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RIO DE JANEIRO ► Estupidez pouca é bobagem: prefeitura do Rio decide padronizar cores dos ônibus municipais da cidade

Sempre há espaço para uma ideia ruim na prefeitura do Rio de Janeiro, incrível essa constante.

Não sei, não, mas acho que o governo da cidade é contaminado por algum vírus que garante a seus representantes um arsenal de ideias bizarras ou estúpidas aparentemente sem fim, seja lá a orientação política de quem estiver no comando.

A “grande ideia” do momento é transformar o mar colorido de ônibus da cidade em apenas quatro cores.

Imagino o sujeito tendo uma epifania e despertando: “Nossa, tive uma ideia genial! Vou acabar com essa bagunça de ônibus coloridos e vou padronizar tudo. Os ônibus serão todos claros, diferenciados apenas por detalhes em quatro cores, que identificarão a zona da cidade por onde circularão. Finalmente a cidade vai ficar ordenada!”

Genial, não?

É o tipo da coisa que só pode ter vindo da cabeça de algum engravatado de ar- condicionado que jamais pegou um ônibus nas avenidas Presidente Vargas ou Brasil na hora do rush. Aliás, obviamente, de um sujeito que não precisa de transporte coletivo para se locomover.

Será que o povo foi consultado nessa decisão? Houve qualquer pesquisa nesse sentido?

Vá você tentar pegar um ônibus às seis da tarde na Presidente Vargas. Aquele mar de carros se deslocando com a sutileza de uma manada em fuga, todos em busca de posicionamento para parar ou não nos pontos onde centenas ou milhares de trabalhadores aguardam uma chance de embarcar e ir para casa. Para esses trabalhadores, o que ajuda a identificar sua linha de ônibus é a cor da frota da empresa a que ela pertence.

Agora imagine aqueles ônibus todos praticamente indiferenciados, com os ditos detalhes de identificação podendo representar uma dezena ou mais de linhas com itinerários os mais diversos.

Eu moro na Ilha do Governador. Na Presidente Vargas, por exemplo, apenas quatro linhas vão para lá, duas de cada uma das duas empresas que servem a região: a Paranapuã e a Ideal. Uma, amarela, branca e laranja; outra, azul e vermelha. Assim identifico os veículos de longe e já me preparo para a possibilidade de ser a condução que espero. Simples. Claro. Lógico.

Isso aí não acontece só comigo, claro. Toda a massa trabalhadora da cidade que utiliza transporte coletivo age assim. As cores ajudam, especialmente, aqueles que têm deficiência de visão e facilitam a identificação pelos mais idosos.

Mas tem sujeito que mora em zona de classe média alta da cidade, que só anda no seu carrão e vive no ar-condicionado ignora esses detalhes e me vem com uma dessa. Deve ser o tipo de gente que olha de cima e chama o colorido dos ônibus, tão útil a quem os utiliza, de poluição visual. Afinal, para ele isso não significa absolutamente nada. É uma realidade que não lhe diz respeito.

E a prefeitura do Rio parece sempre tomada por pessoas assim, que vivem em outro mundo, sem conhecimento mínimo de como seja o dia a dia do carioca ou de suas reais necessidades.

Assim, em vez de se preocupar com coisas que realmente importam, a prefeitura me vem com essa ideia estúpida, que só vai dificultar a vida de quem viaja de ônibus no caótico trânsito da cidade.

É minha opinião.

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Categorias:Rio de Janeiro
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