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CARNAVAL ► Mais uma decepcionante transmissão da Globo

Muitas vezes fica parecendo que quem escreve gosta de falar mal das coisas, dos outros, de Deus e do mundo. Mas não é bem assim. Eu ao menos, se falo mal, falo por me perturbar como cidadão, consumidor, fã. Adoro escolas de samba e sempre gostei de assistir aos desfiles, então me dou o direito de criticar, sim, aquilo que gostaria que fosse melhor, mais do meu agrado até como público alvo. Mas sem querer ser o dono da verdade. Até por isso o nome deste espaço tem a palavra “opinião” e não “verdade”.

Há quem diga – e já me disseram – que “decepcionante” como usei no título do post seria se esperasse algo melhor. Como sinceramente torço para que isso aconteça e como prova de boa vontade, usei a palavra “decepcionante”. E para mostrar isso, começo teclando sobre duas ou três coisas que gostei na transmissão – ressalvando que não vi todas as escolas passarem.

► Gosto da narração de Luís Roberto. Eu o acho um dos mais agradáveis narradores de futebol e agora ele tem se revelado bom no samba também. Esforçado, procura se informar, é comedido, não cai no deslumbre nem no exagero e procura ter cuidado com as informações.

Além de pontuar bem suas intervenções, tem o capricho – bom para nós – de valorizar certos momentos dos desfiles, como batidas de baterias ou alguma evolução de destaque, cortando assuntos paralelos e pedindo a atenção para o que vemos/ouvimos através da telinha (ou telona, para os mais felizardos). Mas sempre com discrição, sem prepotência, inclusive em suas opiniões, que emite sem querer ser o dono da verdade.

Um de seus bons méritos este ano foi dar uma trava em Glenda Kozlowski ao longo da passagem das escolas, especialmente na segunda-feira.

Tenho gostado bastante de seu trabalho. Aliás, não apenas eu, mas todas as pessoas com quem converso, em geral, gostam de sua narração dos desfiles.

► Outro ponto positivo foi o fim daqueles irritantes aviõezinhos mostrando uma bunda aqui, uma estrela global ali. Não fez qualquer falta. Muito pelo contrário.

► Bem, fico imaginando que quem recebeu o sinal em HD tenha gostado da qualidade da imagem. Imagino que numa tela de sei lá quantas polegadas as cores do desfile tenham sido hipnotizantes.

► Da série “bobagens que nada acrescentam, mas que tem sempre quem goste”: os homens azuis estavam bem engraçados batucando e sambando.

Infelizmente, porém, muito do resto foi aquilo que entre amigos costumamos jocosamente chamar de padrão globo de má qualidade (PGMQ) que nos acostumamos a ver carnaval após carnaval, apesar do reforço do time de reportagem com bons profissionais. O problema parece ser de conceito.

Fica até repetitivo comentar ano a ano praticamente as mesmas coisas, por isso tentarei não me estender.

► As coisas ruins começam com aquele visual de merchandising, aquela tela imensa na cabeceira da pista, poluindo o visual das escolas. Exagero. Infelizmente, creio que qualquer outra emissora, hoje, fizesse algo parecido se tivesse a exclusividade do evento. Mas poderia ser mais discreto.

► A falta de parcialidade é algo bem PGMQ e um dos principais motivos de reclamação.

Repare numa queixa recorrente dos amantes de escolas de samba, a emissora não mostrar esquenta, grito de guerra e entrada de bateria. Tudo bem… Quero dizer, tudo mal não mostrar esses momentos de emoção e tensão de nenhuma escola, mas para a Globo há escolas e escolas.

A União da Ilha desfilou no dia de seu aniversário. No momento do grito de guerra, o presidente Ney Filardis pegou o microfone e dirigiu-se aos seus componentes. Imediatamente, seu áudio foi cortado para uma entrevista fora de hora qualquer.

Já nos momentos que antecediam o desfile da Grande Rio, parou tudo na transmissão quando o presidente Jaider Soares começou a falar.

Assim não é legal, não é mesmo? Cadê o critério?

Todos sabemos a constelação de estrelas globais que desfilam na agremiação de Duque de Caxias, mas um mínimo de “semancol” seria muito bem vindo. O deslumbre em torno dos artistas da casa chega a ser constrangedor.

► O pior é mostrar a Grande Rio quase por inteira na Avenida – como mostrou – e ignorar solenemente a entrada da Unidos do Porto da Pedra. Fala sério! Desrespeito pouco é bobagem. Quando a Globo se dignou a mostrar a Porto da Pedra, a escola já ia lá com seus 10 minutos de desfile. Algo amoral e desqualificante.

Será tão difícil trabalhar bem, com profissionalismo e competência? Não, não é.

É algo que acredito chegue a constranger um bom profissional como o Luís Roberto, de quem falei acima. É óbvio que ele sofre algumas restrições. Um exemplo que me pareceu assim foi em relação ao acidente da modelo e apresentadora da Rede Record Ana Hickmann.

► Ana Hickmann apareceu na tela com certo destaque, dançando descalça, momentos antes de escorregar e sofrer uma perigosa queda (foi de rosto ao chão). Coincidentemente ou não, nem Luís Roberto nem Glenda mencionaram o nome dela. Porém, assim que ela caiu, Luís Roberto registrou sua preocupação “Nossa, Ana Hickmann caiu…”. Ou seja: eles sabiam que ela estava na tela. Como não acredito que fossem cometer, digamos, a falha de não mencionar a presença de um figura tão conhecida do público, posso supor que, por ser de uma emissora que faz forte e direta concorrência à Globo, tenham sido orientados a não citá-la. Algo pequeno, mau profissionalismo, mas nada incomum em nossa mídia.

A queda, porém, gerou uma notícia que não podia ser ignorada, porque todos ficamos preocupados. Tanto que, na dispersão, a Globo cumpriu a tarefa jornalística de entrevistar a estrela e informar como ela se encontrava, algo que queríamos saber. Por que, então, não ser profissional assim mais vezes?

► Este ano a Globo levou seu aquário da área de concentração para a dispersão. Com um novo time de convidados. Ana Paula Araújo foi a âncora. Figura simpática, competente. Não procurou mostrar intimidade nem deslumbre exagerados com o mundo das escolas de samba. Haroldo Costa, certo. Apesar de ter se tornado meio condescendente nos últimos anos, é um bamba que conhece como poucos o que é uma escola de samba. Teresa Cristina pode entender de música, mas achava todos os sambas bons. Como assim? Não são. A maioria dos sambistas sabe disso. Isso meio que diminui o valor de suas intervenções. Fernanda Abreu… Não é a praia dela, apesar de concordar com a observação que fez em relação ao desfile da Unidos da Tijuca. Já Hélio de La Peña nem engraçado conseguiu ser. Uma das presenças mais deslocadas de que me lembre ter visto nessas transmissões. E Chico Pinheiro… Não que seja um mau jornalista, inclusive o acho um dos bons. Tem um programa musical bem legal na Globo News (“Sarau”). Mas não acho que tenha caído muito bem em desfile de escola de samba. Num escorregão, chegou a dizer que a paradinha foi levada para o desfile das escolas no Sambódromo por Mestre André, da Mocidade Independente de Padre Miguel. Até poderia cometer um deslize desses (afinal, ninguém está livre de um equívoco ou outro assim), se corrigissem o equívoco e contassem direitinho a história. Daí as saudades da Manchete…

► Eu, que pouco queria registrar a respeito, já teclei essas linhas todas aí e nem mencionei mais uma má participação de Glenda Kozlowski. Na minha opinião de fã de escolas de samba, acho que não dá. Não passa credibilidade, não é a área dela. Como gosto de dizer, seria como me colocar na transmissão de um desfile de moda. Eu até poderia falar direitinho, mas um robô seria mais espontâneo e transmitiria maior credibilidade. Para compensar a falta de intimidade com o assunto, ela acaba deixando-se levar pelo deslumbre: tudo é incrível, fantástico, maravilhoso… Claro que o desfile é uma festa bonita e a transmissão tem que ser para cima, positiva. Mas é preciso ser crítico também, pois só assim os elogios terão valor. Trabalhar assim só piora as coisas. Por azar (aí são coisas que acontecem mesmo), começou chamando a São Clemente de verde e amarelo (“os confetes verdes e pretos da São Clemente…”). Ainda levou um “chega pra lá” de um harmonia da Portela ao tentar entrevistar um componente durante o desfile. Não pode. Talvez um dia, se esforçando muito, ela chegue lá. Por ora, não.

► Outro registro bem PGMQ: evento da Globo nunca é ruim. Assim como não há jogo ruim televisionado por ela, nenhuma escola faz desfile ruim no grupo Especial. Santa sorte, hein, Batman?

► Vou parar por aqui porque nem eu me aguento mais falando mais do mesmo. Acho que isso só vai mudar quando o Cade intervir como está tentando fazer no futebol, abrindo concorrência e cobrando transparência, ou o Governo intervir. Isso porque as escolas recebem subvenção dos governos municipal e estadual. Às vezes até do federal. Acho inconcebível que isso aconteça e nós, que pagamos com nossos impostos, não tenhamos opções e só possamos assistir aos desfiles numa emissora comercial. Deveria haver a disponibilização do sinal para a TV Educativa, por exemplo.

A concorrência é tudo. A própria Globo não era ruim nos tempos da Manchete. Apesar de ser inferior (no meu conceito), se esforçava, o que parece não acontecer hoje. Apesar de tudo, este ano foi melhor que a tragédia do ano passado.

Talvez um dia esse panorama seja alterado, quem sabe?

Se acredito nisso? Infelizmente…

Mas gostaria de dar o braço a torcer.

*** *** ***

Atualizando: a quem interessar, segue o link do post que fiz sobre a transmissão dos desfiles do grupo Especial do ano passado. Basta clicar aqui.

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  1. EduardoSG
    10 de março de 2011 às 22:07

    Olá David!
    Passei por aqui após uma busca no g00gle sobre: carnaval transmissão ruim
    E encontrei esse oasis de razão e senso comum. Comum ao meu pelo menos!
    Eu também gostaria de me refrear e não soltar uma opinião exagerada, mas
    tenho que dizer que quem me trouxe aqui mesmo foi a juvenil Glenda.
    A culpa mesmo do (meu) mal estar foi de quem a escalou.
    No mais obrigado pelo seu texto que certamente refletiu o pensamento de
    MUITOS em todos os aspectos.

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  2. 10 de março de 2011 às 23:05

    Obrigado pela visita, Eduardo. Como você, eu tento também não exagerar, mas, como amante de escolas de samba, ficamos chateados com o que parece um desleixo de uma emissora que tem todas as condições de fazer melhor, bem melhor.

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  3. Alexandre Dantas
    13 de março de 2011 às 22:44

    Indignado com a transmissao!

    Concordo com tudo que vc escreveu, e anote e pode passar adiante o
    que vou dizer:

    Eu como torcedor da Mocidade Independente de Padre Miguel estava
    ansioso para que dessem inicio ao desfile da mesma, porém o salgueiro
    tinha acabado de desfilar (grande desfile) e para minha surpresa
    quando começaram a televisar a mocidade já havia passado 15 minutos
    do desfile da mesma, hora bolas preferiram mostrar os problemas do
    salgueiro do que o início do desfile da mocidade, é um absurdo
    isso…

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  4. Paulo Borges
    15 de março de 2011 às 13:07

    Olá David.

    Concordo com tudo o que você disse.

    Em outros anos a Globo tinha pessoas entendidas do assunto como: Lena Frias, Ricardo Cravo Albim, Haroldo Costa.
    A Manchete faz muito falta. Aquilo sim é que era transmissão.
    Respeitando o telespectador, mostrando esquenta, grito de guerra.
    Bateria com o som nítido. Que saudade dos comentaristas.
    Fernando Pamplona, José Carlos Rego ( que dava uma aula de samba )
    Agora colocar humorista que não sabe de nada? Ela tem que chamar gente que entende do assunto. Coitado do Haroldo Costa ficou limitado.
    A Globo ficar exibindo a sua tecnologia e seus artistas que todo mundo já vê o ano inteiro. Assim como eu, você e as pessoas que assistem querem ver é SAMBA, AS ESCOLAS, BATERIAS.

    Espero que nos próximos anos a emissora acorde pra isso.

    Um abraço.
    Paulo.

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  5. Clara
    18 de fevereiro de 2012 às 14:24

    E salve mais um ano da péssima transmissão da Globo, da até sono. Um monte de comentaristas que mal falavam, nas filmagens a bateria é como se não existisse.
    Muito triste

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  6. Lacerda
    4 de março de 2014 às 0:52

    Infelismente para quem gosta de ver pela tv, esse ano realmente se superaram ! Ta pessimo!

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  1. 23 de fevereiro de 2012 às 4:18
  2. 11 de março de 2014 às 9:15

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