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FÓRMULA 1 ► Vettel vence em Abu Dhabi e se torna o mais jovem campeão da história da Fórmula 1

15 nov

Foi assim: Vettel fez a pole e largou na frente. Logo, chegou na frente. Se o carro não quebrar, o piloto não errar ou a parada nos boxes for uma tragédia, é o que acontece na maioria dos atuais circuitos de Fórmula 1. Fernando Alonso se atrapalhou na largada e ficou na limítrofe posição que lhe garantiria o título, mas um acidente logo na primeira volta entre Michael Schumacher e Vitantonio Liuzzi levou alguns pilotos a trocarem logo de pneus, o que fez o espanhol acabar irremediavelmente encalacrado atrás de Vitaly Petrov e, mais à frente, Robert Kubica e Nico Rosberg, dando adeus ao tricampeonato. Mark Webber começou e terminou atrás de Alonso e só pode ver o agora desafeto colega de equipe festejar. Assim Vettel se tornou o mais jovem campeão da história da Fórmula 1.

Resumindo: foi uma corrida chata à beça. Incrível como um autódromo deslumbrante como o de Abu Dhabi pode ter uma pista tão ruim e sem qualquer ponto decente de ultrapassagem. Para se ter uma ideia, Lewis Hamilton, sonhando em chegar em Vettel, e Alonso, tentando deixar Kubica para trás, passearam diversas vezes fora da pista, por absoluta falta de espaço para a manobra. Felipe Massa, ao sair dos boxes, deparou-se com a STR de Jaime Jaime Alguersuari e ali ficou as dezenas de voltas que faltavam para o fim da prova.

Lá no início dos anos 80, mais precisamente entre 1980 e 1982, uma das maneiras que meus colegas de segundo grau e eu matávamos os tempos vagos no colégio era disputando corridas de lápis e canetas escorregando em autódromos que desenhávamos nos cadernos. Hoje ninguém deve sequer imaginar o que seja isso, já que a automação até do lazer diminui a criatividade da garotada. Mas enfim… Para nossas “corridas”, criávamos pistas de todos os tipos, sempre com, ao menos uma grande reta para ultrapassagem. Normalmente, duas: uma reta principal e uma oposta, como havia no falecido autódromo do Rio de janeiro, com sua reta dos boxes e o grande retão das arquibancadas. Fazíamos isso para que nossos “carros” tivessem onde ultrapassar os adversários.

Parece que essa ideia, hoje, ideia de ultrapassagem, não passa pela cabeça de quem ganha fortunas para criar os novos autódromos. São todos umas belas porcarias, para ser bem direto. Uma pista como a de Mônaco vá lá, pela tradição que até garante charme ao esporte. Mas nada justifica um sujeito fazer um circuito com um traçado como o de Abu Dhabi. É uma estupidez.

O campeão acabou sendo Sebastian Vettel. Entre erros aqui e azares ali, acabou valendo-se do melhor carro. Poderia ter sido mais fácil, já que fez 10 poles ao longo da temporada, o que, na maioria dos circuitos, uma pole praticamente garante a vitória do piloto.

Fernando Alonso foi o vice, com um trabalho fantástico. Seu carro era nitidamente inferior às RBR e às McLaren. Tinha mesmo dificuldades para encarar as Renault e as Mercedes. Ainda assim, por pouco não conquistou seu terceiro título. Não vejo nenhum sentido no choro de alguns jornalistas brasileiros, em especial nas transmissões televisivas, dizendo que, se Alonso não fosse campeão com mais de sete pontos de diferença, haveria uma mancha, por causa da corrida que Felipe Massa cedeu para ele lá ainda no meio da temporada. Acho o raciocínio inteiramente equivocado, torto. Muito pelo contrário: um campeonato conquistado por sete pontos ou mais apenas mostraria o quão acertada foi a decisão da Ferrari em ordenar a Massa que deixasse Alonso passar. Óbvio. Foi uma visão estrategista em prol da conquista do campeonato, que quase veio. O resto é choro bobo.

Mark Webber foi bem mais regular que Vettel, mas perdeu o campeonato nos treinos classificatórios dos sábados. As poles de Vettel fizeram a diferença e o australiano ficou devendo no grid e nas largadas.

Lewis Hamilton foi valente e até intempestivo até o fim e, na verdade, não fossem duas corridas absolutamente infelizes, poderia até sido novamente campeão. Mas não há que reclamar de infelicidade se comparado aos azares de Jenson Button durante o ano inteiro. Um dos pilotos mais constantes e de direção limpa, Button acabou mais cedo fora da disputa do que merecia.

Felipe Massa foi o sexto no geral, com encabulados 108 pontos atrás de seu companheiro de equipe e apenas dois à frente de Nico Rosberg com a Mercedes. Nico Rosberg que, por sua vez, foi um dos destaques do ano. Não tivesse sofrido com uma trapalhada dos boxes aqui, uma barbeiragem bizarra de Webber ali, um pneu arrebentado acolá e, certamente, seria o sexto colocado. Fechando a turma que pontuou acima, o ótimo polônes da Renault, Robert Kubica.

Daí para trás… Michael Schumacher se divertiu e promete ser mais competitivo em 2011. Rubens Barrichello fez um excelente trabalho de desenvolvimento na Williams e foi o responsável por sua equipe terminar à frente da Force-India, o objetivo da temporada. Não à toa, garantiu vaga no mesmo cockpit para o ano que vem. Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi proporcionaram fortes emoções com a Force-India, não sendo raro vermos seus carros envolvidos em toques e saídas de pistas. O russo Vitaly Petrov é rápido, mas destruiu muitas Renault, o que deve custar sua vaga na equipe. Nick Heidfield e Kamui Kobayashi são bem mais rápidos que suas Sauber. O mesmo vale, em escala inferior, para Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi e as STR. O rápido alemão Nico Hulkenberg não vai emplacar nova temporada na Williams por absoluta necessidade de grana da equipe. A Williams precisa de um desenvolvedor, que será Rubinho, e alguém que garanta grana. Provavelmente, o venezuelano Pastor Maldonado, campeão da GP2 2010. Mas Hulk não deve ficar desempregado.

Lá mais para trás, bem atrás, os verdadeiros heróis da resistência, que tentaram fazer de Hispânia, Virgin e Lotus algo parecido com um carro de corrida – e não conseguiram, apesar dos esforços. Palmas para eles pela coragem e pela insistência. Isso, sim, é amor ao esporte.

Agora é aguardar 2010, esperando que alguma alma genial dê um jeito na chatice da maioria das corridas do atual circo da Fórmula 1.

Colocação final após as 55 voltas do GP dos Emirados Árabes:

1º) Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) – 1h39m36s837
2º) Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) – a 10,1s
3º) Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) – a 11s
4º) Nico Rosberg (ALE/Mercedes) – a 30,7s
5º) Robert Kubica (POL/Renault) – a 39s
6º) Vitaly Petrov (RUS/Renault) – a 43,5s
7º) Fernando Alonso (ESP/Ferrari) – a 43,7s
8º) Mark Webber (AUS/RBR-Renault) – 44,2s
9º) Jaime Alguersuari (ESP/STR-Ferrari) – 50,2s
10º) Felipe Massa (BRA/Ferrari) – 50,8s
11º) Nick Heidfield (ALE/Sauber) – 51,5s
12º) Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth) – 57,6s
13º) Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes) – 58,3s
14º) Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) – 59,5s
15º) Sebastien Buemi (SUI/STR-Ferrari) – 63,1s
16º) Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth) – 64,7s
17º) Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth) – 54 voltas
18º) Lucas di Grassi (BRA/VRT-Cosworth) – 53 voltas
19º) Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth) – 53 voltas
20º) Christian Klien (AUT/Hispania-Cosworth) – 53 voltas
21º) Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth) – 51 voltas

Não chegaram:

22º) Timo Glock (ALE/VRT-Cosworth) – 43 voltas
23º) Michael Schumacher (ALE/Mercedes) – 1 volta
24º) Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes) – 1 volta

Classificação final do Mundial de Pilotos:

1º) Sebastian Vettel – 256
2º) Fernando Alonso – 252
3º) Mark Webber – 242
4º) Lewis Hamilton – 240
5º) Jenson Button – 214
6º) Felipe Massa – 144
7º) Nico Rosberg – 142
8º) Robert Kubica – 136
9º) Michael Schumacher – 72
10º) Adrian Sutil – 47
11º) Rubens Barrichello – 47
12º) Kamui Kobayashi – 32
13º) Vitaly Petrov – 27
14º) Nico Hulkenberg – 22
15º) Vitantonio Liuzzi – 21
16ª) Sebastien Buemi – 8
17ª) Pedro de la Rosa – 6
18ª) Nick Heidfield – 6
19º) Jaime Alguersuari – 5

Classificação final do Mundial de Construtores:

1º) Red Bull -Renault – 498
2º) McLaren -Mercedes – 454
3º) Ferrari – 396
4º) Mercedes – 214
5º) Renault – 163
6º) Williams -Cosworth – 69
7º) Force India-Mercedes – 68
8º) Sauber-Ferrari – 44
9º) STR-Ferrari – 13
10º) Lotus-Cosworth – 0
11º) VRT-Cosworth – 0
12º) Hispania-Cosworth – 0

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Publicado por em 15 de novembro de 2010 em Automobilismo, Fórmula 1

 

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