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FUTEBOL ► Fluminense, de novo, supera pau, pedra e porrada para seguir em frente numa competição sul-americana

Desta vez, na Copa Libertadores, contra animais argentinos.

E quando digo “argentinos”, me refiro ao Argentino Juniors: time (formado por alguns bípedes selvagens), comissão técnica (comandada por um ogro – que me perdoem os ogros), torcida e diretoria (impedir a imprensa estrangeira de trabalhar vai além de censura).

Ainda são frescas na memória dos tricolores as épicas batalhas de Santa Laura (Flu 1 x 0 Universidad do Chile) e Pablo Rojas ( Flu 1 x 0 Cerro Porteño) pela Copa Sul-Americana de 2009.

Ontem, mais uma batalha vencida, no chiqueiro de luxo que leva o nome de Diego Armando Maradona e onde, provavelmente, pelo que presenciamos pela televisão, imagino que o craque argentino tenha aprendido a se drogar, já que futebol é um dom com o qual se nasce. E, pelo comportamento de alguns animais travestidos de jogadores de futebol de camisa vermelho e branco, o campo do Argentino Juniors é um manancial de bolinhas estimulantes.

Difícil imaginar que o fraco bípede que joga no gol e leva o nome de Navarro, um outro que envergava a camisa de número 18 e que nem vale a pena procurar o nome no Google e aquele bárbaro selvagem (redundância?) que chamam de Escudero, entre outros, estivessem em seu juízo normal.

Escudero é um dos maiores exemplos do poder e da influência de empresários no mundo do futebol, pois até no Corinthians esse animal foi parar. Onde não jogou nada, claro, porque não sabe, apenas colecionou cartões nas poucas vezes em o Timão foi obrigado a escalá-lo (por isso não se deve ter jogador assim no elenco, pois acaba-se correndo o risco de ter que colocá-lo em campo). Ontem, além de distribuir patadas (às vezes até na bola…), única coisa que consegue fazer dentro das quatro linhas, mostrou toda sua coragem e valentia ainda antes do apito final, quando trocou insultos e ameaçou sair no tapa com… Tartá!

Tartá, para quem não sabe, é um jovem valor saído das divisões de base do Fluminense e que deve ter cerca de metro e meio de altura.

Foto de Raphael Moraes/Photocamera - UOL

Se a dona Conmebol obrigasse o exame antidoping em suas competições ou não fosse uma casa muito da suspeita e tivesse um pingo de vergonha na cara, essas coisas dificilmente aconteceriam.

O Fluminense foi melhor e mereceu derrotar por dois gols de diferença mesmo o Argentino Juniors. O 4 x 1 foi justíssimo. Agora está (estamos…) nas oitavas de final.

A matemática dizia que o Flu só tinha 8% de chances de classificação? A matemática não estava errada. Raramente está. Aliás, acho que nunca está, já que é uma ciência exata – o que não se pode dizer do futebol.

O Fluminense é que havia se colocado nesse buraco e saiu dele de forma incrível.

E a superação do tricolor é muito mais em relação a seus problemas internos que aos adversários em campo, independente da qualidade deles.

O Tricolor superou nesta primeira fase da Libertadores uma diretoria que começou da pior maneira possível. Amadora, imatura, desastrada, incompetente e elitista, a administração Peter Siemsen foi completamente incapaz de administrar insatisfações internas antes da pré-temporada para poder se concentrar em uma preparação digna para uma competição tão importante.

Os dois principais erros, em minha opinião: não expor claramente ao treinador Muricy Ramalho, logo após o Brasileiro, que simplesmente “não ia rolar”: nada de estrutura. Suas reivindicações não seriam atendidas. E alterações por motivações políticas seriam feitas. Nada foi feito às claras para que o treinador decidisse ficar ou não e, em caso de “não”, o clube pudesse se preparar adequadamente.

O outro erro crasso, patético, boçal, burro e elitista foi conseguir a imensa façanha de esvaziar a arquibancada nos jogos da Libertadores. Jogar a Libertadores sem torcida é tentativa de suicídio. E mais não falo – por ora – porque não tenho paciência.

Mas assim como um time bom é aquele que sabe perder, digerir as derrotas e a partir delas corrigir rumos e sair maior, um bom administrador deve saber engolir erros e usá-los como feedback para uma reviravolta positiva em seu trabalho. Apesar do incrível odor de elitismo que paira sobre Álvaro Chaves, tenho uma réstia de esperança de que isso aconteça. Afinal, a esperança está em nosso hino.

Mas voltando às cenas de ontem na Argentina, o pior é que é por isso que, paradoxalmente, me ufano (pode isso?) da Libertadores. Não há competição mais empolgante nem difícil. Descontados esses exageros selvagens, claro. Mas veja só: sento à frente da TV e assisto a uma partida da Champions League e me sinto vendo um game de futebol em alta definição no computador. Imagem perfeita, uniformes bonitos, gramados espetaculares, um show de câmeras, nomes famosos… e uma frieza asséptica de dar sono.

Já na América do Sul é quase virtualmente impossível assistir a uma batalha (muitas vezes literais) decisiva da Libertadores impassivelmente. É pau, pedra, tudo no caminho. Tem campo pequeno, torcida em cima, nervos à flor da pele, botinadas, arbitragem pressionada, papel picado, rolo de papel higiênico, paus e pedras de verdade, cadeiradas, cassetetes, escudos, policiamento escasso e acuado, sangue, suor e lágrimas. Um verdadeiro caldeirão de emoções.

Pelo bem e pelo mal, no melhor e no pior sentido, um futebol de paixão.

Por isso não vejo como comparar qualquer feito numa final de Champions League em campo neutro com, por exemplo, Pelé calando a Bombonera numa final de Libertadores contra o Boca Juniors.

Sem chance.

*** *** ***

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  1. william
    21 de abril de 2011 às 19:19

    Meu caro David, mais uma vez belo comentário…A Vitória ontem, talvez tenha salvado o ano do Fluminense. Começa uma nova fase na libertadores de igual para igual, onde de quase eliminado, pode se tornar um dos favoritos ao título, devido ao elenco. basta a diretoria pensar….e falo, que o tricolor salvou o ano, pq domingo, vcs podem ganhar da mulambada e aguardar o Vasco.rsrsrsrs…

    Mas uma vez parabéns pela vitória e classificação….

    O grande Conca fez um comentário excelente: O dia que algum jogador morrer…aí sim a comembol tomará providencias.

    Abraços e até a final!!!!!

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