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CINEMA ► “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, sempre uma agradável pedida


Atenção: este post contém spoiler! Ou seja: conta a história do filme. Leia por sua própria conta e risco.

Goste ou não, não há cinéfilo que não conheça o casal aí da foto e o filme que protagonizaram. “Grease – Nos Tempos da Brilhantina” é um fenômeno do cinema. De verdade. É o musical mais rentável da História. Com um modesto orçamento de 6 milhões de dólares, arrecadou quase 100 vezes mais. De quebra, eternizou John Travolta e Olivia Newton-John como um dos casais mais marcantes já vistos na telona.

A química e o carisma de John Travolta e Olivia Newton-John é tamanha que poucos lembram que “Grease” já existia antes nos palcos da Broadway. Um caso expressivo de teatro musical levado para o cinema com grande êxito. A versão cinematográfica foi um tanto adocicada, pois o texto original é mais pesado. Mas deu tudo certo, também muito devido aos contagiantes temas musicais e suas divertidas coreografias.

Quanto a mim… Não vi “Grease” quando foi lançado nos cinemas. Naqueles tempos (final dos anos 1970), o cinema não só era a maior diversão (como dizia a propaganda do grupo Luís Severiano Ribeiro), como uma das mais baratas. Do alto dos meus 13 ou 14 anos de então, acabei deixando “Grease” de lado, apesar do enorme sucesso que fazia ouvirmos a trilha em tudo que fosse rádio.

Mas isso mudou no primeiro verão seguinte. De férias, sob um calor infernal, decidi ir ao cinema apenas para passar a tarde no ar-condicionado – lembrando que, naqueles bons tempos, era possível literalmente passar a tarde no cinema, assistindo a uma sessão depois da outra.

Decisão tomada, peguei o jornal e vi que “Grease” estava passando no saudoso e excelente Metro-Boavista, ali na Rua do Passeio, ao lado de onde ficava a Mesbla, com um acesso lateral pouco usado (acho que só nos finais de sessões de fins de semana) pela má afamada Rua das Marrecas – apenas porque damas da noite costumavam ali fazer ponto. O Metro-Boavista era o melhor cinema do Rio de Janeiro e maior estrela da Cinelândia, com sua imensa e fascinante tela.

Peguei o 326 e saí da minha Ilha do Governador em direção à cidade. A Linha Vermelha existia apenas em um já bolorento papel e ir da Ilha para o Centro era como ir à “cidade”, uma aventura para jovens adolescentes – via Avenida Brasil.

Bem… Se gostei do filme? Na tarde seguinte, o mesmo sol, o mesmo calor, a mesma decisão… o mesmo cinema e o mesmo filme! Vi de novo. E somadas as vezes que também vi em DVD e parei ao zapear pelos canais de TV… Caramba, foram dezenas de vezes curtindo aquela sucessão de clipes contagiantes, embalando uma corriqueira historinha juvenil que todo mundo está careca de conhecer, no caso entre os T-Birds comandados por Danny (John Travolta) e as Pink Ladies, às quais a australiana Sandy (Olivia Newton-John) se junta, há muito conheço de trás para frente (ou vice-versa?), cena a cena, música a musica, coreografia a coreografia…

Só com meu sobrinho Richards… Richards agora está “velho” (13 anos…), mas quando criança não faço a menor ideia de quantas vezes pedia para ver e rever de novo e novamente, eu tendo apenas o cuidado de acelerar as partes menos recomendáveis para crianças. Afinal, o que interessava era música e dança. Ainda hoje quem o convidar para assistir a um “Greasezinho” certamente vai ouvir um “Vambora!”.

Resolvi postar sobre isso ao me flagrar mais uma vez assistindo a “Grease” num canal de TV por assinatura. Tomo o maior cuidado com isso. Quando estou zapeando e sem querer paro em um canal que esteja exibindo o filme, trato logo de sair dali o mais rápido possível. Se demorar um pouco…

– Deixa só ver esse pedacinho…
– Não, David, você já viu, sai fora!
– Tá, mas deixa voltar só para ver aquele número e mudo.
– Não, não cai nessa, vai acabar perdendo tempo de novo vendo o que já viu um zilhão de vezes!

Pois é, nessas horas acabo sendo um fraco e quase sempre acabo perdendo essa discussão com minha consciência. E isso porque ainda tenho o DVD…

Mas há como resistir? Da abertura ao número final, cenas que se tornaram clássicas na memória de mais de uma geração. Via YouTube, posto algumas aqui.

A abertura é de Frankie Valli, com uma animação impagável.

Depois, o clássico número “Summer Nights”, quando Danny Zuko (Travolta) e Sandy (Newton-John) contam duas versões para a mesma história. Dá para assistir sem dar um rewind?

Os T-Birds tinham um duelo de carros com uma turma rival e para isso precisavam preparar o carango. ” Greased Lightning ” é outro número contagiante.

Vale a curiosidade de que, na gravação dessas cenas, Jeff Conaway, que interpretava Kenickie, melhor amigo de Danny, machucou a coluna, um problema nunca curado e que o levou ao vício de fortes medicações, mal do qual nunca se libertou, o que, somado a álcool e outras drogas, o faz hoje viver precariamente, com a saúde bastante debilitada.

Sandy apaixonara-se por Danny durante o versão (daí “Summer Nights”…) e não entendia por que o amado era tão marrento na escola: uma coisa com ela, outra perto dos amigos. Reunida com as Pink Ladies, isola-se e canta sua tristeza. Olivia Newton-John sempre foi formidável tanto cantora como ser humano. Felizmente, não se deixou abalar pelos graves problemas de saúde que enfrentou – e superou – e hoje, além de voltar a se apresentar ao vivo, trabalha fervorosamente em prol de causas humanas, especialmente na luta pela prevenção ao câncer de mama. “Hopelessly Devoted To You” foi um dos grandes sucessos da carreira da lourinha australiana e concorreu ao Oscar de Melhor Canção Original.

Danny também estava mal. Queria ficar com Sandy, mas não podia deixar cair sua imagem de durão perante a turma. Após discutir com a amada no drive-in, mandou “Sandy”, com direito a uma divertida animação que rolava no telão anunciando gostosuras para o lanche no intervalo da sessão.

Além do romance de Danny e Sandy, havia algumas traminhas paralelas. Uma delas envolvia a excêntrica personagem Frenchy, interpretada pela ótima atriz Didi Conn. Frenchy sonhava em ser cabeleireira e queria largar a escola. O veterano galã Frank Avalon aparece em um sonho para valiosos conselhos em “Beauty School Dropout”, com direito a um cafonérrimo cenário – assim como a coreografia, aliás.

A trama mais “adulta” do filme (mas tratada de forma bem leve) envolvia a líder das Pink Ladies, Betty Rizzo, e Kenickie, com a possibilidade dela ter engravidado. Rizzo foi vivida na tela pela também grande intérprete Stockard Channing, que soltou a voz com imensa categoria em “There Are Worse Things I Could Do”.

Hora da formatura, quase tudo resolvido, final feliz à vista (o bom do cinema água com açúcar…), faltava apenas o acerto entre Danny e Sandy. É quando Sandy se transforma de boazinha em mulher fatal. “You’re the One That I Want” é outro número inesquecível.

No fim, o número que celebra a despedida da turma, com aquele tipo de promessa que fazemos e em geral nunca cumprimos ao nos despedir de pessoas que fizeram parte de um ciclo que se fecha em nossas vidas: “We Go Together”.

“Grease” teve uma desastrada sequência, sem os astros originais, que serviu apenas para marcar a estreia no cinema de uma linda modelo chamada Michelle Pfeiffer.

Bom mesmo é o original, considerado hoje um dos maiores musicais de todos os tempos, assim como sua trilha sonora é figura carimbada em qualquer lista assim e talvez a mais vendida da História.

Diversão despretensiosa e descompromissada (tão descompromissada que ninguém se importou – nem a produção – com o fato dos atores serem bem mais velhos que seus personagens!) garantida para toda a família. Ao menos para a minha. E para mim, em particular.

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