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CARNAVAL ► Coisas que reparei na transmissão do desfile do grupo de Acesso pela Band

06 mar

Não vi o desfile inteiro, apenas algumas escolas que passaram no Sambódromo no sábado pelo grupo de Acesso da Lesga, antigo Acesso A ou 2 ou 1A ou XYZ… Enfim, escolas da segunda divisão do Rio de Janeiro.

Abro um parêntesis para questionar por que essa gente não simplifica as coisas e define A, B, C ou 1, 2, 3 ou 1ª, 2ª, 3ª divisões… Seria muito mais simples de entender, não é mesmo? Mas parece que o ego de cada associação que congrega escolas de samba cariocas é grande demais para perder a chance de dar a própria nomenclatura aos seis grupos de desfiles oficiais da cidade.

Isto posto (ou postado), quero registrar duas ou três coisas.

► De olho numa TV, sem poder ouvir, logo no início do desfile, minha esposa perguntou que escola era aquela que estava no ar. Sem crédito na tela e sem som, esperei o tempo que pude na posição em que estava e não soube responder.

Há alguns anos, acho que acertaria fácil. Afinal, pelo horário, só poderia ser a primeira ou a segunda e as escolas nos bons tempos respeitavam suas cores. Como a primeira era a Alegria da Zona Sul e a segunda, a Renascer de Jacarepaguá, procurei o vermelho e branco da escola de Copacabana. Não achei. Imaginei então que fosse a Renascer. Mas ainda era cedo para ela. Sem conseguir ver a bandeira, fiquei no vácuo. Mais tarde – bem mais tarde – soube que era a Alegria.

Sem respeito às cores e com exagero do uso de ouro e marrom (em seus diferentes tons), as escolas estão visualmente cada vez mais parecidas umas com as outras.

Até nos grupos de baixo esse Mal está crescendo.

► Parece que saiu muita coisa errada no desfile da Alegria. Se serve de consolo, das escolas que vi, tinha o samba-enredo que mais gostei.

► A propósito de “sair errado”, gostaria de saber que critério do mundo das escolas de samba justifica Grande Rio, Portela e União da Ilha não poderem ser rebaixadas e a Alegria da Zona Sul, vítima de um incêndio à mesma época daquele que afligiu a Cidade do Samba e uma agremiação de muito menos recursos, ser jogada aos leões, sem qualquer proteção? Senhor prefeito, cadê a solidariedade? Só porque a escola não é do Grupo Especial?

Surgiu ajuda financeira de vários lados para Grande Rio, Portela e Ilha. Para a Alegria também?

Triste isso. Muito triste. Com perdão pelo mau trocadilho.

► Muito interessante a presença de um carro com referência ao espiritismo e tendo o ator e espírita Renato Prieto, protagonista do filme “Nosso Lar”, como destaque. Com certeza, há correntes espíritas que hão de discordar dessa participação.

De minha parte, espírita que sou, nada a opor. Como jamais me opus à presença de qualquer religião na Avenida. Muito pelo contrário: quanto mais luz do Bem, melhor.

► Gosto de sempre de dar força a quem lembra das comunidades que estão fora dos desfiles de domingo e segunda e transmite os desfiles de sábado – um dia aparecerá alguém que lembre dos demais grupos, um dia… Mas há situações que realmente são difíceis de não criticar.

Não dá para a dona Adriane Galisteu perguntar no ar, com ar de grande espanto, para onde vão as escolas que caem do grupo de Acesso: “Isso é o que ninguém sabe. Quem vence sobe e quem cai, cai para onde?” Foi nessa linha. Absolutamente lamentável.

E isso vindo de alguém que diz “amar” uma escola de samba e que está já há alguns na Sapucaí.

Grande exemplo daquelas celebridades modelo-atriz-manequim que “amam” as escolas de samba e que já critiquei algumas vezes na “Opinião” do OBatuque.com. Estão ali só para se servir das escolas.

► A melhor sacação do desfile, para mim, foi a fantasia de uma ala da Cubango. O enredo (“A emoção está no ar”) não me chamava muito a atenção em si, mas o desenvolvimento dele eu gostei. O uso de um telão (o cine Cubango), que poderia ser mero requinte visual, algo que não curto muito, foi bem aproveitado, já que as imagens de clássicos do cinema que exibia remetiam a alas que identificávamos com tais filmes.

Mas o que achei mais legal foi uma ala representando a transmissão da chegada do homem à Lua, com componentes fantasiados de astronautas e conduzindo uma bandeira dos EUA, como a que foi deixada em solo lunar.

Detalhes: primeiro, a bandeira ficava meio que imóvel (na medida do possível, claro), representando a falta de gravidade; segundo, a fantasia era toda em preto e branco, inclusive a bandeira, pois é assim que a História tem guardada essa imagem, já que não havia transmissão a cores na época. Muito bem sacado pelo Jaime Cezário.

Veja que não é nada complicado, rebuscado, tecnológico, coreografado… É apenas caricatural, criativo e descritivo do enredo, como manda – ou deveria mandar – o bom figurino de uma escola de samba.

► Das escolas que bem ou mal pude ver (Viradouro, Santa Cruz, Império da Tijuca, Inocentes, Cubango, Estácio e Império Serrano), a que achei melhor foi a Império da Tijuca. Apesar do enredo também não me entusiasmar, foi muito bem apresentado. O visual da escola estava bonito, com o conjunto respeitando suas cores e muito bom gosto em carros e fantasias.

Bom gosto que em nada me surpreende, já que aprecio o trabalho do carnavalesco gaúcho Severo Luzardo desde sua chegada ao Rio de Janeiro em 2004 para fazer o carnaval do Boi da Ilha. Fez bons desfiles na Acadêmicos do Dendê (o de 2007 foi ótimo) e na Arranco e agora mostra seu talento na escola do Morro da Formiga. É um profissional que se destaca pelo desenho das fantasias e pela capacidade desse desenho passar o enredo sem maiores dificuldades.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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1 comentário

Publicado por em 6 de março de 2011 em Carnaval

 

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Uma resposta para “CARNAVAL ► Coisas que reparei na transmissão do desfile do grupo de Acesso pela Band

  1. Ricardo Neves

    14 de março de 2011 at 14:22

    Infelizmente a falta de respeito por parte das emissoras com o
    público que realmente gosta de carnaval é enorme.
    Eu como sou de Brasília sofro a anos com essas transmissões.
    Acho que todo público televisivo é “_viúva_” da Rede Manchete.
    A transmissão do grupo de acesso foi sofrível.
    O desfile da Alegria da Zona Sul foi televisionado por cerca de 20
    minutos.
    Depois de um intervalo comercial no meio desfile, a equipe Band
    Folia fez um giro por Recife e Salvador, ficando nessa última por
    quase meia hora mostrando Ivete Sangalo. Novo comercial e se não
    bastasse entra no ar o programa da loterias da Caixa. Quando volta
    para Sapucaí já é a Renascer na avenida.
    E o pior de tudo, a equipe de transmissão volta como se nada
    tivesse acontecido. E lembra ao telespectador que a escola estourou o
    tempo.

    Depois vem o presidente da Lesga reclamar da transmissão, sendo que
    ano passado a mesma Band não transmitiu o desfile da Unidos de Padre
    Miguel.

    Mas enfim, não irei me alongar nesse desabafo.

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