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FLUMINENSE ► Ézio, nosso artilheiro imortal

“Ézio era do bem. Não merecia morrer tão cedo. Assim como tantos outros que amamos e nos deixam rapidamente.”

Bonita e pertinente a observação de Sidney Garambone (link original aqui) em relação ao recém-falecido Ézio. O Super-Ézio, como imortalizado pelo narrador Januário de Oliveira.

Ézio sucumbiu a um grave câncer no fim do ano passado, mas não poderia deixar de registrar sua passagem.

O grande artilheiro tricolor era do bem. Daqueles na linha Ricardo Gomes, para quem não é da época.

Sempre vibramos com um gol do nosso time. Mas um gol de alguém que encarne nosso time, como Ézio encarnava, nos faz vibrar de uma maneira diferente, mais realizada, mais gratificada, mais completa.

Ézio tinha um grande coração. E um grande coração tricolor. Um jogador para o qual dava prazer torcer.

Foi um ídolo na acepção da palavra.

Jogou numa época muito difícil para o clube, mas nem por isso deixou de brilhar e de se dedicar 100% ao Fluminense. Talvez fosse nosso único ele de ligação com o grande Fluminense que sempre fomos e que naqueles dias parecia tão distante. E talvez não por acaso, sem ele, o Fluminense foi ao fundo do poço nos anos seguintes à sua saída. É o caso até de se imaginar o que teria sido do Flu já naquele principio de década sem o seu super-herói.

O primeiro gol de Ézio na segunda partida da final perdida contra o Flamengo em 1991 foi uma espécie de resumo de sua passagem naqueles tempos de vacas pra lá de magras: Ézio cabeceia na trave e vai ele mesmo buscar o rebote para encobrir o goleiro adversário e marcar.

Eu estava nas Laranjeiras em seu primeiro gol com a camisa do Flu, contra o Palmeiras, no Campeonato Brasileiro de 1991. E estava no Maracanã quando marcou pela última vez com a nossa camisa, nos dando a difícil vitória de 1 x 0 sobre o Bangu no octogonal decisivo de 1995, quando já enfrentava problemas físicos que o impediram de ter uma temporada regular.

Lembro uma vez em que Ézio passava por má fase. Foi em 1994. Nas Laranjeiras, numa quinta-feira, Ézio desperdiçou um pênalti contra o Volta Redonda. Bateu mal, o goleiro defendeu. Por ironia do destino, o goleiro era Paulo Victor, o único jogador ovacionado naquela noite.

O Fluminense empatou. Mas Ézio foi vaiado pela torcida que tanto vibrara com seus gols ali no legendário estádio da rua Álvaro Chaves. No vestiário, o artilheiro chorou, assumindo a responsabilidade pelo fracasso do time e oferecendo a vaga no comando do ataque para não prejudicar o Fluminense.

Alguém consegue imaginar tal atitude, tamanho compromisso com seu clube, nos dias de hoje?

Pois é. Foi algo estranho. A torcida meio que percebeu que passara da linha com o ídolo. Afinal, naqueles anos 1990, só Ézio dava vida ao Tricolor.

No domingo seguinte, o Fluminense jogaria em Madureira. Fiz questão de pegar não sei quantos ônibus e ir só para gritar o nome de Ézio. “Ê, ô, ê, ô, o Ézio é o terror!” (e não o “ah, é Super-Ézio”, que a desinformada torcida do Fluminense cantou durante o minuto de silêncio em sua homenagem)

Mas não fui o único. O tradicional estádio Aniceto Moscoso, na rua Conselheiro Galvão, estava cheio, com uma torcida que apoiou o centroavante o tempo inteiro, com direito a faixa em sua homenagem. O jogo ficou no 1 x 1 (gol de Branco), mas isso não tinha a menor importância.

As pazes entre torcida e ídolo estavam seladas.

Para sempre.

E, na semana seguinte Ézio faria três gols num Fla-Flu!

Ézio foi o último grande ídolo do Fluminense que as lendárias arquibancadas de Álvaro Chaves reverenciaram, marcando gols e mais gols no mesmo campo onde entraram para a história tricolor artilheiros como Horácio Costa Santos, Welfare, Machado, Preguinho, Romeu, Russo, Orlando Pingo de Ouro, Valdo…

Artilheiros imortalizados num panteão ao qual Ézio se junta, agora eternamente, como a imagem que todo tricolor de sua época com certeza há de guardar na memória: bola na rede, Laranjeiras em festa, o Super-Ézio correndo de sorriso e braços abertos em direção à sua torcida.

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