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CARNAVAL ► Mais algumas da má transmissão da Globo

13 mar

Depois que postei sobre o que achei da transmissão do desfile do grupo Especial que a Globo fez este ano (bem na base do “este ano foi igual ao que passou”), me lembrei e me lembraram de outras tantas coisas que uma emissora do porte dela não poderia deixar ocorrer.

Decidi então registrar mais alguns pontos de descontentamento quanto ao (mau) trabalho que aquela TV do Jardim Botânico mais uma vez realizou durante o domingo e a segunda-feira de carnaval.

*** *** ***

► Por exemplo: quem quer ver a cara dos narradores e comentaristas? Já escrevi sobre isso em OBatuque.com e torno a registrar na rede: a mim não interessa nem um pouco perder tempo de escola de samba no vídeo com a cara da Ana Paula Padrão, do Chico Pinheiro ou de quem quer que seja de imprensa. O que eu quero – e tenho certeza que a maioria dos telespectadores também – é o maior tempo de imagens da escola de samba e de seu som na Avenida. Simples assim.

► Uma das falhas básicas e recorrentes da transmissão – e isso é coisa de direção – ocorria sempre que uma bateria entrava no segundo recuo, o da Salvador de Sá. Ora, é legal as câmeras mostrando e captando o áudio de um ritmista aqui, outro ali, um naipe inteiro de instrumentos acolá. O problema é que tem hora para tudo e a Globo insistiu, escola após escola, em ignorar o que vinha atrás da bateria. As imagens iam para o recuo com os ritmistas de tal modo que sequer podíamos observar a manobra de entrada direito, quanto mais observar como a escola recompunha o espaço aberto, passistas, alas ou carros que vinham a seguir.

► Existe ideia mais sem sentido, arbitrária e antipática do que impedir o telespectador de avaliar as escolas que não estavam sendo julgadas pela Liesa? Considero esse um caso de idiotice completa, porque, além disso, a emissora sempre encerrava a participação do público ainda na metade da passagem de cada agremiação. Ou seja: a nota dada pelo telespectador seria dada com base no que ele visse em apenas metade do desfile.

Fora que aquela coisa de não deixar dar notas a Grande Rio, Portela e União da Ilha. Além de sem graça e frustrante para quem gosta de participar, meio que faz cair por terra aquele discurso de que a Globo não quer induzir o resultado oficial.

► Com o fim da Tupi a Globo já estava há alguns anos reinando solitária na transmissão dos desfiles, até que surgiu a Manchete com melhor cobertura e algumas sacadas legais, como a inserção das letras dos sambas das escolas. Isso tem quase 30 anos. E não é que hoje, 2011, a Globo consegue transmitir um desfile inteiro, em dois dias, sem se acertar com os caracteres? Por que as letras do samba entravam sempre com atraso, quando não entravam no verso errado? Isso é algo muito simples de se fazer. Basta capricho. E um mínimo de competência.

► Que bobo sensacionalismo barato foi aquele no fim (desastrado, por sinal) do desfile do Salgueiro? A escola se esforçava para terminar sua passagem na Sapucaí com um mínimo de dignidade dentro de todo aquele atraso e quando a Globo simplesmente parou de exibir carros e alas para se concentrar em mostrar os relógios da Avenida e a área de dispersão. Fala sério…

► Algo curioso que tenho observado todo ano é como na transmissão do desfile das campeãs feita pela Bandeirantes consigo ver e ouvir melhor a passagem das escolas. Chego a pensar às vezes que é birra minha com a Globo. Mas não, fiz questão de perguntar a várias pessoas e todas acham o mesmo. E a Band trabalha com muito menos recursos técnicos e equipamentos. Parece um daqueles casos de que mais não significa necessariamente melhor. O lance é fazer bem.

*** *** ***

Não há nenhum bicho de sete cabeças (ou uma Medusa, para não deixarmos passar o enredo da Vila Isabel) nessas coisas apontadas aí em cima. Nada que seja complicado, fora dos padrões ou inovador, de modo a dificultar uma boa execução – no caso, transmissão.

Como o problema não é técnico, só pode ser humano.

O problema, então, é dos profissionais de imprensa, dos técnicos ou de quem os dirige na transmissão?

Meu é que não é. Ou melhor: não seria, já que, como telespectador, acabo sendo afetado ao receber um produto de má qualidade.

Um produto de má qualidade que, fique bem claro, dá muito, mas muito dinheiro mesmo a quem o exibe.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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2 Comentários

Publicado por em 13 de março de 2011 em Carnaval

 

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