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POLÍTICA ► José Serra: a versão política da denúncia vazia

Sabe aquela denúncia vazia imobiliária? Aquela que permite rescindir uma locação sem a obrigação de apresentar motivo ou necessidade da retomada do imóvel?

Pois é, a candidatura José Serra, para mim, não passa de uma versão política disso: uma “campanha vazia”.

Uma campanha vazia que, apoiada por uma azeitada máquina partidária travestida de órgãos de imprensa, tenta empurrar goela abaixo do eleitor um candidato que não tem nada de bom a oferecer a ele. Ou ao menos – e principalmente – nada de melhor que a candidata do governo, Dilma Rousseff, ofereça.

Eventualmente, a pressão é tamanha que acaba confundindo uma parte do eleitorado e é com isso que contam para voltar ao poder aquelas mesmas forças retrógradas que escravizaram o país durante cinco séculos.

Até agora não entendi o que pretende a candidatura José Serra. Através de seu discurso, ele quer convencer o eleitor de que vai continuar o bom trabalho do presidente Lula. Ora, ele passou oito anos diminuindo os programas sociais de Lula, criticando a política externa do atual governo, defendendo as privatizações de FHC… Mudou de ideia agora?

E se é para continuar, seguir em frente, seguir mudando, obviamente que é melhor manter quem já está lá. E está lá fazendo.

Depois, quem garante que ele vai dar continuidade, fazer o que está prometendo? Os fatos mostram que Serra não é lá muito de se apegar à própria palavra. Já assinou documento dizendo que não ia deixar um cargo público para concorrer a outro e… deixou.

Outro dia assisti pela primeira vez a um programa inteiro deste segundo turno das eleições presidenciais.

O que me espanta na campanha José Serra é como ela é capaz de utilizar, sem maior criatividade, discursos e práticas dos piores momentos de movimentos elitistas, udenistas, fascistas ou qualquer outro “ista” do (mau) gênero da história do Brasil.

São táticas apócrifas, usadas desde sempre – normalmente, por quem está do lado errado da História. Só falta a campanha José Serra dizer que a Dilma come criancinhas. Aliás, não falta, né? A esposa do candidato do PSDB já disse isso…

E o que foi aquela mulher na televisão dizendo “Dilma, cá entre nós…?”, abordando o caso Erenice naquele programa?

São coisas tão sem sustentação, chegando às raias da patetice, que, se eu fosse marqueteiro da Dilma, colocaria no dia seguinte uma atriz falando “Serra, cá entre nós…” e questionando, por exemplo, a ação da filha dele, Verônica, ao lado de outra Verônica, irmã de Daniel Dantas (aquele…), no caso do vazamento de dados de 60 milhões de contribuintes para benefício da empresa da qual elas eram sócias.

Tipo “se é para avacalhar, vamos avacalhar também” e assim expor o ridículo desse tipo de estratégia.

Mas o mais hipócrita é ver José Serra gastando quase um programa inteiro falando de saúde, que vai fazer isso, que vai fazer aquilo e não sei o que mais.

Fala sério 1: José Serra FOI ministro da Saúde no segundo governo Fernando Henrique Cardoso (aquele garantido pela indecente emenda da reeleição). Por que não fez?

Fala sério 2: Jose Serra FOI ministro do Planejamento do primeiro governo FHC: por que não fez?

José Serra não é o novo. É o velho. E o velho ruim. Ele já esteve lá, Já teve poderes. E não fez. Nem teve interesse em fazer. Ou ele ou o governo para o qual trabalhou. Como imaginar que agora seria diferente?

Também me chamou a atenção na TV a ênfase de Serra em dizer que é preciso fazer um governo para todos por igual, sem diferenças. Obviamente, o discurso do presidente Lula de que sua prioridade é trabalhar para os mais pobres incomoda o PSDB e o DEM.

Quem vota em José Serra que me desculpe, mas o único argumento que considero válido é o medo de perder o status de elite com a ascensão ao consumo e a certos prazeres da vida de uma classe que jamais viveu de privilégio. Há muita gente que tem medo de mudanças assim e isso é até compreensível, vá lá. Não justificável, mas compreensível.

E há também uma parcela de eleitores irremediavelmente recalcada e/ou preconceituosa que não aceita o sucesso de um torneiro mecânico no comando do país, o que não é justificável em hipótese alguma.

Enfim, a candidatura José Serra é vazia de ideias e argumentos. É apenas retrocesso. Só isso.

É minha opinião.

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  1. 14 de outubro de 2010 às 13:00

    Belo texto. Conciso, incisivo e de boa leitura. Faz história.
    Vamos repassar a frase: “Serra, por que não fez?”
    Sergio

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  2. Fábio Duarte
    14 de outubro de 2010 às 15:58

    Ótimo texto David! A campanha do Serra esta apelativa, baixa, ridicula. Mas isso é normal vindo deles.
    O pessoal deveria ler mais sobre a história real do Serra com os genéricos, e o que ele fez de verdade, junto com o FHC.

    DILMA 13! PRO BRASIL SEGUIR MUDANDO!

    Abração 😀

    Curtir

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