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NBA ► Temporada 2010/2011 da NBA começa ainda sob o impacto da chegada de LeBron James ao Miami Heat

03 nov

A nova temporada da NBA começou ainda a sob o impacto da transferência de LeBron James do Cleveland Cavaliers para o Miami Heat. Com ele, chegou também, direto do Toronto Raptors, Chris Bosh. E todas as atenções voltaram-se para o trio reunido sob o comando de Pat Riley: LeBron, Bosh e Dwyane Wade.

Voltando lá ao início, acho que LeBron saiu de Cleveland da pior forma possível. Expôs a cidade e a franquia – a si próprio também – ao ridículo ao fazer aquele surreal programa de uma hora de extremo egocentrismo para anunciar que dava um pé na bunda deles e partiria para Miami, para jogar com Bosh e Wade.

A situação agravou-se com a especulação de que as transferências de Bosh e James haviam sido combinadas com Wade durante os Jogos Olímpicos de Pequim. E isso é algo que pega muito mal para dois jogadores acusados de não serem decisivos na hora H como não foram James e Bosh em Cleveland e Toronto.

Hoje, meses depois, o próprio LeBron James admite que, se pudesse, faria de forma diferente, o que é bem legal da parte dele. Mostra uma evolução como pessoa. Seguindo assim, talvez um dia deixe de ser a pessoa mais odiada de Cleveland e cidade e astro façam as pazes, ao menos para um relacionamento cordial.

Mas aquele programa na TV foi ridículo. Uma das coisas mais ególatras que já vi na telinha. E olhe que vejo de tudo com o controle remoto na mão. Aliás, em se tratando de esporte, foi a mais patética e desrespeitosa saída de uma antiga casa que se poderia imaginar. Daquelas coisas que servirão para esquetes em programas de humor durante anos.

Outro ponto negativo para o astro da camiseta 23 é que o suposto acerto da transferência dois anos antes serviu para levantar suspeitas sobre seu esforço em partidas decisivas. Torcedor quando perde adora alguém ou algo que sirva de bode expiatório e LeBron deu margem a isso. Não endosso em hipótese alguma essa ideia, até porque acho que, na verdade, ele ainda carece desse poder de decisão. Mas vá explicar isso aos torcedores em Cleveland…

E o pessoal de lá ainda diz que LBJ não se esforçou o suficiente nos playoffs passados porque se conquistasse um anel seria muito mais difícil deixar a cidade. E a maneira como agiu o fez jocosamente ser muito comparado a Mike Tyson – e não a Michael Jordan.

Mesmo Bosh foi acusado de não se empenhar o suficiente. Ele jura que não, mas em Toronto não há quem acredite nisso. No início do ano comentei sobre Bosh com um amigo daquela cidade canadense. Ele mais ou menos deixou entender que o ótimo power forward era muito estrela para pouco resultado.

Um paralelo foi traçado de maneira particularmente negativa para Bosh e LeBron. Ambos alegaram contusões que desfalcaram seus times nos playoffs ou justificaram um slown down em seu ritmo. Mas os torcedores de Cleveland e Toronto lembraram que Kobe Bryant, a despeito de sérias e simultâneas lesões, não deixou a quadra a não ser nas últimas partidas da temporada regular, quando tudo estava encaminhado para o Los Angeles Lakers vencer o Oeste. De quebra, ainda levou a franquia a mais um título numa épica série final contra o Boston Celtics.

O argumento de que LeBron James apenas escolheu um melhor time é bom e convincente para um role player. Não para um superstar. Há quem diga “ah, mas Magic Johnson teve Kareem Abdul-Jabbar e James Worthy no Lakers, Jordan teve Scott Pippen no Bulls, Larry Bird tinha Kevin McHale e Robert Parrish no Celtics…”

Mas todos esses eram times de um dono só: era o Lakers de Magic, o Bulls de Jordan e o Celtics de Bird. Nunca houve qualquer duvida a respeito disso. Os demais, inclusive os astros citados, giravam na órbita dessas estrelas maiores. Não se viu nem se imaginou nenhum time vitorioso montado em torno de Scott Pippen, McHale ou Worthy. Não é assim que a banda toca.

LeBron, assim como Bosh, foi jogar no time de Dwyane Wade.

Melhor seria ter saído discretamente de Cleveland e assumido que não tem tino para ser “o” cara, mas “um” cara a mais, excelente, mas mais um. Um cara de grupo, de jogo coletivo, de equipe etc.

Por enquanto, com uma semana de temporada regular, LeBron tem jogado assim, como facilitador, recuando mais para a armação e deixando a finalização das jogadas principalmente para Wade -afinal, o dono do Heat.

Enfim, vencer não é tudo na história da NBA. John Stockton e Karl Malone estão aí mesmo para provar, inclusive com aquela infrutífera e desesperada tentativa de Malone conseguir um anel juntando-se a um Lakers já destroçado internamente. Malone não precisava de um anel para deixar seu nome na história da NBA. Como não precisou. Assim como Charles Barkley, Patrick Ewing e tantos outros.

Para mim, a maneira como LeBron agiu o colocou no lado errado dessa história. Caberá a ele corrigir isso agindo com um pouco mais de humildade, jogando muito basquete e, de preferência, conquistando títulos – mas sempre, doravante, no time de Dwyane Wade.

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Publicado por em 3 de novembro de 2010 em Basquete, Esporte, NBA

 

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