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FUTEBOL ► Fluminense tricampeão brasileiro: ninguém mereceu tanto

Com a vitória domingo passado sobre o Guarani por 1 x 0, num Engenhão coloridamente lotado em verde, grená e branco, o Fluminense conquistou neste 2010 seu terceiro campeonato brasileiro de futebol, fazendo entrar para a História, como fato e lenda, o Time de Guerreiros, aquele que saiu de 99% rebaixado para 100% campeão.

Para imensa felicidade do blogueiro que aqui escreve e que esteve presente também em 1970 e 1984. E que levou o herdeiro (ou herdeira) ainda no ventre da mamãe Fernanda para acompanhar a alegria do papai e já nascer campeão.

O campeonato de 1970 foi – e afirmo sem qualquer medo de errar – a maior competição nacional da história do futebol. Para quem não lembra ou não é da época, chamava-se oficialmente Torneio Roberto Gomes Pedrosa, mas era popularmente conhecido como Robertão (por ter times de diversas regiões do país) ou Taça de Prata (por motivos óbvios). Depois viraria Campeonato Nacional, Copa Brasil, Campeonato Brasileiro, Copa União, Copa João Havelange… Sei lá, um monte de nomes que simplesmente significam mais do mesmo.

Disputada por 17 clubes divididos em dois grupos (um com nove, outro com oito) e que se enfrentavam em turno único (16 jogos para cada), a Taça de Prata classificava os dois primeiros de cada grupo para um quadrangular decisivo, também em único turno.

Até aí diria, mais uma vez, que morreu o Neves. Nada o diferenciaria dos milhares de campeonatos nacionais disputados ao longo da História em todos os cantos do planeta, não fosse a presença de toda a geração de ouro do Brasil tricampeão no México.

O Santos de Pelé e Carlos Alberto Torres. O Palmeiras de Ademir da Guia e Dudu. O São Paulo de Gérson e Pablo Forlán. O Corinthians de Roberto Rivelino. O Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes. O Atlético Mineiro de Dadá Maravilha, sob o comando de Telê Santana. O Botafogo de Paulo César Lima (ainda não era Caju) e Jairzinho. Até clubes ditos de menor expressão tinham nomes que se tornaram ícones, seja em seus clubes ou a nível nacional, como Sicupira (Atlético Paranaense), Dicá e Manfrini (Ponte Preta), Beijoca e Roberto Rebouças (Bahia) e Givanildo (Santa Cruz).

O Fluminense se sagrou campeão ao derrotar Palmeiras e Cruzeiro e empatar com o Atlético Mineiro na fase final. Acompanhei tudo, do alto dos meus 5 anos, pelos braços do meu pai. Esse foi o Fluminense do meu primeiro time de botão: Félix; Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio (Toninho); Denílson e Didi (Cláudio); Cafuringa (Wilton), Samarone, Flávio (Mickey) e Lula.

Já em 1984 não precisava ficar de mãos dadas e acompanhei o auge de uma geração que vi começar a ser montada após a eliminação do campeonato nacional de 1983. Presenciei, in loco, à antológica vitória contra o Corinthians da democracia de Sócrates, Zenon, Wladimir e Casagrande por 2 x 0, num Morumbi lotado e chuvoso, uma partida que entrou para academia do futebol como uma das perfeitas atuações táticas de um time em um momento de decisão.

O time também virou poesia nos corações e mentes tricolores: Paulo Victor; Aldo, Duílio, Ricardo e Branco; Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato. Com alguns reservas de luxo que sempre seguravam as pontas: Paulinho, Leomir, Renato, Wilsinho, Vica…

Agora vestimos a faixa de um campeonato feito sob encomenda para celebrar o centenário do grande Corinthians. Nem perderei meu tempo aqui falando muito do que ficou claro na festa de entrega de prêmios da CBF. Tudo pareceu armado para que o glorioso alvinegro do parque São Jorge fechasse com chave de ouro um ano histórico. Esqueceram, porém, de combinar com os adversários.

Para imenso desgosto do presidente da CBF Ricardo Teixeira e seu camarada Andres Sanches (clone maquiavélico da malfadada dupla Eurico Miranda e Eduardo Vianna), ainda foi o Fluminense, um dos clubes que votou contra a reeleição de Ricardo Teixeira (acusado de diversas irregularidades aqui e lá fora) e que, de quebra, teve a audácia de negar seu treinador à seleção brasileira, o grande campeão.

E um campeão repleto de méritos, que sequer conseguiu entrar em campo uma vez que fosse com sua formação titular e atravessou a absurda maratona de 15 jogos em 40 dias sem algumas de suas peças fundamentais e que teve sua casa criminosamente tirada numa tentativa de revide mesquinha e canhestra.

Ainda assim, com todos os percalços, o Fluminense segurou as pontas e sempre esteve no topo da tabela, graças ao comando de Muricy Ramalho fora de campo e de Dario Conca dentro das quatro linhas. Além, claro, de muita determinação de todo o grupo e do apoio de uma torcida que teve de aprender a fazer de um lar provisório sua nova casa.

Agora 2010 já é História e os tricolores reverenciarão ao longo dos anos seus novos heróis: Ricardo Berna; Mariano, Gum, Leandro Eusébio e Carlinhos; Valencia, Diguinho, Júlio Cesar e Conca; Emerson e Fred. Sem esquecer de todo o resto do elenco, em especial, Diogo, Marquinhos, Tartá, Rodriguinho, Deco, Washington, Fernando Bob, Thiaguinho, Belletti, André Luís, Cássio, Rafael, Fernando Henrique… Em algum momento o Fluminense precisou da contribuição de cada um deles para chegar ao tricampeonato.

Sem esquecer, em hipótese alguma, o trabalho do técnico Cuca, muito elogiado pelo próprio Muricy. Sem Cuca, provavelmente não estaríamos aqui. O treinador que levou o Cruzeiro (que tinha seus méritos para levantar a taça) ao vice-campeonato também tem o nome fincado nos corações tricolores.

O título do post remete a 1985, quando o Fluminense foi tricampeão estadual superando muita coisa estranha que ocorreu fora de campo. Um campeonato marcado pela mão e bolso fortes de Castor de Andrade defendendo seu Bangu na federação carioca e por um trabalho rubronegro nos bastidores que, dizem, desembocaria no escândalo das papeletas amarelas que valeria o título de 1986.

Coisas tão desagradáveis e sujas que quase fizeram o sempre correto e competente treinador Nelsinho (campeão brasileiro em 1989 com o Vasco da Gama) largar o futebol.

Na lojinha das Laranjeiras, um singelo adesivo de automóvel resumia tudo: “Fluminense Tricampeão. Ninguém mereceu tanto.”

Como agora, 25 anos depois.

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Categorias:Fluminense, Futebol
  1. Daniel
    10 de dezembro de 2010 às 21:33

    Vale ressaltar a já mística frase (+/- assim) do centroavante Washington: “Dê-me o campeonato e esqueço a artilharia”.

    E ainda: Adversários alvinegros diretos em cada ano: Atlético MG, Vasco e Corinthians.

    Mística, muita mística.

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  2. Mauricio W. A. Cury
    11 de dezembro de 2010 às 9:16

    Dizem as linguas ofidianas q o Flamengo é o clube q só tem torcida a favor ou contra,
    ñ há meio termo, porém isto é o torcedor, já na mídia o Flu consegue ser da mesma forma , ou o jornalista é tricolor ou o odeia , impressionante.
    Já na imprensa paulista , o FLU é unanimidade, não tem um paulista q nutre uma simpatiazinha sequer pelo tricolor do RIO, talvez pq tenhamos comprado, na década de
    40, todo o scrath paulista , ou na década de 70 tirado o Rivelino do Curintia.
    Por ter em 1957 desbancado a hegemonia paulista no RIO/SP , até então só time paulista havia vencido esta competição , e o FLU a levantou de forma invicta.
    O ódio paulistano pelo FLU me faz refletir e me perguntar , ódio ou INVEJA?

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