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BRASIL ► Greves militares: os fins não justificam esses meios

As reivindicações de policiais na Bahia e agora no Rio de Janeiro são justas. Sempre fui muito a favor de remunerações altas para esses profissionais. Independente da má qualidade do serviço prestado por diversas corporações policiais de todo o país.

Não seria agora que eu mudaria de opinião.

Muitos amigos, inclusive, sempre me disseram que, antes de pedir salários melhores, os policiais deveriam trabalhar direito. Meu argumento sempre foi o oposto: antes de cobrar melhor desempenho, deveriam pagar mais justamente.

Mas, se as reivindicações são justas, o movimento, às vésperas do carnaval e da maneira como está sendo feito, resvala para a criminalidade.

E essa maneira que a “negociação” está sendo conduzida nos traz à mente a impressão de chantagem, explicitada no “alerta” dado por sindicalistas recomendando à população que não saia de casa.

Fica com cara de um terrorismo covarde e oportunista, vindo de uma classe que já não conta com a simpatia da população brasileira – muito pelo contrário.

Tanto que a maioria dos cariocas, por exemplo, não está nem aí para isso, pois prefere a presença do exército nas ruas.

Inclusive, a imagem da asssembleia na Cinelândia e os cantos de “guerra” na Bahia (ô, ô, ô, o carnaval acabou…”) são alarmantes, mais apropriadas a bandidos de torcidas organizadas, por exemplo, do que a mantenedores da ordem pública.

São essas pessoas que cuidam da nossa segurança?

Prefiro crer que esses grupos citados acima não representem em hipótese alguma o grosso do contingente de policiais militares brasileiros.

E quanto ao Rio de Janeiro, vale lembrar que, internet afora, andam debochando do carioca por estar levando em melhor conta a polícia militar, cuja imagem por aqui melhorou razoavelmente nos últimos anos.

Assim como a remuneração, que, se ainda está longe do que deveria ser (em minha opinião), está bem melhor do que alguns anos atrás, com diversos planos de reajustes até as Olimpíadas de 2016.

Quanto aos bombeiros, tiveram o meu respeito por eles, como classe, fortemente arranhado quando invadiram o quartel general em movimento passado, cometendo, para mim, um sério crime contra a soberania do país. Agora parecem agir como meros oportunistas.

A justiça das reivindicações evapora diante da maneira política com que os movimentos estão sendo conduzidos.

É como greve de médicos em dias de epidemia, greve dos correios às vésperas do Natal, greve dos transportes em semana de eleição… Há hora para tudo, de modo reivindicar sem prejudicar a população. Ou o objetivo é prejudicar a população para ter mais força ao reivindicar? Pois é, isso pode ser entendido como terrorismo, chantagem…

Os fins não justificam os meios, muito menos para militares. É caso de segurança pública e qualquer paralisação é simplesmente anticonstitucional.

E quem arca com as consequências?

Acho que cada homicídio em Salvador, por exemplo, ocorrido durante a paralisação militar, deveria ser imputado às cabeças do movimento.

São cúmplices desses crimes. Ou não?

A maior covardia é que, quem paga e sofre com esse movimento não é governo algum.

Quem sofre com isso são os trabalhadores que contam com as receitas geradas por turistas durante o carnaval.

Quem sofre com isso são os brasileiros que querem aproveitar os Dias de Momo gerando renda em seu próprio país.

A conta desse movimento grevista irresponsável vai para o povo – pagando até com a própria vida.

Logo, a greve dos policiais militares é contra nós, o povo.

É o que acho sobre toda essa situação, sem sequer comentar uma possível motivação política na eclosão desses movimentos (inclusive com políticos flagrados em conluio com líderes grevistas), já com vistas às eleições municipais deste ano.

O que seria o fim da picada.

*** *** ***

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