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FUTEBOL ► Unificação de títulos da CBF escancara incoerência da má imprensa esportiva brasileira

1898: Genoa, primeiro campeão da Itália

Lá no site do Genoa, tradicional clube da Itália, está escrito: Prima squadra vincitrice del campionato nazionale (1898). Ou seja: Primeira equipe a conquistar o campeonato nacional (1898).

Em todos os compêndios de história do futebol italiano a informação é a mesma.

Se não estou enganado, o Genoa precisou jogar duas partidas para se tornar campeão. Uma competição mata-mata, como gostam de dizer. E isso não o faz menos campeão ou distingue seu feito de qualquer das recentes conquistas nacionais da Internazionale, por exemplo.

Cada época, uma época. Toda história tem um início. Foi assim o início do campeonato italiano. E ponto. Não há asteriscos, não houve necessidade de pedido de unificação de títulos ou algo assim. Quem foi o primeiro campeão italiano? Genoa – e dane-se a fórmula disputa, porque aquela fórmula apontava o campeão do país àquela época.

Assim como na Itália, a situação repete-se em diversos outros países europeus.

É uma coisa lógica, racional, inteligente.

Mas no Brasil…

Sem querer ser arrogante ou pretensioso – e de repente já sendo -, acho esta atual discussão sobre a unificação dos títulos nacionais no Brasil uma bobagem, falta de assunto de férias, algo totalmente ilógico.

Porque eu sempre achei a situação simples. O primeiro campeonato nacional no Brasil ocorreu em 1959, com o nome de Taça Brasil, cujo campeão foi o Esporte Clube Bahia. Logo, o Bahia é o primeiro campeão nacional. Pode haver alguma dúvida quanto a isso?

Desde criança sei disso. Até a criação do torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Robertão ou Taça de Prata) em 1968, o campeão da Taça Brasil era o campeão nacional, representante do país na Taça Libertadores, por exemplo. Há dúvida quanto a isso?

Com o advento do Robertão, o campeão desse novo torneio, com novo formato, passou a ser nosso representante na competição sul-americana. Assim, os campeões da Taça Brasil de 1967 e da de 1968 passaram a não ser mais reconhecidos como campeões nacionais, e sim como grandes campeões da… Taça Brasil.

1959: Bahia, primeiro campeão do Brasil

Daí para frente, o Robertão virou Campeonato Nacional, Campeonato Brasileiro, Taça de Ouro, Copa Brasil (é, o campeonato nacional já foi chamado de Copa Brasil), Copa União, Copa João Havelange e sei lá que outros nomes, como diversas fórmulas de disputa. E o campeão desses torneios foram, todos, campeões nacionais. Qual a dúvida?

O problema é a grande maioria de nossa imprensa esportiva ser limitada, passiva, submissa, relaxada e até comprometida. Comprometida, talvez, com os clubes de maior torcida. Reparem que dentre os campeões nacionais pré-1971 não se encontram Flamengo e Corinthians, por exemplo.

E quando menciono isso, parto para a própria incoerência dessa parte (boa) da imprensa, porque os mesmos que usam argumentos tolos como “eram outras competições”, “não são reconhecidas pela CBF” e afins, consideram o Flamengo tricampeão estadual 1978-1979-1979, ignorando que em 1979 houve dois campeonatos distintos, um municipal e outro estadual.

É por aí que a porca vai torcendo o rabo irreversivelmente: se o Flamengo pôde ser tricampeão vencendo dois torneios diferentes no mesmo ano, por que os clubes cariocas que venceram o extinto Torneio Municipal também não são campeões cariocas como os vencedores do Campeonato Carioca propriamente dito daqueles anos (1938, 1943-48, 1951, 1996)? O Fluminense, então, não seria bicampeão carioca 1959-59, por conquistar o Campeonato Carioca e o Torneio Municipal no mesmo ano? Qual a diferença para o tri estadual (mesmo com um torneio sendo municipal!) rubro-negro 1978-79-79? Não é uma incoerência?

Esse “precedente rubro-negro” dá margem, inclusive, a que os campeões da Taça Brasil de 1967 e 1968 sejam considerados campeões nacionais. Por que não?

Por outro lado, a imprensa considera Flamengo (sem perseguição, juro), Grêmio e São Paulo campeões mundiais, mesmo sem que os jogos disputados contra os campeões europeus no Japão tivessem a chancela da Fifa.

Ora, para essa mídia, então, a falta de chancela da CBF invalida os torneios nacionais pré-1971, mas a falta de chancela da Fifa não invalida as vitórias de Flamengo, São Paulo e Grêmio? Fala sério… Ou melhor: não é para levar a sério.

São apenas exemplos dentre muitos outros que denotam a incoerência e até a falta de discernimento de jornalistas esportivos. Alguns eu respeito, mesmo discordando. Mas a maioria age apenas com comodidade e passividade diante do que é determinado pelo sistema regido pela dona CBF.

O argumento que mais me desagrada e verdadeiramente incomoda é o que diz que a Taça Brasil era um mata-mata como a atual Copa do Brasil. E daí?

A Taça Brasil era o campeonato nacional da época e sua fórmula de disputa era o mata-mata. Como poderia ser um torneio de grupos como a Copa do Mundo. Ou pontos corridos. Não importa. O que importa é que era a competição nacional da época e que apontava o campeão do Brasil.

Lógico.

O sr. Spock de “Jornada nas Estrelas” e o Sheldon de “The Big Bang Theory” simplesmente não entenderiam tanto barulho por nada.

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