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FUTEBOL ► O bom Barcelona e o apito amigo

Para início de texto, já deixo claro que não simpatizo com o Barcelona. Coisa pessoal, todo mundo tem o direito de gostar de A ou B. E digo isso apesar de reconhecer seus méritos e considerar ótimo o trabalho do técnico Guardiola, que montou uma equipe extremamente arrumada em campo. Quando encaixa, é uma maravilha de ver. Gosto. Provavelmente, a melhor equipe do mundo no momento.

Mas seu jogo bonito às vezes se perde em toques excessivos e, assim como acontece na seleção espanhola, vez por outra carece de um centroavante de ofício para o meu gosto. A própria conquista da Espanha na África do Sul mostrou isso. Apesar de todo “encantamento”, as vitórias da campeã foram todas de 1 x 0. Aqui no Rio de Janeiro os times campeões do Fluminense que venciam assim ficaram conhecidos como “timinhos”, mesmo tendo grandes jogadores em suas fileiras. As finais do Europeu do ano passado entre Barcelona e Internazionale também exemplificam essa minha opinião. O Barça se enrolou todo com a retranca que o supervalorizado José Mourinho (figura pouco simpática) montou e acabou perdendo a taça sem sequer ameaçar muito a meta defendida pelo brasileiro Júlio Cesar.

Esta recente sequência de quatro partidas entre Real Madrid e Barcelona mostrou isso novamente: onze contra onze, o Barcelona não conseguiu levar vantagem e, no fim, o confronto acabou igual, com uma vitória para cada lado e dois empates. Não fossem as discutíveis expulsões dos jogadores do Real na primeira partida da semifinal da Champions League e talvez a história fosse diferente.

Aliás, o teatro catalão naquele jogo foi patético, digno de uns pontapés nas peladas que eu disputava ali nos campos do Fundão e vizinhança.

E o Campeonato Espanhol é tão fraquinho que Real e Barcelona praticamente o usam como preparativo para enfrentar os grandes desafios europeus e o próprio clássico entre eles. É nesses jogos que eles efetivamente podem ser avaliados.

Mas, voltando ao tema do post, não gosto mesmo é do fato do Barcelona ter se tornado um time historicamente protegido pela arbitragem.

Desde que imagens do futebol espanhol começaram a se tornar comuns em nossas telinhas que é um tal de pênalti de São Januário (me prometi um post em breve sobre isso) pra cá, gol em banheira pra lá…

A talentosa dupla Stoichkov e Romário, por exemplo, cansou de colocar a bola na rede ainda com sabonete espalhado pelo corpo.

Esta semana vi alguns momentos de mais um Barcelona x Real Madrid, o quarto desses jogados em poucos dias. Mais um jogo decidido pela arbitragem em favor dos cataleões. Os erros definiram o placar. Ou não?

Primeiro, aquele volante bem fraquinho do Real, o francês Diarra, se atrapalhou, foi trombado por um adversário e o ataque do Barça ficou na cara do gol, desperdiçando grande chance. O árbitro da partida achou tudo legal, como também achei.

Dois, três minutos depois, o zagueiro do Barcelona Pujol dá uma tremenda pixotada, se desequilibra e perde a passada após ter a bola dominada, deixando DiMaria partir sozinho para área – e aí o juizão achou de marcar perigo no gol, quando sequer houve qualquer contato entre os jogadores.

Isso acima foi no primeiro tempo. No segundo, ainda com o 0 x 0 no placar, DiMaria marca um gol legítimo, prontamente anulado pelo homem de amarelo, alegando que a queda de Cristiano Ronaldo e o consequente choque com Pujol, totalmente involuntário, constituía uma infração.

Depois o Barcelona saiu na frente e o resto é História.

Logo me veio à mente o gol de Leandro Damião que deu a vitória ao Internacional sobre o Grêmio no clássico gaúcho de domingo passado. Cara, se esse lance fosse contra o Barcelona, duvido muito que não fosse anulado.


Enfim, acho uma coisa chata. Dois lances claros de gol – um, de fato, terminou com a bola na rede – a favor do Real Madrid barrados pela pronta ação do abutre de amarelo que soprava o apito no jogo.

Aqui na nossa América do Sul é virtualmente impossível sequer imaginar um árbitro de Taça Libertadores anular qualquer dessas jogadas em que o Real foi prejudicado, até porque nada aconteceu,

Sabe, é muito “dois pesos, duas medidas” para o meu gosto. Daí minha antipatia pelo time catalão.

“Ah, mas o Barcelona é muito melhor”, “ah, mas o Messi é gênio”, “ah, mas o time merecia vencer mesmo”… Isso é outro problema. Tipo de argumento que, inclusive, implica em grave questão moral.

Isso acaba gerando muito cai-cai, muita pose, muito jogo de cena, muito “ai, ai, quebraram minha perna” por parte dos jogadores alvirrubros. Eles sabem que podem, assim como vários atacantes afirmaram que faziam em São Januário: “Cai na área!” era orientação básica.

São uns tadinhos esses jogadores do Barcelona, coitados, todo mundo bate neles…

Sei não, seria interessante ver esse time de “não-me-toque-ai-ai-ai” do Barcelona encarando uma Taça Libertadores da América…

E a propósito: que diferença intrínseca há entre as pedras que voam nos campos da América do Sul e as invasões de torcedores no Camp Nou?

A ameaça à integridade dos atletas está ali mesmo, latente, em ambos os casos. Sem tirar nem pôr.

Só que aqui é a América Latina e, lá, o Velho Mundo…

*** *** ***

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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  1. 3 de abril de 2012 às 19:50

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