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FLUMINENSE ► Depois da porta arrombada, diretoria tenta remediar péssimo projeto Guerreiro Tricolor

Eu já havia escrito aqui e aqui que acho o programa Guerreiro Tricolor sinônimo de burrice e antimarketing. Já vi muita coisa estúpida vinda de clubes de futebol, do Fluminense inclusive (só o Horcades dava um livro). Mas nada se compara a esse plano.

Depois do fracasso anunciado (15 mil torcedores num jogo de estreia da Taça Libertadores!), o presidente Siemsen saiu-se com essa pérola de declaração à Rádio Brasil, reproduzida em diversas mídias: “Esperava um público maior, mas, considerando todas as situações, como a TV aberta, o tempo que se perde no trânsito, acho que está proporcional.”

Apesar do ridículo público, nosso dirigente teria ficado satisfeito com a arrecadação de R$ 681.050,00: “O importante é avaliar que a renda foi expressiva. Em termos de valores, a diferença de pagantes e presentes foi muito pequena, o que significa que estamos fazendo um trabalho importante em cima da bilheteria, do cumprimento das regras. Cortesia não pode ser vendida por cambista. Estamos trabalhando para diminuir essas diferenças.”

Primeiro que a desculpa de horário e TV para um jogo de tamanho apelo é completamente esfarrapada. melhor seria ter ficado calado.

Depois, parece até que estou ouvindo Eduardo Vianna ou Eurico Miranda defendendo as transmissões ao vivo de TV e a cobrança de ingressos caros, pouco se lixando para a presença ou não da torcida no campo.

O mais incrível é declarar isso e dar ingressos a torcidas organizadas. Ora, se vai dar ingressos para torcidas organizadas, também quero! Isso que é profissionalismo?

Posso enumerar aqui alguns casos de torcedores de meu convívio que normalmente estariam no Engenhão, mas que, irritados com esse projeto Guerreiro Tricolor, ficaram em casa ou viram o jogo com amigos em algum bar.

1 – Meu irmão pensava em renovar o Passaporte Tricolor para ele e o filho. Ficou no pensamento. Ao ver como era o tal Guerreiro Tricolor, inclusive sem qualquer espécie de desconto para famílias, avisou logo que estava fora. Menos dois torcedores na arquibancada.

2 – Meu superior imediato no trabalho, com o qual costumo assistir muitos jogos do Fluminense, já planejara adquirir dois Passaportes, uma para ele, outro para a esposa. Ao ser surpreendido com o Guerreiro Tricolor, preferiu investir o dinheiro no primogênito. Menos dois.

3 – Outro colega de trabalho resmungou algumas palavras impróprias para menores, deixando claro o que pensava do plano da diretoria tricolor. Menos um no estádio.

4 – O vizinho de minha mãe, um advogado, até viaja para acompanhar o Fluminense em jogos importantes, quando o trabalho permite. Ele queria fazer um plano conjunto com a esposa e se espantou ao não ver opção alguma nesse sentido e constatar as restrições impostas pelo regulamento, como a impossibilidade de ceder a outra pessoa o cartão quando não pudesse ir ao jogo. Assim, sem desconto para família e sabendo que não poderia estar presente nas três partidas da Libertadores, optou por torcer de casa. Menos dois.

5 – O marido de minha prima é muito apaixonado, de não perder jogo algum. Quer dizer, de não perder jogo algum desde que o clube faça o mínimo para contar com sua presença no estádio. Com dois filhos para levar, obviamente seus gastos iriam longe. Menos três.

6 – O proprietário do apartamento que estou tentando comprar é tricolor roxo. Mas não o suficiente para concordar com esse projeto e assinar um pacote. Até porque ele é mais um daqueles que assinaria para a família e não viu qualquer incentivo nesse sentido. E, como salientou, não havia nenhuma garantia de que o Fluminense não fosse cobrar os tubos pelos ingressos na fase seguinte da Libertadores, se conseguir chegar até lá. Ou seja: apenas a prioridade na compra de ingressos caros não atrai ninguém. Menos três.

7 – Meu pai há muito não vai a estádios. Acho que o último jogo que assistiu inteiro foi o maravilhoso 4 x 1 sobre o Flamengo no Supercampeonato de 2002, ano do centenário, com direito a ver Athirson distribuindo pontapés ao vento enquanto levava sucessivos dribles de Roberto Brum – até acertar um e ser expulso. E já aí não pagava ingresso, devido à sua idade. Mas mesmo assim meu pai sempre colaborou com o clube, desde a criação do Sócio Torcedor em 1999. Desse modo, adquiriu um Passaporte Tricolor apenas por paixão ao Fluminense, apesar de não ir mais aos estádios e mal tendo nervos para acompanhar algo na TV. O cartão ele nos cedia para levarmos um torcedor a mais ao campo. Com as restrições do Guerreiro Tricolor, não poderia mais fazer isso. Pior: mesmo que quisesse, nada poderia fazer, pois o Guerreiro Tricolor é tão mal feito que meu pai, que não acessa a internet, sequer saberia de sua existência se não fosse por nós, os filhos. Ao contrário do Passaporte Tricolor, que enviava não apenas e-mails, mas também correspondência impressa, o Guerreiro Tricolor, elitista e exclusivista como ele só, parece existir apenas na grande rede mundial cibernética. Moral da história? Menos um.

8 – Por fim, eu. Tento amadurecer e dar as costas a coisas imbecis como esse projeto, mesmo me custando a perda do prazer de ir a um estádio de futebol torcer pelo Fluminense. Mas, jogo com o Argentino Juniors chegando, sem vergonha alguma na cara, fiz uma única – e última – tentativa de aderir a esse famigerado Guerreiro Tricolor.

Às vésperas dessa partida, perguntando se assinando naquele dia, conseguiria ir ao jogo de quarta-feira e recebi uma inacreditável resposta.

Provavelmente não conseguiria, porque dependeria do sistema (que estava fora do ar….), do tempo de aprovação do débito no cartão de crédito, que não sabiam dizer se eles receberiam essa aprovação em tempo hábil, assim como não podiam garantir que o e-mail de confirmação de assinatura do Guerreiro Tricolor chegaria na minha caixa de mensagens antes da partida…

Enfim: “Mais alguma coisa, senhor?”
“Não, obrigado.”

Resumo: menos dois torcedores (minha esposa e eu).

Fala sério, é muita incompetência de uma vez só. Ninguém ali jamais ouviu falar em boleto bancário, que dá comprovante na hora? Ou transferência?

E o que talvez seja pior: não houve a menor questão de me incentivar a assinar um pacote e comparecer à partida.

É esse um programa inteligente e moderno para mobilizar a torcida?

Só se for a da poltrona. Setor para o qual muitos tricolores de arquibancada confirmaram – e marcaram – presença, motivados, principalmente, por esse péssimo projeto chamado Guerreiro Tricolor.

É assim que essa diretoria pretendia lotar o Engenhão sem filas? Bem, justiça seja feita, acabaram com as filas… e com o público também.

Será que eles realmente têm interesse em vender ingressos e encher o estádio?

Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

O resultado dessa salada aí em cima todo mundo viu. Só de minhas relações, 16 torcedores deixaram de ir ao estádio contra o Argentino Juniors e não vão nas demais partidas da primeira fase da Libertadores. O mais grave: sinceramente, ainda não falei com qualquer amigo que tenha ido. Foi o vexame de público que se viu, arquibancadas à míngua e o time adversário jogando à vontade, sem pressão alguma.

Vale sempre lembrar que o Engenhão é um estádio muito bom para visitantes. A distância da torcida para o campo de jogo, intensificada pela pista de atletismo, dá muita tranquilidade aos times de fora. Apenas com arquibancada cheia e à base de muito grito na garganta é possível alterar esse quadro e assim fazer valer o mando de campo, especialmente em confrontos contra os adversários cascudos da Libertadores. Mas a inocente diretoria tricolor aparentemente não sabia disso.

Ou avaliou muito mal o poder de compra do torcedor tricolor.

Agora, porta arrombada e pontos perdidos, o Fluminense começa a tentar se mover para remediar a situação. Que é muito delicada, já que não pode diminuir o preço dos ingressos da Libertadores, pois isso seria, para dizer o mínimo, injusto com quem adquiriu o Guerreiro Tricolor.

Para a semifinal da Taça Guanabara contra o Boavista, no próximo sábado, a diretoria decidiu liberar a entrada para quem tem o cartão do projeto, com direito a levar um acompanhante também gratuitamente.

Talvez tentem o mesmo para a Libertadores. Ao menos assim, na teoria, deixariam o estádio quase cheio.

Mas tudo com cara de improviso, jeito de remendo, apenas remendo para um projeto incrivelmente mal planejado.

Uma das dúvidas que tenho é a seguinte: será que eles querem fazer do Fluminense um clube tão metido à besta assim?

E tem gente ganhando para pensar isso. Ah, se fosse na época de Roberto Horcades…

Me dou o direito, então, de subir virtualmente numa escada Magirus para aplaudir de pé tamanha incompetência: palmas irônicas para Siemsen e companhia!!!

*** *** ***

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