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FLUMINENSE ► Nova gestão começa devagar e ameaça um pé na bunda dos fiéis sócio-torcedores

23 dez

Acabou a era Roberto Horcades no Fluminense, começa a gestão Peter Siemsen, tão defendido pelos combativos e dedicados tricolores do blog Flusócio.

E começa devagar. Espero que seja apenas o prenúncio de uma grande administração. Mas algumas coisas incomodam. E não só a mim.

Outro dia almoçava com minha esposa em um restaurante do Norte Shopping quando se sentaram à mesa ao lado uma mãe e dois filhos, um aparentando estar saindo da adolescência e outro ainda menor. Família tricolor. E eles comentavam a decepção com as primeiras declarações públicas do novo presidente. Na verdade, não exatamente com as declarações, mas com a ênfase com que as faz, em diversas ocasiões, tipo “a situação financeira do Fluminense é grave”, “nossa dívida é de mais de 300 milhões” e outros blablablás financeiros.

Ora, bolas, qualquer torcedor mirim do clube sabe disso. O Siemsen sabia disso. Não adianta agora querer se fazer de vítima diante do desafio que tem pela frente ou valorizá-lo.

E como comentado na mesa de almoço familiar, o Fluminense acaba de conquistar um grande título e o novo presidente só fala de dívidas, dívidas e dívidas das quais estamos carecas de saber. Chato…

Como a mãe disse aos filhos, desanimador. O presidente age como um tremendo corta tesão. Brochante. O mesmo meu irmão comentou comigo dois dias depois. “Qual o problema do Peter Siemsen?” E outro companheiro velho de guerra de arquibancada também se mostrou desconfiado com esse comportamento. Assim como eu.

Enquanto isso, a transição, lenta toda a vida (e sabe-se que muito por culpa de quem está saindo), faz o Fluminense perder boas oportunidades de reforçar o elenco. E o clube acaba mirando em alvos um tanto discutíveis.

Os primeiros nomes apontados como praticamente certos ou com muito interesse são os do goleiro Diego Cavalieri, do atacante Araújo, Thiago Neves, Souza, Edinho…

Diego é reserva há quatro temporadas no futebol italiano e hoje assiste do banco de reservas a um goleiro de mais de 40 anos e em final de carreira. Ninguém sabe como ele está tecnicamente, se evoluiu ou se a falta de jogos prejudicou seu desenvolvimento. Araújo foi um atacante de sucesso no Goiás e de passagem discreta pelo Cruzeiro. Sempre fico com um pé atrás nessas circunstâncias. Há jogadores que sentem um grande clube. Parafraseando certas mensagens do game Championship Manager, Araújo não tem em sua carreira “provas dadas” atuando por um grande clube – e não é mais nenhum garoto. Já com Souza, além da idade, o problema é outro: capacidade já mostrou em muitas ocasiões, mas seu comportamento um tanto intempestivo costuma gerar conflitos entre diretoria, grupo e torcida. Mais de uma vez isso ocorreu. Mas como Muricy o conhece, deve saber como domá-lo e aproveitar sua grande versatilidade. O volante Edinho, do Palmeiras, não é nada que faça valer a pena o esforço de sua contratação para uma posição onde temos nomes às pencas e para a qual só valeria o reforço de alguém diferenciado na saída de bola.

Thiago Neves, por sua vez, apesar de às vezes passar a impressão de ter uns parafusos a menos em seu cérebro, é ótimo reforço. Pode jogar no meio ou como segundo atacante , já sentiu o peso da camisa tricolor e conhece a pressão da torcida. Mas os outros são apostas.

Fora as oportunidades de bons – e aparentemente simples de negociar – reforços que o Fluminense já deixou passar, deixando-me no ar um jeito de que o tempo passou na janela e o Fluminense não viu.

Torço para que nessas questões de campo meus temores sejam infundados e tudo dê certo. Mas fora das quatro linhas me incomoda demais o pouco caso demonstrado por Peter Siemsen com os torcedores que aderiram ao projeto Sócio-Torcedor, depois Passaporte Tricolor.

O Sócio-Torcedor foi criado em 1999, quando o Fluminense chafurdava na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Em minha família, somos três que aderimos desde o primeiro momento, mesmo sendo um projeto que, efetivamente, praticamente nada oferecesse em troca. Coisas tipo prioridade na compra de ingressos nas Laranjeiras, desde que de segunda a sexta, no horário comercial, quando os torcedores, em geral, estão trabalhando. Algo totalmente idiota. Mas, enfim…

O tempo passou e finalmente com a Libertadores de 2008 o Passaporte Tricolor, nos moldes já adotado um ano antes pelo Botafogo, fez com que nós, fiéis torcedores, pudéssemos ter algo parecido com o que tem o torcedor de qualquer clube europeu de ao menos médio porte: uma espécie de carnê, pago mensalmente, que desse acesso aos jogos.

O melhor seria vender um pacote completo, mas o Passaporte era pago mensalmente. Para mim, isso era indiferente, pois já o fazia, por praticamente nada, há quase 10 anos.

Nós, sócio-torcedores de primeira hora, logo fomos surpreendidos com as primeiras declarações de Peter Siemsen e sua gente dando conta do fim do projeto. Ou declarações como esta de Siemsen ao Lancenet: “Temos o projeto de, no primeiro ano de gestão, adquirir 20 mil sócios com ações de marketing, que terão prioridades e maior facilidade na compra de ingressos. Assim, em três anos, queremos dobrar nossa receita – disse.”

Não sei a situação dos demais sócio-torcedores, mas a minha é de total inviabilidade de me tornar sócio do clube. Tenho família e esse seria um gasto supérfluo e comprometedor. A maneira de conciliar necessidade familiar e lazer futebolístico, contribuindo com o clube, era o Sócio-Torcedor e, depois, o Passaporte Tricolor.

Aliás, esse deveria ser o principal objetivo do clube com o projeto: procurar capitalizar com aqueles torcedores dispostos a contribuir, mas sem condições de se tornarem sócios. Algo simples e funcional.

Ademais, quando Siemsen diz que “terão prioridades e maior facilidade na compra de ingressos”, vai totalmente contra a lógica e a eficiência da comercialização europeia de ingressos. Eu não quero “prioridades e maior facilidade na compra de ingressos”. Quero algo civilizado e certo. Quero um carnê ou um pacote a pagar que me garanta – e a todos os torcedores interessados – o acesso civilizado aos jogos. Para os que não tiverem o mesmo interesse, aí, sim, a obrigação de “maior facilidade”. Qualquer coisa menos que isso, a esta altura do campeonato, seria demonstração de incompetência e de atraso administrativo, além de desconsideração conosco colaboradores de primeira hora.

O Corinthians já começou a venda de ingressos para seu jogo de pré-Libertadores contra o Deportivo Tolima, da Colômbia. Na primeira semana, prioridade para os torcedores que aderiram no ano passado ao projeto Fiel Torcedor e adquiriram, através dele, ao menos 22 ingressos. Correto.

Enquanto isso, nós, poucos milhares, mas fiéis tricolores, que estendemos as mãos ao Fluminense quando vivia o pior momento de sua história, estamos quase a ver navios, para usar uma expressão bem clichê, mas clara.

Espero estar completamente equivocado em relação a isso – e não antevendo uma administração elitista como a má e quase sempre injustificada fama que o Fluminense carrega.

Às vezes ver o tempo tornar uma opinião equivocada é uma boa coisa. Tomara aconteça isso com esta minha opinião.

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Publicado por em 23 de dezembro de 2010 em Fluminense, Futebol

 

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