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FUTEBOL ► Derrotas do Vasco para times pequenos em 1984, Bangu…? Não era nada disso!

11 fev

Se eu tivesse conseguido escrever na época certa, o título do post seria “não é bem assim…”. Acabou caindo no passado, mas vale a observação.

O Vasco vive um ano que promete ser bem complicado. Ano de eleições, com o Mal (pegou essa?) sempre à espreita, costuma efervescer o caldeirão de São Januário. Com prováveis reflexos dentro de campo.

E assim começou o Vasco no Campeonato Carioca: três derrotas (que depois viraram quatro, seguidas de um empate e uma aliviadora vitória).

Isso bastou para que fosse alardeado nas diversas mídias de nosso tempo, àquela altura, que o Vasco começava o ano repetindo seu pior começo da competição, em 1984, com três derrotas consecutivas para chamados times pequenos.

Vejamos, então:

1984 – Vasco 1 x 2 Campo Grande; Vasco 0 x 4 Bangu; Vasco 0 x 1 Americano.

2011 – Vasco 0 x 1 Resende; Vasco 2 x 3 Nova Iguaçu; Vasco 1 x 3 Boavista.

Aparentemente, tudo certo. Mas apenas aparentemente.

Houve jornalista bom caindo nessa. A maioria dos casos foi de desconhecimento mesmo e falta de pesquisa acurada. O clichê foi ressaltar as três derrotas seguidas para times pequenos.

Ora, quem viveu aqueles tempos ou se deu ao trabalho de pesquisar (olha o Google aí, gente!) sabe que o Bangu de 1984 de pequeno não tinha nada. Muito pelo contrário.

Durante a década de 1980 os tradicionalíssimos Mulatinhos Rosados de Moça Bonita viveram um de seus melhores períodos na história do nosso futebol.

Começou em 1980 mesmo, quando Castor de Andrade voltou a investir pesado no clube. Primeiro, com medalhões. Lembro uma vitória dificílima do Fluminense em Moça Bonita por 2 x 1 no primeiro turno daquele ano. Estádio lotado, tempo chuvoso, gramado escorregadio. Naquela ocasião, o Bangu alinhou, entre outros, o goleiro Tobias, figura carimbada na história do Corinthians; o bom lateral-direito Ademir Batista (posição que depois seria ocupada pelo folclórico – e muitas vezes bom – baiano Perivaldo, o Peri da Pituba); e o vigoroso (até além da conta) zagueiro Moisés, o Xerife, na defesa.

O meio-campo era formado pelo então veterano Carlos Roberto (aquele ótimo volante do Botafogo que no ano anterior vestira a camisa do Fluminense), Ademir Vicente (que ficou conhecido por ser um carrapato marcando Zico quando defendia o alvinegro de General Severiano) e ninguém menos que o uruguaio Pedro Rocha, ainda um craque, mesmo no ocaso da carreira – se é que houve ocaso na carreira de um craque (na acepção da palavra) como Pedro Rocha.

Na frente, o também veterano artilheiro Mirandinha, o ainda jovem e muito bom Luisinho (conhecido como Luisinho das Arábias, que jogaria depois pelo Flamengo) e um esforçado e grandalhão centroavante chamado Luisão. Luisão fez muitos gols com a camisa do Bangu, mas um em especial, que provavelmente ficou marcado na vida dele. Na minha mente, ao menos, ficou. Foi o gol que deu a vitória de virada ao time alvirrubro sobre o Fluminense por 2 x 1, durante o segundo turno daquele mesmo 1980. Uma partida disputada no estádio que o Botafogo tinha em Marechal Hermes numa noite muito chuvosa e que deixou Castor de Andrade tão eufórico que deu um carro ao seu centroavante.

A partir desse ano, Castor foi burilando o Bangu, que mais tarde seria finalista em 1983 (terceiro colocado, com direito a uma acachapante goleada de 6 x 2 sobre o Flamengo no Maracanã) e vice-campeão em 1985, ano em que conquistaria também o vice-campeonato nacional, perdendo o título para o Coritiba numa histórica decisão por pênaltis que entristeceu um Maracanã lotado e colorido por torcedores de todas as bandeiras.

A essa altura, já passavam pelo Bangu jogadores como o excelente ponta-direita Marinho, os meias Mário e Arturzinho, o centroavante Cláudio Adão, os atacantes Fernando Macaé e Paulinho Criciúma, o goleiro Gilmar, o ponta-esquerda Ado…

Tempos em que Moça Bonita era um alçapão e uma vitória lá só era arrancada a duras penas. Mas mesmo no Maracanã o Bangu não se fazia de rogado, como na acachapante e histórica goleada de 6 x 2 sobre o Flamengo em 1983 (com quatro gols de Arturzinho e o Flamengo alinhando, entre outros, Leandro, Mozer, Júnior, Andrade e Adílio) e nos citados 4 x 0 de 1984 sobre o Vasco de Roberto Costa, Ivan, Daniel Gonzalez, Geovani e Mauricinho, com quatro gols de Cláudio Adão (embora na súmula um tenha ido para Ado).

Como se vê, de pequeno, em 1984, o Bangu não tinha nada. Por isso reclamo, mais uma vez, da falta de compromisso da nossa imprensa esportiva. Chamar o Bangu da década de 1980 de pequeno só pode ser distração ou ignorância. Ou pior: ignorância movida pelo desleixo, pelo trabalho feito nas coxas, sempre em busca de resultados imediatos e rasos, normalmente apelando para o clichê e o lugar comum, esquivando-se de pensar e pesquisar, sem qualquer compromisso com a História ou com a qualidade da informação.

Enfim, um desrespeito com quem consome essa (má) informação (nós!), com a história do futebol carioca e com a história do próprio Bangu Atlético Clube.

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Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 11 de fevereiro de 2011 em Futebol

 

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