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BRASIL ► Ah, tadinho…

O complexo de tadinho é uma das coisas que mais me irritam neste país. E é um complexo poderoso, que se dissemina como um veneno sem antídoto por toda a sociedade em suas mais diferentes esferas.

Um reflexo disso é nosso ridículo Código Penal, que parece ter pena de criminosos.

Ontem passava na Globo News um programa cujo tema do dia era “Bullying: criminalizar é a solução?”

A moda agora é discutir o bullying, que é um crime moral, ético, social e o caramba a quatro – menos penal.

Não entendo esse cuidado, aparente preocupação em não causar melindres, pode-se dizer até de não ferir suscetibilidades, ao tratar de atos criminosos.

Drogas: criminalizar o consumo é a solução?

Pichações: criminalizar o pichador é a solução?

Aborto: criminalizar é a solução?

Briga de rua: criminalizar é a solução?

Jogar lixo em via pública: criminalizar é a solução?

Por que tanto cuidado para impor a ordem?

Na verdade, a palavra “criminalizar” está mal empregada nas indagações acima. Foi só para não perder a deixa do tema do programa de TV. Bobagem, eu sei.

O verbo certo é “prender”.

Até porque há um monte de pessoas criminalizadas soltas nas ruas.

Outro dia eu dizia ao meu amigo Sérgio Brito que quem faz as leis no Brasil parece só pensar na possibilidade de ser enquadrado nelas ao redigi-las. Apenas isso pode justificar tanta brecha jurídica para que até crimes hediondos tenham penas absolutamente patéticas perante as leis de todo o resto do planeta.

Não aceito o questionamento para atos criminosos e muito menos a benevolência para aqueles que são enquadrados pela Lei.

O sujeito é pego numa blitz completamente bêbado ao volante, é multado e vai para casa. Só no Brasil mesmo. O motorista devia sair dali direto para a cadeia. Sem fiança.

Numa reportagem de TV, um assassino desses, armado com um carro, vitimou alguém ao dirigir alcoolizado e seria indiciado por homicídio culposo – que, ao contrário do que o nome à primeira vista sugere, significa sem intenção de culpa.

Mas como assim? O cara bebe e pega um carro para dirigir. Para mim, é óbvia a premeditação do crime, ele sabe dos riscos de guiar alcoolizado e assume a possibilidade de provocar acidentes fatais.

O potencial criminoso está todo presente.

Tolerância zero é a solução numa sociedade onde reina a impunidade.

Crime é crime. Prende e joga a chave fora. Se for o caso, depois acha. Ou não.

*** *** ***

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