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RIO DE JANEIRO ► Expulsão de alunos consumidores de drogas da Escola Britânica: criminosos, sim – no mínimo, “menores” infratores

Menores entre aspas porque já têm idade para votar, interferir no destino da nação e para tirar habilitação de motoristas, então são bem grandinhos para serem responsabilizados por atos que ferem a lei.

E consumir droga ilícita é crime neste país. Ou não?

Para quem quiser refletir a respeito, reproduzo duas publicações sobre a notícia. A primeira, do site do O Estado de São Paulo. O link original é este aqui.

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Colégio expulsa alunos acusados de fumar maconha

24 de dezembro de 2010 | 9h 13
AE – Agência Estado

Três pais de alunos vão processar a Escola Britânica, colégio particular bilíngue no Rio de Janeiro, por ter expulsado seus filhos sob a acusação de fumarem maconha durante viagem organizada pela escola na semana passada. Os três adolescentes, de 16 anos, foram obrigados a abandonar o passeio, em Pouso Alto, sul de Minas, no primeiro dia.

Segundo um dos pais, que não quis se identificar, os professores mandaram que eles voltassem de táxi. “Meu filho foi tratado como um criminoso. Ele não é e não vou admitir que façam isso com ele. O papel de uma escola é educar.”

A Britânica é uma das escolas mais caras do Rio. Para entrar, os alunos pagam uma taxa de cerca de R$ 20 mil. As mensalidades giram em torno de R$ 3,5 mil. Procurada pelo Estado, a escola não quis se manifestar. Os pais decidiram processar o estabelecimento, o diretor e os professores envolvidos no episódio tanto na área cível quanto na criminal.

“A escola desrespeitou a dignidade dos alunos. Foi uma afronta aos direitos fundamentais dos menores. Os algozes (professores e diretor) foram insensíveis, desumanos, arbitrários e vão pagar por isso”, afirmou o criminalista Nélio Machado, que representa as famílias.

O passeio da turma foi realizada na semana passada. Os três alunos estavam juntos, no mesmo quarto e, segundo o pai de um deles, os professores sentiram cheiro de maconha. “Eles foram interrogados e sofreram terror psicológico para confessar que tinham fumado. Logo depois foram expulsos do passeio.” Segundo o pai, eles tiveram de encontrar uma maneira de voltarem para casa sozinhos. “Isso é inadmissível”, afirma. Pouso Alto fica a 250 quilômetros do Rio.

Além do processo criminal, os pais vão tentar uma liminar para que os adolescentes possam continuar estudando na escola. “O que a escola fez é um exemplo negativo. Em vez de educar, resolveram tratá-los como criminosos.” As informações são do Jornal da Tarde.

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A segunda reprodução é do site do Diário de Marília (SP) , a peculiar opinião assinada pelo senhor Alexandre Garcia, na seção “Colírios e Cotonetes”. Confesso minha ignorância a respeito do autor do texto, mas concordo com suas palavras. O link original é este.

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Colirios e Cotonetes
28/12/2010 06:00:02

O império contra-ataca

Os jornais noticiaram que a Escola Britânica, do Rio de Janeiro, desligou de uma excursão ao sul de Minas Gerais três estudantes de 16 anos sob a justificativa de que fumavam maconha no quarto onde estavam. Por algum motivo – que não creio ser solidariedade à maconha – a notícia é redigida de forma a condenar a escola.

Até o alto preço da mensalidade é invocado e o princípio de ouvir os dois lados é posto de lado. Só aparecem declarações contrárias à escola. Um pai que não quis se identificar diz: “Meu filho foi tratado como criminoso. Ele não é e não vou admitir que façam isso com ele. O papel de uma escola é educar”.

O pai deve desconhecer que o papel de educar cabe primeiro aos pais. Educar e formar. Sou também pai de jovem e se meu filho fosse retirado de uma excursão por fumar maconha, eu iria condenar meu filho e não a escola. E iria me envergonhar por não ter sabido dar educação suficiente a meu filho; e iria procurar saber se ele não estaria se refugiando na fumaça da maconha por causa de alguma carência em casa. Os pais vão processar a escola. O advogado contratado diz, no Estadão: “Os algozes foram insensíveis, arbitrários e vão pagar por isso”.

Quem já pagou pela maconha – certamente o dinheiro dos pais dos jovens – também pagou pela compra de alguns cartuchos para fuzil. Talvez do Complexo do Alemão ou da Vila Cruzeiro. Quem sabe o dinheiro da maconha vai matar alguém do BOPE? Ou vai sustentar alguma bala perdida a matar alguma criança saindo da escola na favela da Maré?

O jornal também ouviu uma educadora da PUC e sindicalista: “A repressão não serve de exemplo nem educa os alunos”. Ela se referia à escola, mas a frase pode ser muito bem aplicada nos morros cariocas. Nada de repressão. Deixem que o tráfico tome conta de corações e mentes que o sustentam.

O que se nota, no episódio, é o contra-ataque do império da droga. Seu poder está no binômio traficante-usuário – um sustenta o outro, como uma relação de hospedeiro e parasita, que se estuda na escola. Como escreveu Lya Luft, em sua página na Veja:
“Sempre que um de nós fuma, cheira ou injeta, está fazendo continência a um traficante. Está pagando a bala que vai matar alguém. Enquanto consumirmos drogas, eles continuarão donos da festa”. A luta é difícil, porque o lado de cá está cheio de “quinta-colunas”.

Alexandre Garcia

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Acho que a Escola Britânica agiu exemplarmente. Sou pela tolerância zero com essas coisas. Principalmente em se tratando de uma instituição privada de alto custo. Logo, quem ali estuda é proveniente de família de posses, que nenhuma dificuldade encontrará para matricular os filhos em outra instituição de nome e qualidade.

Acho também irresponsável a atitude dos pais, expondo os filhos ainda mais com a publicidade que deram ao caso. Fossem mais conscienciosos e, caso achassem equivocada a atitude da instituição de ensino, tomariam providências que achassem cabíveis na surdina, fora dos holofotes da mídia, poupando assim os filhos de um maior constrangimento.

A atitude dos pais, entretanto, me faz crer que sejam eles próprios consumidores e/ou apólogos do consumo de drogas. Acho isso pelo fato de aparentemente estarem mais preocupados em defender um ponto de vista do que cuidar dos filhos.

Uma frase de um pai, da matéria do Estadão e também reproduzida em “Colírios e Cotonetes”, é sintomática: “O que a escola fez é um exemplo negativo. Em vez de educar, resolveram tratá-los como criminosos.”

Ora, deviam ser tratados como? Fossem menores de idade presos roubando os filhos dele de armas na mão, será que o mesmo pai viria a público dizer que “o que a polícia fez é um exemplo negativo. Em vez de educar, resolveram tratá-los como criminosos”?

Achei um exemplo bem positivo, esse dado pela Escola Britânica.

Outro conceito que considero um tanto desvirtuado do pai de um dos menores infratores, também destacado por Alexandre Garcia: ” O papel de uma escola é educar.”

O papel da escola é TAMBÉM educar. Porque EDUCAR, mesmo, é papel da família.

E é aí, na família, que consiste o maior problema de nossa sociedade.

Como podemos verificar neste caso.

Mais em relação a isso já comentei aqui e aqui , por conta do recente conflito na área do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

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