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NBA ► “Miami, temos um problema!”

25 jan

Depois de um início claudicante, quando venceu apenas nove em 17 partidas, o badalado Miami Heat do trio de reis Dwayne Wade, LeBron James e Chris Bosh engatou 21 vitórias nos 22 jogos seguintes. Parecia que o sonho se realizava e que não haveria limites para a controversa reunião de astros na Flórida.

Mas uma vitória me chamou a atenção em particular. E não foi por bons motivos.

Foi justamente a 21ª vitória da série, quando o Heat derrotou o Portland Trail Blazers na prorrogação por 107 x 100, em pleno Rose Garden, onde bater o Blazers é sempre uma façanha.

“Ora, então qual o problema?”, pode pensar quem estiver lendo.

Pois é, nessas horas de alta é que devemos nos preocupar com o que está errado. É mais fácil corrigir erros assim, estando por cima e vencendo.

O problema foi quando olhei com atenção os números da partida. Os três astros do Heat jogaram demais. Muito mesmo. LeBron fez 44 pontos (ótimo aproveitamento de 17/26 em arremessos de quadra), pegou 13 rebotes e fez seis assistências. Wade anotou outros 34 pontos (15/22), mais oito rebotes e cinco assistências. Chris Bosh terminou com 18 pontos e mais oito rebotes, além de dois tocos.

“Ora, então qual o problema?”, tem o direito de continuar pensando quem tiver tido a paciência de ler até aqui.

O problema, então, é que os três juntos somaram 96 pontos, enquanto o resto do time fez míseros 11. Sozinhos, Wade, LeBron e Bosh quase empataram com o Blazers. E esse é um problema grave, porque não é sempre que três jogadores conseguem combinar 100 pontos numa partida. Quando isso não é possível e em jogos mais fortes, o Heat precisa de um elenco de apoio. Que não tem. Ao menos no momento, o Heat depende única e exclusivamente de um desempenho sempre em alto nível de suas estrelas.

Nesse jogo com o Blazers, por exemplo, os pivôs do Heat, Zydrunas Ilgauskas e Joel Anthony, ficaram em quadra 47 minutos, pegaram um (1!!!) rebote e não anotaram um pontinho sequer. Anthony, aliás, não anotou absolutamente nada além de faltas e um turnover. Os armadores Carlos Arroyo e Mario Chalmers jogaram 53 minutos para somarem quatro pontos, cinco assistências e sete rebotes. Pouca contribuição, não é mesmo? Assim não dá para chegar longe numa série de playoffs.

No jogo seguinte, em Los Angeles contra um Clippers que engrenava um ritmo de jogo muito bom, Wade, LeBron e Bosh somaram “apenas” 84 pontos e o time perdeu por 111 x 105. Na noite posterior, LeBron não entrou em quadra em Denver e o Heat foi massacrado pelo Nuggets: 130 x 102. Ainda sem LeBron, o Heat perdeu na sequência em Chicago para o Bulls e, de volta a Miami, com LeBron, mas sem Bosh, para o Atlanta Hawks.

O Miami Heat só voltaria a vencer sábado passado, em casa, jogando contra o debilitado Toronto Raptors. Mesmo sem Wade e Bosh, não há como ser derrotado, hoje, por um time tão mutilado e até desventurado como o Raptors, que mal tinha jogadores para o banco nessa partida.

Enfim, essa história toda me fez dar mais valor a um comentário que, infelizmente, não lembro quem fez nem onde li, dizendo como foi ruim e sem sentido para o Heat contratar Chris Bosh.

Não que Chris Bosh não seja um jogador muito bom, embora não seja possível montar uma franquia vencedora em torno dele.

O fato é que, com Wade e LeBron sob contrato, o Miami Heat deveria ter investido no chamado elenco de apoio para suas estrelas. O que o Heat gastou com Bosh poderia ter sido usado para contratar bons jogadores, que dessem peso e profundidade ao seu grupo.

Com os três astros, o teto salarial do Heat foi ao limite e pouco sobrou para investir no resto da equipe.

Desse modo, não resta outra coisa a Miami além de torcer para que suas três andorinhas se mantenham saudáveis e consigam sozinhas fazer um verão durante os playoffs.

É possível? É, mas não será nada fácil.

Parece ser mais um daqueles casos em que mais significa menos: mais uma estrela, menos um grupo de jogadores que ajudem a levar uma equipe ao título.

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 25 de janeiro de 2011 em Basquete, NBA

 

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