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RIO DE JANEIRO ► Polícia no papel de polícia, bandido no papel de bandido… E a sociedade? Até quando vai financiar o crime organizado?

24 nov

A criminalidade, desesperada com ações em comunidades antes dominadas pelo tráfico e a instalação de UPPs, partiu para ações terroristas no Rio de Janeiro. O intuito parece óbvio: intimidar o governo assustandoa população. Acho que não vai dar certo.

O fator diferencial aqui é que finalmente, após décadas de complacência, o governo do Rio de Janeiro decidiu combater o crime organizado e os bandidos estão ficando acuados. Desentocados de seus redutos, partem para o revide ostensivamente violento.

Até aí morreu o Neves, não estou teclando qualquer novidade. A polícia está fazendo o papel que cabe à polícia e quem é bandido segue o que sua má índole determina.

O que eu gostaria de saber é como ficam aqueles milhões de consumidores de drogas, fiéis clientes das bocas de fumo da cidade ou do serviço de entrega em casa, no meio desse caos momentaneamente instalado.

Essa gente dorme direito? Eles põem a cabecinha no travesseiro e repousam o sono dos justos? Para mim, são piores que os bandidos. Porque bandido coloca uma arma na mão e assume o risco por tal ação, sabe a aposta que está fazendo. O consumidor de drogas, que financia essa arma, por sua vez, é tratado como tadinho, coitado, com total condescendência por parte das autoridades e da sociedade em geral. Praticamente impune.

Lembro uma discussão que tive uma vez num bar em Ipanema. Um colega de mesa criticava a polícia por causa de uma ação de bandidos na praia durante aquele fim de semana. Achei hipocrisia demais para meu gosto, especialmente com um chope ou dois na cabeça: “Mas vem cá: quando vocês estão fumando sua maconha na praia, ficam de apitinho pra lá e pra cá para avisar da chegada da polícia e depois ficam vaiando e xingando os policiais até que eles irem embora. Agora quando os traficantes, que vocês sustentam com seu vício, descem para roubá-los, vocês querem que a polícia apareça para defendê-los? Por quê” Senti gente de várias mesas virando desviando o olhar para nossa. Afinal, eu disse alguma bobagem?

Quando o delegado Hélio Luz, então chefe da Polícia Civil da cidade, declarou que Ipanema brilhava à noite foi um tal de “oh”, “ah”, “como é que pode falar assim?” e outras expressões cretinamente hipócritas. Era um jornalista aqui, um artistazinho ali, uma outra personalidade midiática acolá, sempre havia alguém criticando e a imprensa sustentando as críticas ao delegado. Fala sério…

Naquela época, especialmente, bastava você parar em qualquer esquina de Ipanema para ser abordado por alguém oferecendo droga. Só faltava aquele discurso do menino da bala no ônibus: “Eu podia estar roubando, mas estou só vendendo pó…”

O mais patético e risível da história era que muitos dos que opinavam criticando eram contumazes consumidores de algum tipo de droga, de políticos a personalidades artísticas. Na imprensa, então…

São essas pessoas que viabilizam o multibilionário negócio da droga. Porque a droga é só um negócio e, como todo negócio, é regido por uma regra básica da Economia: a lei da oferta e da procura. Só há tráfico de droga porque há milhões de consumidores em potencial. Sem consumidores, ninguém vai investir nisso. Mas do jeito que a sociedade tolera o consumo até “social” (ridículo) da droga, os criminosos se sentem à vontade para seguir investindo, já que o retorno é líquido e certo.

Erro histórico da repressão ao tráfico de drogas é a falta de uma política de tolerância zero com o consumo. Quem quiser que vá a Brasília, pressione seu deputado e tente legalizar a droga. Senão está errado. É crime. E tolerância zero foi (e é) o caminho do sucesso em várias regiões do planeta. Só que haveria um custo político nisso. Não à toa, uma candidatura derrotada à Presidência tinha na coordenação de campanha uma pessoa reconhecidamente consumidora e até apologista, assim como um de seus aliados, candidato derrotado ao governador de um certo estado.

Não vou me prolongar mais sobre esse assunto porque é papo para muita manga e envolve o aculturamento imbecil e boçal do consumo de droga. Sequer tenho muita paciência para discutir isso, pois não tenho estômago para ouvir argumentos débeis mentais como “a maconha faz menos mal à saúde que o cigarro e a cerveja…”  É, Pedro Bó, mas ninguém vê por aí um bonde da Phillip Morris em conflito armado com um da Souza Cruz matando inocentes no caminho, nem grupos da Antarctica, da Brahma ou da Skol se armando até os dentes para dominar os pontos de venda de cerveja da cidade.

Só gostaria de saber se esses criminosos consumidores continuariam a agir assim caso vissem uma bala comprada com o dinheiro do próprio vício encravada no coração de alguém que ama.

É minha (irritada) opinião.

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Publicado por em 24 de novembro de 2010 em Rio de Janeiro

 

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