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FLUMINENSE ► Argumento de “qualidade do espetáculo” para valores de pacote tricolor não se justifica

23 jan

Muitos dos que defendem com a melhor das boas intenções a diretoria do Fluminense em relação aos pacotes de ingressos recém-lançados (o Guerreiro Tricolor) costuma usar o argumento da “qualidade do espetáculo” oferecido para justificar os preços.

Acredito que não o façam por mal, mas de tanto ouvir tal argumentando, acrescido de coisas como “na Europa é assim” ou “nos EUA é assim”.

Não, não é.

Preço de ingresso diferenciado é algo comum no esporte profissional. O ingresso varia de acordo com o apelo da partida.

Só que o que varia para cima, varia para baixo também, quando há jogos de pouco apelo.

O que não acontece nos pacotes oferecidos pelo Fluminense.

Ou alguém acha que 40 reais para assistir a um jogo do campeonato carioca, com o Fluminense provavelmente desinteressado e recheado de reservas, no Engenhão, às 22h de uma quarta-feira, é um preço de acordo com o apelo da partida?

Não pretendo teclar linhas e mais linhas sobre algo que, a mim, parece óbvio. Vou dar apenas alguns exemplos do que acontece na NBA, a milionária liga de basquetebol norte-americana.

E vou logo para o Los Angeles Lakers, a franquia mais famosa e de ingressos mais caros, não tivesse como sede Los Angeles e seu ginásio, o Staples Center, não ficasse quase que dentro de Hollywood. Aliás, de tantas personalidades em quadra a cada jogo dos atuais bicampeões da NBA, até parece o set de algum dos poderosos estúdios de cinema locais.

Pois o Lakers cobra ingressos diferenciados para seus 41 jogos como mandante durante a temporada regular, claro. São quatro faixas para quem quiser comprar individualmente. Há também promoções para quem quiser adquirir entradas em grupo e outras tantas de diferentes tipos promovidas por todas as franquias da liga.

Dois jogos enquadrados na categoria Marquee, os de maior apelo para o torcedor, têm preços bem mais caros. São os confrontos contra o Miami Heat no dia de Natal (já passou…) e contra o tradicional rival Boston Celtics (no final deste mês). Nessas duas partidas especiais, que seriam o equivalente aos nossos jogos finais da Libertadores, o ingresso varia de 150 a 900 dólares, algo entre 260 e 1.600 reais. Preços bem salgados, à altura de Hollywood mesmo.

Abaixo da Marquee, há a categoria Premium (seriam demais jogos da Libertadores, talvez), nove jogos escolhidos a dedo (incluindo a abertura da temporada), com entradas variando entre 50 e 450 dólares (85 e 800 reais).

Seis jogos foram enquadrados na categoria Value. São mais baratos. Os preços vão de 10 (isso mesmo, 10) a 255 dólares (450 reais).

Os 24 jogos restantes (Select) têm ingressos variando entre 15 e 270 dólares (25 e 480 reais).

Checando os mapas de assentos (tem uma figura aí ao lado), vemos que o equivalente à nossa arquibancada do Engenhão (ponto com visão mais distante do campo) são os assentos do anel superior do Staples Center, cujos preços variam entre 10 e 50 dólares (15 e 90 reais nos jogos “comuns”).

Resumo da ópera: por módicos 15 ou 30 reais, você pode assistir ao badalado Los Angeles Lakers de Kobe Bryant, um dos maiores jogadores de todos os tempos, enfrentar seu rival do Oeste e atual melhor time da NBA, o San Antonio Spurs de Tim Duncan, provavelmente o melhor ala de força da História.

Isso em Los Angeles, Hollywood, no Staples Center.

Agora vá você com 30 reais tentar assistir ao emocionante encontro entre Fluminense e Duque de Caxias numa noite de terça-feira no Engenhão…

É isso que chamam “valor da atração”?

E veja que dei o exemplo do Los Angeles Lakers, o mais caro time da NBA. Algumas outras franquias cobram preços algo semelhantes (mais baixos, porém), mas são poucas. A grande maioria cobra bem menos.

Fora as promoções.

Por exemplo: com 4 dólares (isso mesmo, 4 dólares, cerca de 7 reais), você poderia assistir na NBA a uma partida do San Antonio Spurs contra uma dos mais promissores e agradáveis times de se ver jogar, o Oklahoma Thunder City de Kevin Durant. Em San Antonio.

Como se vê, é lógico e racional que se adote preços diferenciados no esporte profissional. Contra o Lakers os preços sobem, em qualquer ginásio.

Em compensação, nos jogos de menor apelo (como os do nosso campeonato carioca e qualquer estadual Brasil afora) os preços vão lá embaixo. Simples assim.

Se é para fazer valer o apelo do “espetáculo”, então assim o façam – de verdade. Como é feito na NBA.

Como o Fluminense decidiu fazer é pura ganância.

Ou elitismo.

E isso porque não toquei nem de longe no quesito conforto para o torcedor…

Nem comentei que por 413 euros você poderia assistir a todos os jogos do Borussia Dortmund em casa na temporada 2009/2010 da Bundesliga e mais duas partidas internacionais, contra Udinese e Valencia.

Seriam cerca de 943 reais a temporada inteira.

O Borussia Dortmund, para quem não está ligando o nome ao fato, é aquele clube alemão que tem a absurda média em torno de 70 mil torcedores por partida como mandante.

Então eu pergunto: por que o Fluminense precisa cobrar mais que o Borussia Dortmund?

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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1 comentário

Publicado por em 23 de janeiro de 2011 em Fluminense, Futebol

 

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