como se valesse tudo para o Timão. Injustificável para um canal de esportes – mas não totalmente estranho quando lembramos que se trata de uma emissora das Organizações Globo.

Tudo tem a ver com credibilidade. A opinião pode ser diferente da sua, mas é preciso acreditar que o que é dito sai da cabeça de quem comenta sem nenhuma segunda intenção, refletindo apenas seu entendimento de uma situação. Costumo sempre dizer que por isso só acompanho futebol basicamente nos canais ESPN. Não por concordar com tudo que dizem por lá, até bem pelo contrário, mas por respeitar. Acho que são pessoas que levam a sério a profissão, acompanham muitos jogos de diversos campeonatos, se dedicam a isso e, assim, sabem do que estão falando. E que expressam seu livre pensar. Se vou concordar ou não com a opinião deles, aí é outra coisa.

Ninguém no SporTV, por exemplo, contesta nada em relação ao campeonato. Pelo contrário, lá se justifica tudo. Até erros (ou “erros”) de arbitragem.

Só no SporTV acha-se que isso foi pênalti. Esse Wagner Vilaron, comentarista da partida, sendo um sujeito decente, bem intencionado, mostrou-se desqualificado para analisar futebol. Ele acha que isso foi pênalti? Então não entende nada de bola. Sinto muito. Se um lance desses vira pênalti na várzea, o jogo termina em pancadaria. Agora, se ele entende de futebol, pior ainda: seus comentários tornam-se suspeitos. Não é questão de opinião. Opinião é livre e cada um tem a sua. É questão de fato: não foi pênalti. Não cabe outra interpretação.

Vale ressaltar como, após a rodada de sábado, os dois comentaristas no pós-jogo do canal (não lembro os nomes), fizeram suas participações iniciais.

O primeiro começou com algo tipo “mais uma vez um fato recorrente nos jogos do Corinthians…” Eu fiquei achando que ele ia comentar o pênalti mal marcado ou ao menos a marcação de mais um pênalti, mas não, ele referia-se apenas a mais uma cobrança desperdiçada pelo Corinthians…

O segundo entrou dizendo, meio sorrindo, que o Fluminense desperdiçou uma ótima oportunidade de abrir vantagem sobre o Corinthians no campeonato. Espera aí! Quem jogou em casa foi o Corinthians e quem está caçando também é o Corinthians. Obviamente, o Corinthians é que desperdiçou a maior chance, como, aliás, fez questão de frisar o bom goleiro Júlio Cesar: se vence, vai ao Rio de Janeiro no meio da semana em vantagem. Perdeu e agora, mesmo que vença, continuará atrás, ainda que com um jogo a menos (aquele da folga que a CBF deu para comemorar o centenário…). Ambos os resultados foram ruins e até pouco aceitáveis para quem pretender ser campeão, mas o prejuízo maior foi corintiano, por estar atrás.

Como disse Mauro Cezar da ESPN Brasil, para o bem do futebol o Corinthians perdeu o jogo contra o Grêmio. Virasse ou empatasse assim e muita coisa ruim para o campeonato poderia advir daí.

E ainda pode. As torcidas adversárias estão todas, com justas razões, desconfiadas das arbitragens nos jogos do Corinthians, o que gera muita tensão nas arquibancadas.

Alguém imagina o que pode acontecer no Rio de Janeiro, quarta-feira, se o juiz marca um pênalti desses contra o Fluminense a favor do Corinthians? Sei não, seria difícil a noite terminar sem confusão no Engenho de Dentro…

Para o bem do futebol, então, tudo o que se quer é que os jogadores joguem e que os árbitros apitem, mesmo mal, mas honestamente, para que as partidas sejam decididas esportivamente dentro de campo.

Este campeonato já está irremediavelmente maculado, mas ainda há tempo para evitar uma completa desmoralização.

O que seria péssimo para uma competição que nos anos recentes teve um campeão beneficiado por esquema de armação de resultados, outro por adversários que entregaram jogos, estranhas intervenções do STJD em momentos decisivos e daí por diante.

É minha opinião.

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 14 de setembro de 2010 em Futebol

 

Tags: , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: