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FLUMINENSE ► O Fluminense atrás do Tigres da Baixada Fluminense

Eu não pretendo ficar postando aqui sobre Fluminense e suas crises. Acho assunto chato. Mas uma ou outra coisa acabo com vontade de comentar. Como o comportamento de boa parte da torcida do Fluminense em relação ao cartão vermelho que Muricy deu ao clube, um comportamento padrão entre os brasileiros. Um comportamento de “você não pode falar mal de mim” mesmo quando o “você” está obviamente certo e o “mim”, claramente errado. Eu, sinceramente, não costumo seguir esse padrão.

Pelo aspecto estrutural, pensando no futuro do clube, achei ótimo o pedido de demissão. A situação do meu tricolor é uma vergonha.

Eu não entendi quando, numa entrevista na ESPN Brasil, pediram a Belletti, que acabou de rescindir seu contrato, que comparasse a estrutura do Fluminense com a do (pequeno) Villarreal de 10 anos atrás na Espanha. Fala sério! Não precisa ir tão longe. Basta ir à Baixada Fluminense ver a estrutura do novato Tigres, ali de Duque de Caxias. Dá de 10 no Fluminense!

Lembro quando Parreira assumiu o Fluminense após a queda para a terceira divisão no final de 1998. A primeira coisa que o treinador disse, ao ver o estado do campo das Laranjeiras e vestiários do clube: “O Fluminense não treina nem joga mais aqui.” E disse mais: “Os jogadores já entram em campo derrotados.”

Isso em 1998. Praticamente à base de escambo (dinheiro não havia), Parreira conseguiu uma reforma do gramado, vestiários e uma decente sala de musculação, para que ao menos os treinos pudessem realizados em Álvaro Chaves.

Eu vi o antes e o depois. E creio que de lá para cá nada mais foi feito de relevante na estrutura de treinamento do Fluminense.

É uma vergonha. E é muito bom que o Fluminense fique no olho do furacão, alvo de toda sorte de críticas, por sua péssima estrutura. Só assim é capaz de sair dessa letargia que o domina há décadas.

Títulos são bons para nós torcedores comemorarmos, extravasarmos, ficarmos alegres, mas, para um clube, nem sempre. Um título espetacularmente conquistado em 1995 apenas mascarou uma situação tétrica que três anos depois nos levaria à terceira divisão e quase à insolvência.

Vejo muita similaridade em relação ao campeonato brasileiro conquistado no ano passado, feito calcado no excelente trabalho da comissão técnica e na superação do elenco. Não que tivéssemos o mesmo triste fim técnico, até porque o patrocinador tricolor é forte e o Fluminense tem tido elencos que o deixam mais distante dessa ameaça. Mas em relação à reestruturação do clube, um título como o de 1910 pode fazer muita gente achar que isso não seja algo prioritário.

Felizmente, no Fluminense havia alguém que não pensava assim. Acho que todos são capazes de lembrar que, mesmo campeão, naquele domingo após a vitória sobre o Guarani, Muricy cobrou da diretoria. O clube precisava – e precisa – de muito mais.

E esse muito mais não esteve em nenhum momento no rol de medidas urgentes que por ventura foram tomadas pela nova direção.

Medidas como o imediato fim do Passaporte Tricolor (ruim para o clube , bom para o torcedor) e a criação do fracassado Guerreiro Tricolor (ruim para o clube, péssimo para o torcedor), com seus ingressos fora da realidade a ponto de deixar o Engenhão vazio até na Libertadores.

Não há desculpa para Peter Siemsen. Nenhuma. Fosse competente, moderno, decidido, interessado e menos – MUITO MENOS – político, faria como Parreira e, assim que assumisse, interditaria o campo das Laranjeiras e iniciaria reformas que o deixassem minimamente decente para a preparação de um time que participa da primeira divisão do campeonato brasileiro.

Afinal, nas páginas do blog do grupo político que o levou á presidência, algumas das maiores críticas a Roberto Horcades era a falta de agilidade e interesse da diretoria para resolver os problemas do clube – o de estrutura principalmente.

E decidir anunciar mudanças no futebol do Fluminense em plena temporada, no meio da Libertadores, quando teve todo o fim de ano e o mês de janeiro para isso é passar atestado público de incompetência. Não é preciso ser nenhum gênio para saber que o correto seria chegar no final do ano e sentar com a comissão técnica e jogar firme, às claras, dizendo que romperia com todos os laços da gestão anterior, implementaria mudanças imediatas e que gostaria que o treinador entendesse as ações. Caso contrário, agradeceria pelo trabalho realizado, pelo título histórico e partiria para a contratação de uma nova comissão técnica, que teria toda a pré-temporada para começar a preparar o time para a Taça Libertadores.

Do jeito que estão sendo feitas as coisas no Fluminense, a impressão que se tem é que a nau está à deriva.

Aí, com essas críticas de Muricy, jogadores e imprensa, a torcida do Fluminense ainda se sente ofendida, magoada e acha que estão todos errados, o Fluminense é que está certo.

Sabe aquela mãe que tem um filho notoriamente bandido, mas que se recusa a ver a realidade? “Ah, meu filho, não. Ele seria incapaz disso.” Mãe de filho bandido, drogado, motorista bêbado que provoca acidente fatal dirigindo em alta velocidade… Assim está agindo essa boa parte da torcida do Fluminense. Muito pela paixão, mas também por motivos políticos.

Apenas como exemplo, a torcida age como na da saída de Washington para o São Paulo em 2009, quando o centroavante disse que ia atrás de seu objetivo maior (a Libertadores) e elogiou muito a estrutura do tricolor paulista. Bastou para um monte de tricolores acharem que Washington tinha chamado o Flu de feio e o São Paulo de mais bonito, quando nada do que ele disse contrariava a lógica e a verdade.

O que quer a torcida? Que os profissionais trabalhem no Fluminense por amor ao clube? Tudo bem, então acredito que quem pense assim trabalhe de graça para seus patrões, apenas por amor ao emprego…

Eu acho que o Fluminense merece toda a sorte de críticas que tem recebido. Vale lembrar que o clube, de maneira absolutamente injusta e desleal, demitiu o treinador Cuca para contratar Muricy Ramalho, que só veio sob a promessa de um projeto de reestruturamento completo das condições de treinamento do clube. E nada, nada aconteceu desde então.

Em vez de chorar e espernear, o Fluminense tem que ter personalidade, reconhecer sua patética situação e dizer com altivez: “Vocês estão certos. Mas vamos mudar e fazer disto aqui um clube tão estruturado que todos os profissionais de futebol sonharão trabalhar aqui.”

Simples assim.

Mãos à obra, senhor Peter Siemsen, que de desculpas tricolores eu estou realmente cansado.

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