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FUTEBOL ► Até morrer um em campo…

Já faz algum tempo, mas daqui a pouco acontece de novo e providências só serão tomadas quando uma tragédia acontecer.

O fato é que foi um verdadeiro crime a realização de Fluminense x Vasco, decisão da Taça Guanabara, às 16h de uma infernal tarde de verão carioca.

Dava para se sentir mal á sombra, em casa, assistindo ao jogo pela TV. Imagine correndo atrás a bola numa partida decisiva.

Tudo para que a programação global da tarde de domingo não seja afetada.

Fala sério. A saúde do trabalhador (no caso, o jogador profissional) onde fica?

No início do século passado, já lá pelos anos 1910, as partidas de futebol eram realizadas ali por volta de 15h46, 16h. Assim poderia haver jogo com luz natural (luz artificial em campos de futebol só apareceria mais tarde) e os atletas se viam mais protegidos contra o calor que desde sempre aflige o Rio de Janeiro.

Sempre deve ficar bem claro que o Rio de Janeiro daquele tempo não era a frigideira que é hoje. Era uma cidade muito descampada, não havia a concentração de concreto que tanto calor absorve e faz a sensação térmica ir bem além da temperatura aferida.

Por isso – e com a iluminação artificial proliferando nos principais estádios da cidade – o horário clássico para o futebol aos domingos no Rio de Janeiro passou a ser o de 17h.

Algo lógico e que se tornou tradição.

Até aparecer a bendita televisão e submissão dos clubes a ela. Fato que agravou-se no final do século.

Ali pelo fim dos anos 1980 já começaram a zonear com a tradição futebolística do torcedor, com a criação de jogos às 18h – coisa da Manchete.

Depois piorou: alguns gênios televisivos passaram a marcar futebol para as manhãs de domingo no Rio de Janeiro! Isso mesmo que você pode estar pensando: futebol profissional realizado às 10h, 10h30min, 11h da manhã, sol a pino, 40º na cabeça – e arquibancadas vazias, claro, pois o povo preferia a praia.

Hoje o Rio de Janeiro é mais quente ainda que 30 anos atrás e saúde do jogador é cada vez mais ignorada.

Do jogador e do torcedor, também.

Outro dia morreu um jovem atleta vascaíno. Estava mal alimentado, o que, somado ao fato de treinar sob um sol escaldante, resultou em uma tragédia.

Eu já vi jogos no Maracanã, às 16h, 40º, em que não consegui adentrar as arquibancadas de tão abafado. Eu ficava ali na boca da rampa, onde podia aproveitar a corrente de vento que vinha de fora para respirar melhor. Insuportável.

Na decisão Flu x Vasco o dia estava assim. E o jogo foi estupidamente realizado ás 16h.

Para piorar, o Sindicato dos Atletas no Rio de Janeiro (e creio que no país todo) parece extremamente pelego, jamais se manifestando a respeito. Você só vê esse sindicato se manifestar aqui em casos como os do clube que querem evitar jogos consecutivos em curto intervalo de tempo. Aí os clubes recorrem ao sindicato.

O jogador profissional? Consciência zero. Verdadeiras vaquinhas de presépio.

Vão esperar o quê? Morrer alguém?

Isso não será um homicídio doloso, sem dúvida alguma, já que todo mundo sabe que isso pode acontecer a qualquer instante.

Mais cedo ou mais tarde.

Aí vão tomar uma providência – ou não. Afinal, isto aqui é o Brasil.

Primeiro

Naquele domingo de Flu x Vasco fez um calor abrasador daqueles. Estava insuportável.

Fala sério. A saúde do trabalhador (no caso, o jogador profissional) onde fica?

No início do século passado, já lá pelos anos 1910, as partdas de futebol eram realizadas ali por volta de 15h46, 16h. Assim poderia haver jogo com luz natural (luz artificial em campos de futebol só apareceria amis tarde) e os atletas se viam mais protegidos contra o calor que desde sempre aflige o Rio de Janeiro.

A foto que ilustra o post é de autoria de Pablo Moraes, do ótimo blog Fim de Jogo.

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Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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