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FUTEBOL ► Se um elefante incomoda muita gente, no futebol brasileiro algumas verdades incomodam muito mais

07 abr

Me chamou a atenção nesta semana uma declaração de Vampeta em entrevista no programa “Kajuru Pergunta”, do jornalista esportivo Jorge Kajuru. O programa é hospedado no portal UOL e o endereço dessa matéria é este link aqui.

A declaração é essa aí abaixo:

Muito interessante. De minha parte – e “ronaldices” à parte também -, sempre achei que, a princípio, vencera a final da Copa do Mundo de 1998 o melhor time. Simples assim. Eu vi o campeonato inteiro. Todos os jogos.

Mas no Brasil tudo serve como desculpa para derrotas. Jamais o adversário é valorizado. E teorias da conspiração proliferam nessas horas.

Como em 1978. Lógico que “coisas” aconteceram naquela Copa, aparentemente acertada entre governos militares (minha particular teoria da conspiração). Mas, no final das contas, no frigir dos ovos, noves fora, foi campeã a melhor seleção dentro das quatro linhas.

Hipocritamente, os mesmos que criam essas teorias aparentemente fingem ignorar como o Brasil costuma ser favorecido em Copas do Mundo.

Adoramos falar da Argentina e da Copa 78, mas raramente alguém lembra, por exemplo, o absurdo que foi o nosso bicampeonato conquistado no Chile em 1962, com direito a uma arbitragem absolutamente facciosa na partida contra a Espanha e ao exílio forçado do bandeirinha que acusara o pontapé de Garrincha a um adversário durante a semifinal, o que valeu a expulsão do nosso gênio alegre da bola.

Mas Garrincha não ficou fora da final, porque deu-se um jeito de julgar sua expulsão antes da partida decisiva e um jeito maior ainda de sumir do país com o bandeirinha.

Por isso é sempre bom que figuras até polêmicas, sem meias palavras e cuja voz têm repercussão na mídia, deem um tom mais sensato a essas questões.

Como em relação à Copa do Mundo de 1950.

Aparentemente tudo já foi dito sobre aquela decisão, na qual perdemos para o Uruguai em pleno Maracanã, sob o atônito olhar de mais de 200 mil torcedores.

E o tom sempre foi o de caça às bruxas, aos responsáveis por tamanha injustiça.

Pois um dos maiores gênios de nosso futebol, segundo qualquer referência, um dos homens mais inteligentes dentro e fora das quatro linhas, presente àquela histórica partida, jamais compactuou com essa linha de pensamento.

Zizinho, o Mestre Ziza, ídolo de Pelé, o Pelé de seu tempo, em entrevista no programa “Bola da Vez”, da ESPN Brasil, disse com todas as letras, ao ser questionado sobre o que acontecera naquela fatídica tarde para o futebol brasileiro: “O melhor time venceu.”

Foi o que afirmou Zizinho: a seleção uruguaia era melhor que a nossa. Inclusive, vinha nos derrotando em confrontos anteriores.

Que o torcedor crie essas teorias conspiratórias em seu imaginário para justificar derrotas da “inderrotável” seleção brasileira, vá lá – se bem que mais legal seria reconhecer não só nossos limites, como o talento fora de nossas fronteiras.

O que não pode é boa parte de nossa imprensa fazer de lugar comum essas complexas justificativas para algo que pode ser tão óbvio: naquelas circunstâncias (e foram muitas ao longo da história do nosso futebol), simplesmente não fomos os melhores.

É patético que parte da imprensa se comporte como um simples Pacheco.

Pacheco é imagem que ilustra o post, saudoso personagem criado pela Gillette durante a campanha da Copa do Mundo de 1982, personagem que caracteriza o torcedor extremamente apaixonado, brasileiro acima de todas coisas.

Pois veja você que Pacheco, que caiu imediatamente no gosto da torcida, jamais voltou ao ar após a eliminação daquela Copa na partida contra a Itália no “falecido” Estádio Sarriá.

Foi considerado culpado pela derrota, deu azar, foi pé-frio. Foi o bode expiatório da vez.

Pobre Pacheco.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 7 de abril de 2012 em Futebol, Imprensa

 

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