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VOLEIBOL ► Rio de Janeiro x Osasco: a final que não existiu

15 abr

Eu abri o site da CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) e estava lá em destaque: Sollys/ Nestlé campeã da Superliga 2011/2012.

Na final, a Sollys/Nestlé derrotou a Unilever no Maracanãzinho. Veja o primeiro parágrafo da matéria do site da CBV:

“RIO DE JANEIRO, 14.04.2012 – O SÁBADO (14.04) foi de festa para o Sollys/Nestlé (SP), no ginásio do Maracanãzinho lotado, no Rio de Janeiro (RJ). A equipe de Osasco venceu a Unilever (RJ) por 3 sets a 0 (25/14, 25/18 e 25/23), em 1h19 de jogo, e garantiu o pentacampeonato da Superliga feminina de vôlei. A oposto americana Destinee Hooker, do Sollys/Nestlé, foi a maior pontuadora da partida, com 20 acertos.”

Pena que esse jogo não existiu para as mídias que pertencem à família Globo.

Para O Globo, SporTV e Globo.com, a final foi entre Rio de Janeiro e Osasco.

Fui nos sites conferir. Vi na grade da Net.

Ainda procurei outros portais para ver se todos faziam a mesma coisa.

Não, não faziam. Eventualmente, para economizar espaço numa chamada ou outra, os nomes das cidades foram usados para identificar as equipes, mas não no corpo da matéria.

Lamentável, não?

Parece coisa de quem se habituou durante as décadas da ditadura (e após) a tentar forjar uma realidade de acordo com seus interesses.

No caso aqui, interesses comerciais.

Mas isso já não acabou?

E ainda tem jornalista que sai por aí cobrando incentivo de empresas privadas ao esporte nacional. Mas, quando isso acontece, como no vôlei, ainda há mídias que omitem os nomes das empresas que investem pesado na modalidade de maior sucesso do esporte nacional.

Como se vê, o buraco é bem mais embaixo.

“O patrão mandou, a gente obedece.” Afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

No dicionário você pode encontrar vários palavras que se adequem a isso. Hipocrisia é uma delas. Palavra feia, mas há piores.

É algo tão sem noção que, seguindo a linha “jornalística” dessas redações, jamais houve alguns clássicos que entraram para a história do vôlei brasileiro, como Supergasbrás x Bradesco/Atlântica no feminino e Pirelli x Banespa no masculino.

Esses clássicos seriam, então, Rio de Janeiro x Rio de Janeiro e São Paulo x São Paulo?

Epa! Como assim?

É nas incoerências que a gente vê como não há qualquer razão lógica para esse, digamos, padrão. Um padrão, jornalisticamente falando, um tanto estúpido.

Porque se houvesse algum sentido lógico nisso tudo, Vôlei Futuro, por exemplo, no masculino, não seria chamado de Vôlei Futuro, mas de Araçatuba, certo?

Aparentemente, Vôlei Futuro não fere interesses comerciais de ninguém. Ou Sollys, Nestlé e Unilever não contribuíram para a caixinha de alguém. Leia-se: não são anunciantes dessas mídias, talvez.

Esse tipo de coisa pega mal. Atesta o quão venal e/ou interesseira pode ser nossa imprensa. Sempre, historicamente, interessada prioritariamente no próprio umbigo.

*** *** ***

Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial 3.0 Não Adaptada.

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Publicado por em 15 de abril de 2012 em Esporte, Imprensa, Voleibol

 

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