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FUTEBOL ► Então bom deve ser o Cobreloa, não é, Júnior?

Pegou muito mal junto às hostes tricolores e àqueles espectadores mais críticos o comportamento do comentarista (?) Júnior na transmissão da recente vitória do Fluminense sobre o Boca Juniors no mítico estádio La Bombonera, em Buenos Aires, quebrando uma invencibilidade de 36 jogos do tradicional e vencedor clube portenho.

Júnior passou parte do tempo se preocupando em diminuir o adversário do Tricolor, comparando sua escalação atual com times xeneizes de outros tempos e chegando ao cúmulo de dizer que o Boca de hoje não passaria de uma Série B no Campeonato Brasileiro.

Porra, mas os caras não estavam a 36 jogos sem perder? Será que o futebol argentino é tão ruim assim? Para Júnior, então, todo o futebol argentino não passa de uma Série B do futebol brasileiro?

Impossível não pensar em despeito com um comentário desses. Além de parecer alguém que procurava uma desculpa para sua eliminação a Libertadores, em 1991, com o Flamengo, diante do mesmo Boca Juniors, na mesma Bombonera, ao ser inapelavelmente derrotado por 3 x 0. Na verdade, a mim pareceu mais isso, que Júnior até hoje não tirou aquela derrota da cabeça e ainda tenta justificá-la perante a torcida do Flamengo.

Lógico que o Boca não é o melhor de sua longa e vencedora história, da mesma forma que o Flu não é a Máquina do doutor Horta nem o time tricampeão estadual 1983-84-85 e campeão brasileiro de 1984 de Romerito, Washington, Assis e companhia.

Mas daí a tentar diminuir o mérito da vitória Tricolor na La Bombonera vai uma distância muito grande. Em toda a mídia relevante, só Júnior o fez. Dá todo motivo para aqueles que acusam ser um caso típico de dor de cotovelo. Até porque pareceu pura dor de cotovelo mesmo.

Dor de cotovelo do rubro-negro Júnior? Acho que mais do ex-jogador que do torcedor.

Tudo bem que o lado torcedor do comentarista (?) aflore de vez em quando. Não vejo muito mal nisso. O pior é aquele cheiro de hipocrisia que fica no ar. Hipocrisia do comentarista (?).

Isso porque o ex-jogador Júnior enche a boca (sem trocadilho com o Boca) para falar do título da Libertadores de 1981 – como, aliás, todo torcedor rubro-negro também deve fazer. Eu mesmo chamo o a conquista estadual do Fluminense de 2002 de Super-Supercampeonato, enquanto muitos tentam desqualificar aquela competição chamando de caixão. Eu tô nem aí para isso.

Só que, daqui por diante, cobraremos do comentarista (?) Júnior o mesmo rigor que ele usou ao trabalhar em Flu x Boca ao mencionar aquela conquista sul-americana do Flamengo.

Jamais ouvi de Júnior qualquer ressalva ao valor daquela faixa que o Flamengo colocou no peito. Júnior jamais salientou que aquela foi, provavelmente, a pior Libertadores da História. Júnior nunca lembrou a ninguém que os clubes argentinos estavam falidos, assim como a própria nação Argentina, que chegou ao extremo de forçar uma guerra numa desesperada tentativa do governo militar de então de se recuperar perante a nação. Júnior nem uma vez sequer disse que o Flamengo não chegou a protagonizar nenhum grande duelo naquela campanha. Júnior nunca fez questão de dizer que o único adversário de qualidade que o Flamengo enfrentou foi o Atlético Mineiro, bizarra e suspeitamente eliminado numa partida extra em que o juiz José Roberto Wright conseguiu a façanha de expulsar cinco jogadores atleticanos em apenas 37 minutos de jogo. Júnior em momento algum de sua carreira de comentarista (?) observou que Jorge Wilstermann e Deportivo Cali nunca foram referência futebolística para nada. Muito menos o adversário rubro-negro na final, o tradicionalíssimo quem? Cobreloa, de Calama.

E acima de tudo: o comentarista (?) Júnior nunca fez a ressalva de dizer que o Cobreloa era um time fraco, muito melhor dando pontapés do que chutando bola, mas que ainda assim o Flamengo só o venceu por 2 x 1 no Maracanã e acabou perdendo o jogo de volta no Estádio Nacional de Santiago por 1x 0, forçando a realização de um terceiro jogo.

Veja você que o comentarista (?) Júnior nunca lembrou que o Cobreloa foi impedido de jogar a decisão em seu estádio, em Calama, sendo obrigado a enfrentar o Flamengo na capital chilena, a 1.500km de distância de sua torcida e do campo onde mandara seus jogos a competição inteira. E Júnior nunca disse que só no jogo extra (na época não havia a decisão por pênaltis na Libertadores), realizado no neutro estádio Centenário, no Uruguai, o poderoso Flamengo de Júnior dobrou seu valoroso adversário.

De onde podemos concluir que o comentarista (?) Júnior faz uso do velho e conhecido dois pesos e duas medidas – ou acha que bom mesmo é o Cobreloa.

E que difícil é vencer os laranjas no Estádio Nacional ou no Centenário.

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