RSS

NBA ► Los Angeles Lakers 1997/98: para sempre na memória

12 mar

Quando comecei a acompanhar esse negócio de NBA, me encantei com o time amarelinho que tinha Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e James Worthy. E desde então me tornei torcedor do Los Angeles Lakers.

Os astros pararam, o time renovou-se e no final da década de 1990 ganhou o primeiro de seu tricampeonato com Kobe Bryant, Shaquille O’Neal e Phil Jackson no comando da equipe.

Mais tarde, Kobe conseguiria levar o Lakers a novo bicampeonato, coadjuvado desta vez por Paul Gasol e novamente sob a batuta de Phil Jackson.

Mas nenhum desses times campeões do Lakers, assim como nenhuma outra equipe que eu tenha visto, jogou mais basquete, um basquete mais espetacular, que o Los Angeles Lakers da temporada 1997/98.

O Los Angeles Lakers de Shaquille O’Neal, Eddie Jones, Nick Van Exel e Kobe Bryant.

E o único time que vi jogar de forma parecida foi o… Lakers da temporada anterior.

Para que se possa retratar melhor o que era aquele time, imagine o Oklahoma City Thunder de hoje, com seu basquete explosivo, veloz e alegre. Multiplique Kevin Durant por quatro. Agora você tem uma ideia do que estou falando.

“Mas não ganhou nada!”

Azar da NBA, azar do basquete e azar da História, que ficou privada de uma sonhada final entre o Lakers e o Chicago Bulls de Michael Jordan. Uma final que até hoje vive nos sonhos frustrados de muitos amantes da NBA.

O principal motivo desse time sequer ter vencido sua conferência foi, sem dúvida alguma, a boa dose de incompetência do treinador Del Harris de fazer seus jovens astros superarem o veterano Utah Jazz, praticamente uma antítese do Lakers. Em 96/97 os angelinos caíram para o time dos mórmons na semifinal da Conferência Oeste. No campeonato seguinte foi mais dramático, caindo na final, após uma espetacular temporada regular de 61 vitórias e 21 derrotas e um show de bola sobre o Seattle Supersonics de Gary Payton, Vin Baker e Detlef Schrempf na semifinal.

Paradoxalmente, o mesmo treinador que conseguiu armar competitivamente o time dando total liberdade a seus jovens e talentosos jogadores empacou em duas séries de playoffs contra o Jazz. A segunda delas, a final da conferência em 97/98, lembro muito bem. Todo mundo esperava que o Lakers fosse impor seu jogo veloz e voraz para cima do cadenciado time do Jazz. Mas nada disso aconteceu.

Já no jogo 1, em Salt Lake City, o Lakers levou uma surra histórica, apanhando por 35 pontos de diferença. Inexplicavelmente o time amarelo em momento algum procurou impor seu ritmo de jogo e tentou atuar na cadência de John Stockton, Jeff Hornacek e Karl Malone. Foi como um cordeiro perdido encontrar uma matilha de lobos. Um massacre.

A partir daí esperávamos nós, torcedores do Lakers, que o time voltasse ao seu estilo tradicional de velocidade e explosão – estilo, aliás, que o fizera superar o Jazz na temporada regular (3-1). Mas isso jamais aconteceu. Como aqueles dois desalentados personagens teatrais que ficaram esperando Godot, fiquei esperando o Lakers. Del Harris em momento algum tentou ou conseguiu mudar ou devolver a forma de atuar da equipe. E foi o fim do roster com aquele fabuloso quarteto: Kobe, Shaq, Eddie e Nick, the Quick (ou Van “Exellent”). Foram os quatro selecionados para o All Star Game daquela temporada.

Após a debacle, foi um tremendo disse-me-disse nos bastidores de Inglewood, não fosse o Lakers um legítimo representante hollywoodiano. Muito caiu sobre os ombros de Van Exel, que supostamente brigara com o treinador, dissera o que não devia ainda em quadra e de quem ainda diziam despertar ciúme em Magic Johnson por seu estilo criativo de jogo e por ter se tornado um queridinho da torcida. Por um motivo ou outro, Nick foi enviado para o então pior time da liga, o Denver Nuggets, onde acabou deixando saudades e realizando algumas partidas memoráveis.

A outra grande vítima do fracasso contra o Jazz foi, coincidência ou não, outro jogador adorado pela torcida, Eddie Jones, negociado após o início da curta temporada 1998/99 para o Charlotte Hornets, numa troca que também fez o Lakers perder um ótimo reserva de Shaq, Elden Campbell, recebendo por eles, entre outros, o frio e omisso Glen Rice, contratado apenas, na prática, para chutar de 3. A torcida nunca engoliu essa troca em particular e Rice teve que conviver com muitos gritos de Eddie! Eddie! Eddie! em suas pouco inspiradas noites.

Uma tremenda injustiça, pois foram esses dois então garotos que impediram o Lakers de chafurdar num tremendo buraco após o fim da legendária equipe de Magic, Kareem e companhia. Graças exclusivamente ao talento e à personalidade deles o Lakers logo voltou a ser protagonista, após um único ano de ausência dos playoffs.

Tudo para na temporada seguinte o Lakers ser novamente varrido numa série decisiva, desta vez pelo San Antonio Spurs na semifinal da conferência, donde se concluiu o óbvio: talvez, apenas talvez, o problema estivesse no comando técnico. Daí contrataram Phil Jackson e o resto se fez História.

E uma história de certa forma frustrante para mim, que nunca me conformei do Lakers ser campeão sem Eddie e Nick, que eram melhores que todos os jogadores contratados para suas posições. Não por acaso, os coadjuvantes mais efetivos de Kobe e Shaq naquelas conquistas já faziam parte do elenco: Rick Fox e Robert Horry.

Naquela época, pré Sky, a DirecTV vendia a preços módicos um pacote da NBA, o que me permitiu ver muitas dessas partidas, chegando a gravar praticamente todos os highlights exibidos no Sportscenter americano da ESPN. Uma fita VHS de ouro – devidamente trucidada pelo tempo. Mas o que me motivou a escrever este post foi o vídeo aí embaixo, que encontrei no YouTube, justamente uma homenagem àquele Lakers:

Chega a ser assustador observar o talento, a juventude e a ferocidade daquele time. Shaq era, quase literalmente, um monstro praticamente imparável. Nenhum pivô dos que acompanhei jamais sequer chegou perto de seu domínio no garrafão. Os vídeos estão espalhados na internet por aí. Não são montagem. Shaq assustava. Não fosse seu ridículo aproveitamento nos lances livres e chegaria junto a Kareem na disputa de maior cestinha da História.

Nick Van Exel foi simplesmente o melhor armador pós Magic Johnson do Lakers e com certeza a maior pechincha obtida pelo Lakers em um draft: foi apenas a 37º escolha! Um armador genial e genioso, capaz de tanto encestar 30 pontos, quanto despachar 15 assistências ou até encarar testa a testa árbitros e adversários. Provavelmente seu lado temperamental o impediu de assumir o trono simbólico de melhor armador de seu tempo. Mas poucos o igualavam em talento. Em estilo diferente, Stockton talvez fosse até mais eficiente e Payton, provavelmente, seu espelho. Mas hoje, por exemplo, nenhum armador tem o seu brilho. Se Nick disse o que não devia na hora errada, cara, ele era um garoto genial e genioso, o Lakers teve que aturar coisa muito pior e sem o mesmo talento, como a atitude de um Dennis Rodman em fim de carreira ou de um Gary Payton. Nick era meu jogador predileto naquele time.

Eddie Jones era um segundo armador formidável, capaz tanto de criar suas próprias jogadas ofensivas, principalmente infiltrações em velocidade, quanto de obter ótimo aproveitamento nos chutes de três pontos. De quebra, exímio defensor. Talentoso e elegante com a bola nas mãos, um ídolo em Inglewood.

E Kobe… Bem, Kobe segue fazendo História e superando recordes. Apenas imagine o que esse jogador de hoje, com o corpo massacrado pelos anos seguidos em quadra, playoffs atrás de playoffs, jogando com fissuras, fraturas, torções e luxações mil, no momento com uma máscara para proteger o nariz quebrado e liderando os cestinhas da NBA, era capaz 15 anos atrás.

Para completá-los, ótimos reservas: Rick Fox, Bob Horry, Elden Campbell e Derek Fisher, calouro contemporâneo de Kobe.

Faltou treinador para que esse time recebesse o anel que merecia. Uma espécie de seleção brasileira de 1950 e 1982, Hungria de 1954 ou Holanda de 1974. Um time que deixou saudade e que não precisou de título de campeão para fazer História no coração do torcedor.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

Anúncios
 
1 comentário

Publicado por em 12 de março de 2012 em Basquete, NBA

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

Uma resposta para “NBA ► Los Angeles Lakers 1997/98: para sempre na memória

  1. RafaelRox

    13 de março de 2012 at 11:05

    Muito legal seu post! Congratulations

    Nick – Eddie – Kobe – Elden- Shaq era isso mesmo nao é?
    Lembro de tapes da epoca.

    Curtir

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: