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RIO DE JANEIRO ► Aconteceu, virou manchete – mas depende de onde

Outro dia o Rio de Janeiro e sua “grande sociedade” ficou em polvorosa. Tudo porque uns marginais interceptados pela polícia tiveram a intempestiva ideia de refugiar-se em um hotel de São Conrado, fazendo hóspedes de reféns na desesperada tentativa de não perder a liberdade. Deu errado, claro.

Mas foi primeira página pra cá, blocos inteiros de jornais televisivos pra lá, teses sobre a violência daqui, hipóteses sociais de lá… Muita filosofia de botequim travestida de ensaio acadêmico.

Enfim, como se nada disso acontecesse no resto da cidade. Ah, é, mas que cidade?

Como diz o título daquele livro de Zuenir Ventura, deve ser a tal da cidade partida. A parte “de lá” do túnel (o Rebouças, que liga a Zona Norte à Zona Sul) e a parte “de cá”. O “cá” é a Zona Norte, de onde escrevo.

A notícia que reproduzo abaixo deu no portal do “O Dia”, mas não foi capa do “O Globo” nem rendeu especiais sobre violência ou chocou a “grande sociedade” carioca. Citação em novela? Passeata na praia de Copacabana ou Ipanema? Nem pensar. O link original é este aqui.

*** *** ***

Atentado a bala contra casal termina com mulher morta
Criança de três anos, que estava no colo dela, escapou ilesa

POR MARCO ANTONIO CANOSA

Rio – Um atentado a bala contra um casal, na Baixada Fluminense, na noite desta segunda-feira, terminou com uma mulher morta, um homem baleado e uma criança de 3 anos milagrosamente salva. O crime aconteceu no bairro Ponto Chique, em Nova Iguaçu.

O pintor Marcelo Santos Gomes, 30 anos, voltava da casa do sogro com a mulher, Ana Paula Rodrigues, 27, e a filha de apenas 3 anos em seu Gol com vidros filmados, quando, na Rua Geni Saraiva, um carro de cor e marca não identificados, emparelhou com ele e mais de 20 tiros de pistolas foram disparados.

A mulher tentou sair do carro, mas acabou atingida por um tiro na cabeça e morreu na hora. A filha de três anos que estava em seu colo não foi atingida.  Marcelo, atingido por vários tiros, foi socorrido e levado para o Hospital da Posse, onde está internado.

A polícia ainda não tem pistas sobre os motivos ou autores do crime, mas suspeita que Marcelo pode ter sido confundido, pois os criminosos teriam fugido assim que perceberam que erraram o alvo. O pintor ou sua mulher não tinham passagens pela polícia e, segundo familiares, não tinham inimigos.

A 58ª DP (Posse) que está investigando o caso, vai levantar com parentes da vítimas se o carro foi emprestado a alguém nos últimos dias ou se o antigo dono tinha algum motivo para ser alvo de assassinos. A hipótese de tentativa de assalto foi praticamente descartada por causa da quantidade de tiros disparados contra o carro do casal.

*** *** ***

Sabe aquelas perguntas páginas do lead jornalístico? O quê, quem, onde, quando, como e por quê? Pois é, ao menos aqui no Rio de Janeiro, para boa parcela da imprensa e da sociedade, só importa o onde.

É minha opinião.

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