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CARNAVAL ► Tem gente querendo extinguir escolas de samba por decreto… Por favor, não ria!

Esta é para não dizer que não falei só das flores, hora dos cactos – e daqueles apinhados de espinhos – das autoridades cariocas no que diz respeito ao nosso carnaval.

Estava lendo o artigo de estreia do Ricardo Delezcluze no Carnavalesco e fiquei impressionado…

Ou melhor, ficaria impressionado se não soubesse da capacidade aparentemente inesgotável das autoridades públicas de trocarem os pés pelas mãos em praticamente tudo que se refere à nossa cultura popular.

Veja você que mesmo com a atual Prefeitura acertando aqui ou ali (como no caso da Cidade do Samba 2 e na decoração da Avenida Rio Branco – singela, mas está lá), sempre há espaço para asneiras como as criticadas pelo Ricardinho.

Lá no blog dele, deixei o seguinte comentário:

“Alguém precisa dizer a essa gente que escola de samba é expressão de cultura popular e cultura não se limita ou censura. Reduzir o número de escolas na caneta é algo que nos remete à Idade Média. E tirar o desfile da Intendente Magalhães só pode ser ideia de quem não tem o que fazer ou não entende absolutamente nada sobre tradição de escolas de samba e suas raízes populares, coisas estritamente ligadas aos desfiles naquela Avenida.”

Como diabos alguém tem a ousadia de querer extinguir uma escola de samba?

Pois é. Sabe o III Reich de Hitler proibindo e/ou restringindo manifestações judaicas? Proibir uma escola de samba de existir e de colocar seu carnaval na rua é algo que soa tão ridículo quanto absurdo e que coloca qualquer governo que cometa uma sandice dessas no mesmo patamar do nefasto regime nazista.

Parece pegadinha.

Antes fosse.

Como sempre ocorre nesses casos, fico imaginando um sujeito despertar para um novo dia, sair da cama e, de repente, sentir uma lâmpada acendendo sobre sua cabeça: “Nossa, que ideia genial eu tive! Tem muita escola de samba no Rio de Janeiro, um absurdo, vou sugerir uma redução, uma limitação no número delas!”

Pior que o tal sujeito pensar isso (melhor seria que da cama não se levantasse), é imaginar outras pessoas, numa mesa de reunião, apoiando, aplaudindo e enaltecendo tal barbárie: “Brilhante!”; “Genial.”; “Cara, mandou muito bem!”; “Parabéns!”; e outros salamaleques afins.

É bom tomarmos cuidado. Daqui a pouco outros gênios tentarão diminuir o número de blocos de carnaval (“pra que tanta gente brincando na rua?”), quadrilhas de festa junina (“uma por bairro e olhe lá”), times de pelada (quem gostar de futebol, veja na TV”), botequins de esquina (“desordem pública”), igrejas (“fé demais para gente de menos”), festas de família (“perturbação na vizinhança”), reuniões com mais de três pessoas (“terrorismo!”)…

A quem leva a sério e dá corda a algo assim, só nos cabe deixar mesmo a impagável frase que celebrizou o filme “Tropa de Elite”: “Pede pra sair!”

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Categorias:Carnaval, Rio de Janeiro
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