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NBA ► O fim de uma era para o Los Angeles Lakers

26 maio

Tá bom. O clichê “fim de uma era” para a anunciada aposentadoria do supervitorioso Phil Jackson é o clichê dos clichês. Assim como falar de “fim de uma era” para sua parceria com Kobe Bryant, uma das mais vitoriosas e carismáticas da História. Mas não estou teclando aqui para falar do zen treinador e sua obra. A internet anda repleta de justas loas a ele.

O meu “fim de uma era” aqui é em relação a esse atual roster do Lakers. Já deu o que tinha que dar.

Primeiro acho que é preciso registrar e deixar bem claro como é difícil o feito que o Lakers tentava alcançar: vencer quatro vezes seguidas a sua conferência. No caso, a cada vez mais selvagem Conferência Oeste. Há décadas essa façanha não é consumada.

Mas os três títulos anteriores valeram três viagens às finais da NBA, que resultaram em um bicampeonato. Nada mau, muito pelo contrário.

Mas essa jornada também valeu, como muito lembrado por analistas e jogadores, mais de 400 partidas nessas quatro últimas temporadas e o custo disso em cima do corpo e da mente dos atletas num esporte que exige muito do físico e do psicológico foi imenso.

Basta ver a falta de forças da equipe na varrida que levou do Dallas Mavericks na segunda rodada dos playoffs. Na verdade, uma tragédia anunciada. Inclusive pelo capitão Kobe Bryant.

Ao longo de toda a temporada o Lakers mostrou-se irregular, com uma caminhada cheia de baixos (muitos) e altos (não tantos assim). Muitas vezes deu a impressão de atuar no controle remoto, enquanto seus adversários entravam em quadra com o turbo ativado.

O único realmente bom momento do Lakers foi após a parada para o Jogo das Estrelas. Aquele tempo que Phil Jackson teve para recuperar energias e treinar seu time acabou resultando numa ótima série de 21 vitórias em 22 partidas e mostrando como bom esse Lakers foi um dia. Foi.

Na sequência, o Lakers voltou a se arrastar em quadra, chegando a precisar se desgastar em uma prorrogação para bater um desmantelado Sacramento Kings e garantir a segunda posição da conferência.

Nos playoffs, o time penou para passar por um desfalcado New Orleans Hornets e levou seis jogos para derrotar Chris Paul jogando praticamente sozinho. Contra o Mavs, não houve o que desse jeito. E a senha para nós, torcedores, foi dada por Kobe logo após a derrota na primeira partida da série, no Staples Center.

Kobe declarou à imprensa que o Mavericks era um time que havia mostrado claramente que podia eliminar o Lakers. Bem, eu acompanho Kobe desde que ele entrou na liga e vi e li essa declaração. Para mim ficou a certeza de que o que o astro quis dizer foi algo na linha “nós não vamos passar por esses caras”. E não passaram, com direito a um atropelamento histórico de 122 x 86 na partida final e cretinas agressões de Lamar Odom e Andrew Bynum a adversários.

É o fim de um grupo de jogadores que pede reformulação urgente. Reformulação e rejuvenescimento.

Kobe Bryant teve mais uma temporada muito sacrificada fisicamente, desta vez sem nem poder participar da preparação da equipe ao lado dos companheiros, cuidando que estava de seu joelho. Quando se enfatizam os quinze anos de NBA de Kobe, não é a questão de idade que sobressai. O que chama a atenção é o desgaste, pois nesse tempo todo Kobe foi à pós-temporada, disputo, venceu e perdeu diversas finais e seu corpo precisa de uma boa recuperada para aguentar os anos finais de sua vitoriosa carreira em alto nível. Ainda em torno dele será construído o novo Lakers, mas terá que ser um Lakers com novas opções ofensivas. Não pode, como neste ano, um Kobe totalmente baleado ter a responsabilidade de carregar o time nas costas por causa de apagões dos colegas. Kobe jogou os playoffs com o tornozelo em petição de miséria, tanto que poucas vezes tentou infiltrar no garrafão adversário, algo totalmente fora de seus padrões. Ainda assim, novamente – e com justiça – entrou tanto na seleção geral da temporada da NBA como na seleção defensiva.

Pau Gasol queimou-se bastante após um belo início de campeonato. Mostrou muita irregularidade, precária condição física e fraca postura mental. Segundo ele mesmo diz, problemas sentimentais o atrapalharam. Não acho que devamos nos meter na vida particular dos jogadores, mas isso afetou de maneira surpreendente para um jogador do seu calibre. Me chamou muito a atenção a patética atuação contra o Portland Trail Blazers no final da temporada regular, quando os jogadores adversário fizeram do espaço aéreo acima de sua cabeça um verdadeiro porta-aviões, repleto de decolagens espetaculares que resultaram numa surreal enxurrada de pontes aéreas. Nos playoffs a situação só piorou, com direito a um mar de vaias ao melhor estilo Kwame Brown em pleno Staples Center após uma das derrotas para o Mavs. Chegou a praticamente ser peitado por Phil Jackson duas ou três vezes para ver se despertava para a vida. Se Pau fica em LA? Não sei. Há duas correntes a respeito disso. Uma defende sua negociação, abrindo espaço para a chegada de Dwight Howard, em fim de contrato com o Orlando Magic e ávido por um anel. Outra corrente acha que depois do fiasco deste ano, Pau voltará com tudo na próxima temporada. Pode ser. Talento não falta. Mas particularmente prefiro a primeira opção.

Pode-se dizer que Andrew Bynum foi o único Lakers que deu a cara nas finais contra o Mavericks e seu jogo cresceu muito a partir do momento que seus joelhos lhe deram uma trégua. Mas seu temperamento – ou a falta dele – o fizeram terminar em baixa também. A agressão gratuita e covarde a J.J. Barea no jogo final foi pessimamente digerida em Los Angeles. E não foi a primeira vez. Kobe, Magic Johnson, Fisher… Toda a franquia o recriminou com veemência e isso pode ser o fim da linha com a camisa amarela para ele.

Ron Artest passou o ano preocupado com tudo, menos com a bola, dizendo que os jogos que valiam seriam os dos playoffs. Os playoffs chegaram e Artest não fez, desta vez, a mínima diferença, pouco acrescentando em relação ao que vinha mostrando antes. Seu maior mérito foi ter controlado os nervos e mesmo a falta sobre Barea que lhe valeu uma suspensão me pareceu mais falta de jeito que má intenção. O problema para o Lakers é se livrar do contrato dele, mas acho que Artest ainda pode ser útil, desde que saia do banco nos momentos adequados.

A idade pesou visivelmente sobre o veterano Derek Fisher. A entrada do garrafão do Lakers foi uma via livre e desimpedida para qualquer armador leve e veloz que por ali quisesse passear. Fisher deve começar a ensaiar o fim de sua vitoriosa carreira, provavelmente indo para o banco e pegando cada vez menos tempo de quadra.

Lamar Odom foi bastante regular durante toda a temporada, foi justamente eleito o melhor sexto jogador do ano, não apareceu bem nos playoffs, mas deve com Kobe assistir a mais uma reconstrução ao seu redor. Curiosamente, Odom sobreviveu àquele pavoroso elenco que tinha nomes como Smush Parker, Kwame Brown, Brian Cook… Vou parar porque até dói a vista. Mas seria bom que Odom se decidisse apenas pela carreira de jogador, deixando as telas de lado. Odom estrela um reality show de sua esposa e dizem que pode ter um seu próprio. É muito, né?

Shannon Brown foi um jogador muitas vezes útil, começou tinindo, caiu um pouco no fim, mas sempre sendo uma opção interessante. Se tiver o contrato prorrogado, será bom para o Lakers.

Matt Barnes foi uma pena, na verdade. Vinha bem, era um dos trunfos do Lakers para os playoffs por sua força, sua defesa e sua versatilidade, mas a contusão que sofreu ainda na temporada regular cobrou seu preço na hora de decidir. Matt jamais entrou em ritmo após voltar às quadras e o time sentiu isso. Mas é outro bom nome para o amanhã.

Já Steve Blake decepcionou. Não criou, não marcou e suas bolas de três desapareceram. Não sei o que será dele no Lakers. Provavelmente, não será.

Do resto do banco do Lakers, apenas o novato Devin Ebanks talvez tenha algum futuro no time. Seu jogo pode desenvolver. O outro calouro, Derrick Caracter, tem peso demais para sua posição e sua bola não parece que um dia vá compensar isso. O veterano Theo Ratliff em nada pode ajudar devido a uma contusão. Esperava-se que sua experiência e o que resta de sua força ajudariam bastante nos playoffs, mas ele nem chegou lá. Em seu lugar veio outro veterano, Josh Smith, que nada acrescentou. Por fim, Luke Walton, a prova de que o basquete profissional norte-americano também é uma benção. O jogo de Walton simplesmente diminui ano após anos. Vale ressalvar que no basquete universitário Walton foi uma estrela, não jogava apenas pelo nome do pai, Bill Walton. Mas já deu para Luke no Lakers.

Como se vê, um novo Lakers vem por aí. Não chega a ser nem por opção, mas por pura necessidade. O Lakers precisa de novas soluções, precisa de mais juventude, mais rapidez, mais força para encarar as novas potências da NBA. E até mais motivação. Kobe Bryant não tem mais idade nem físico para jogar carregando o time nas costas sozinho como antes. Cabe à gerência reforçar grupo com competência para que uma nova fase de conquistas abrilhante ainda mais tanto o cartel da franquia quanto a carreira de um atleta que é um competidor simplesmente espetacular.

Abaixo, os vídeos dos jogos do Lakers nos playoffs. E que venha a próxima temporada, porque o show não pode parar. Muito menos na terra de Hollywood.

*** *** ***

Hornets 109 x 100 Lakers


Hornets 78 x 87 Lakers


Lakers 100 x 86 Hornets


Lakers 88 x 93 Hornets


Hornets 90 x 106 Lakers


Hornets 80 x 98 Lakers


Mavericks 96 x 94 Lakers


Mavericks 93 x 81 Lakers


Lakers 92 x 98 Mavericks


Lakers 86 x 122 Mavericks

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Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 26 de maio de 2011 em Basquete, NBA

 

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